Coluna Letrados
Por: Sueli Valiato – Professora de Língua Portuguesa e Literatura
Caríssimo (a) Leitor (a), vivemos numa época em que apesar de estarmos em franco desenvolvimento das tecnologias, contrariamente ao que esperávamos, estamos cada vez mais sobrecarregados, mesmo identificando tempos subutilizados. Sentimo-nos sempre ocupados e com o sentimento de estarmos sendo pouco produtivos. Frequentemente, sem tempo para fazer o que realmente gostaríamos. Já se sentiu assim?
Para subsidiar o nosso diálogo trago dois autores: Antoine de Saint-Exupéry e Greg McKeown, que em épocas e de formas diferentes escreveram estas obras: o primeiro “O Pequeno Príncipe” (1943), o segundo “Essencialismo: a disciplinada busca por menos” (2014), que trazem contribuições genuínas para a superação dessa dicotomia e pistas para uma existência essencialmente vivida e mais saudável.
Partimos, pois, da frase “O essencial é invisível aos olhos” do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. O essencial são os valores mais importantes da vida, o que é fundante para nossa existência/vivência, o que nem sempre é visível fisicamente, o que é sentido, o que vai além das aparências e do que é superficial. Refere-se ao que é imprescindível para a constituição, preservação e nutrição de nossa essência, que é antes de tudo humana.
Esta obra convida-nos a olharmos para além do material, do que satisfaz o nosso ego, a nossa vaidade, os números e os cifrões. E, valorizarmos o tempo para utilizá-lo com o que realmente é essencial, faz sentido a nossa alma, a nossa essência. Usando a intuição, o sentimento, a espiritualidade, a ciência, a vivência para percebermos o que verdadeiramente tem valor em nossas vidas, porque os olhos por si, não conseguem captar isso sozinhos.
E por falar em ciência, há na filosofia a Teoria Essencialista, que apresenta o Essencialismo, muito utilizado como estratégia de gestão de tempo e/ou técnica de produtividade, que também serve-nos de método para identificarmos o que é necessário, essencial, vital e reduzir, suprimir o que não é, numa perspectiva de dedicarmos e darmos a maior contribuição possível àquilo que verdadeiramente nos é necessário, importante.
“Se não decidimos onde devemos concentrar nosso tempo e nossa energia, outras pessoas – chefes, colegas, clientes e até a família – decidem por nós, e logo perdemos de vista tudo o que é significativo.”
E com essa máxima, trago ao nosso diálogo, Greg McKeown com o livro “Essencialismo: a disciplinada busca por menos”, no qual ele nos apresenta ensinamentos que nos auxiliam a ajustar o nosso foco no que realmente importa e aplicarmos os princípios dessa filosofia em nossas vidas, para vivermos mais e melhor.
Primeiramente, devemos identificar o que é vital e minimizar e/ou eliminar o que não é essencial, para focarmos energia e tempo no que realmente importa, buscando completude, integralidade, profundidade, “menos, porém melhor”. Realizar escolhas com consciência, mediante a análise das demandas e possibilidades a partir de nós, não dos outros. Entretanto, para isso, precisamos desenvolver conhecimentos sobre questões essenciais de nossa existência: Quem sou? Onde estou? Para onde vou? Com quem vou…
Na busca pelo que realmente importa, dizer “não” ao não essencial é fundamental, para criarmos espaço e tempo para nos dedicarmos àquilo que a nós é vital, essencial, nos desobrigando de fazer tudo que aparece, optando conscientemente, por fazer o que é certo com excelência. Assim como, o reconhecimento da nossa capacidade de escolher em que investiremos o nosso tempo e energia, para não sermos levados pelas circunstâncias.
Pois, segundo Greg, dizer “sim” a tudo implica dizer “não” ao que é importante. É preciso recusar solicitações e oportunidades que nos desviam do foco principal, para manter-nos na busca disciplinada por focar em poucas coisas de grande valor, em vez de nos dispersarmos em muitas tarefas triviais e vivências superficiais.
Portanto, para termos uma vivência mais significativa, precisamos identificar o nosso essencial invisível aos olhos, criarmos tempo e espaço para pensar, planejar a própria vida e vivê-la com excelência, realizando o que realmente importa, eliminando o que é desnecessário, escolhendo ficar onde podemos fazer a maior diferença.
Dessa forma, reconectaremos com a descoberta da beleza, com o óbvio pueril, significado das relações e da vida vivida, livrando-nos de uma existência de mera representação de papéis, personagens… Num roteiro escrito por outrem. Precisamos, com pressa, ser capazes de enxergarmos para além do aparente e focamos no que verdadeiramente nutre a nossa alma, em todos os sentidos que essa palavra tem.
E se você ainda não leu esses livros. Leia-os como primeiro exercício na busca do essencial.
Um abraço!
*O texto é de livre pensamento da colunista*





Respostas de 2
Ótimo texto para reflexão, Parabéns pelo racíocínio lógico, linear e inspirador.
Fantástico, pra você
Eclesiastes 2:24-26
Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,
pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?
Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus. Também isto é vaidade e correr atrás do vento.