Entrevista
Por: José Salucci – Jornalista
Especialista em Odontologia, ator por formação e, agora, a face oficial da beleza capixaba. Pedro Totola, aos 28 anos, vive um momento singular em sua carreira. Natural de Santa Teresa, a “Doce Terra dos Colibris”, ele carrega no DNA a disciplina da colonização italiana e a sensibilidade das artes cênicas.
Aclamado Mister Espírito Santo 2026, Pedro está em contagem regressiva para disputar o Concurso Nacional de Beleza (CNB) – Mister Brasil. Para ele, a faixa não é um acessório de vaidade, mas uma plataforma de liderança. “Exerço uma liderança pelo exemplo. Cuidar de pessoas é ouvir, orientar e inspirar, seja no consultório, no palco ou na moda”, afirma o leonino, que fez da transição do interior para a capital um trampolim para o autoconhecimento.
Com foco no preparo físico, emocional e intelectual, ele se apresenta ao público como um homem que transita entre o rigor clínico e a subjetividade estética, provando que a masculinidade moderna é, acima de tudo, múltipla.
Conheça, agora, um pouco dessa personalidade excepcional, que ama desafios, um jovem que embarca naquilo que o inspira, além de transmitir sorriso na profissão, na beleza estética e no coração.

1 – Pedro, para conhecermos o homem por trás da faixa: como você aproveita seus momentos de lazer? Quais são seus gostos pessoais e aquele destino que ainda pretende desbravar?
No lazer, sou um homem caseiro e seletivo, muito conectado às pessoas que amo. Embora aprecie o sossego, também adoro sair com meus amigos e dividir momentos únicos; acredito muito que “não importa o lugar, mas sim as pessoas”. Gosto de atividades ao ar livre para cuidar do corpo e da mente.
Na culinária, meu prato predileto é a comida italiana, herança direta da minha origem. Quanto a viagens, meu sonho é conhecer Nova York – me vejo muito na Times Square e, também em Portugal, por ser devoto de Nossa Senhora de Fátima. Quero muito visitar a “casa” dela.
2 – Sua transição de Santa Teresa para Vitória para estudar teatro revela um espírito inquieto. De que forma as técnicas de palco auxiliam na sua performance diária no consultório e nas passarelas?
O teatro me ensinou presença, escuta e consciência corporal. Essas técnicas se refletem diretamente no consultório, na forma como acolho meus pacientes, e também na passarela, onde postura, intenção e narrativa são essenciais. A arte me deu ferramentas para performar com verdade em qualquer ambiente.
3 – No teatro, lidamos com o “ideal” do personagem; na odontologia, com o “real” profissional. Como você concilia essas duas faces e onde termina o profissional de saúde e começa o artista?
Eu não separo essas faces; eu as integro. O profissional de saúde exige precisão, ética e responsabilidade, enquanto o artista traz sensibilidade, empatia e visão estética. Onde termina um e começa o outro? No momento em que a técnica encontra o propósito. Isso me permite viver esses dois mundos da melhor forma possível. Todos os dias esbarro em um pouco dos dois, e essa dualidade me completa.

4 – Atuando com harmonização facial e procedimentos complexos, como você equilibra o rigor clínico com a subjetividade da beleza na busca pela autoestima dos seus pacientes?
Encontrei na Odontologia um propósito maior; sinto que Deus me deu a oportunidade de viver na prática o que era para ser meu.
Na harmonização, equilibro o rigor técnico com o olhar humano. Entendo que beleza não é padrão, é identidade. Meu compromisso é elevar a autoestima sem apagar histórias.
Hoje, me dedico integralmente a isso, sempre embasado pelos princípios éticos que guiaram minha prática desde a época dos implantes e próteses.
5 – O título de Mister Espírito Santo 2026 impõe um peso institucional. Qual é o principal valor capixaba que você faz questão de levar para o cenário nacional?
A simplicidade com excelência. O capixaba é discreto, trabalhador e profundamente comprometido. Representar o Espírito Santo é mostrar que não precisamos gritar para sermos fortes. Mesmo com a fama de sermos um povo mais “fechado”, quero mostrar ao Brasil o quanto somos gigantes e o quanto temos a oferecer.
6 – Ao dizer que gosta de “ultrapassar limites”, você se refere à superação pessoal ou à quebra de paradigmas sobre o homem multitarefas?
Refiro-me às duas coisas. Ser um homem multitarefas, sensível e disciplinado não diminui a masculinidade; pelo contrário, a amplia. Ultrapassar limites é permitir-se ser inteiro. As coisas mais incríveis da vida estão logo após o ponto onde você acha que chegou ao seu máximo. Tudo o que vivi de mais espetacular veio depois que acreditei que era possível ser ainda melhor.

7 – Quais foram as maiores crenças limitantes que você precisou silenciar para assumir a faceta de Mister, vindo de uma profissão tão tradicional?
Silenciei o medo do julgamento e a ideia de que uma profissão tradicional limita sonhos artísticos. Entendi que ser dentista não me impede de ser ator, modelo ou Mister; na verdade, isso me fortalece. Descobri minha força quando uni meu trabalho ao meu sonho.
8 – Como sua origem no interior moldou sua visão sobre profissionalismo e finanças? Você se considera um homem de hábitos conservadores?
O interior me ensinou responsabilidade, constância e humildade. Tenho hábitos conservadores na gestão da vida, mas transito com naturalidade no multiculturalismo da carreira e da arte. Em um mundo com tanta diversidade, eu jamais ousaria me limitar. Amo conhecer novas culturas e levo um pouco de cada uma para minha vida; sempre há o que aprender.
9 – O CNB busca embaixadores com propósito. Qual causa social será sua bandeira no Mister Brasil?
Minha bandeira é a autoestima aliada à saúde e à educação, mostrando que cuidar de si é um ato de dignidade. Além disso, foco na inclusão. Desde 2019, a odontologia me permite levar acesso a hábitos simples, como a higiene bucal, para aqueles que possuem limitações. Em parceria com a Pestalozzi de Santa Teresa, conseguimos melhorar a qualidade de vida de várias pessoas. Isso é gratificante.
10 – Se Odontologia, Teatro e o Mister se cruzassem em um diagrama, qual seria a palavra no centro? Em qual dessas áreas você se sente mais “em casa”?
A palavra central é presença. Na odontologia, é a presença técnica e humana; no teatro, a emocional; no Mister, é a presença simbólica que impacta e dá voz. Em todas, sou eu por inteiro. Mas confesso que o mundo da arte é onde me sinto em casa. É onde me sinto vivo.
11 – Que legado você pretende deixar como Mister e qual seu incentivo para outros homens sonhadores?
Quero mostrar que é possível ser múltiplo sem perder a essência. Aos homens sonhadores, digo: não reduzam seus sonhos para caber nas expectativas alheias. Cresçam. O mundo precisa de homens inteiros. Quando encontrar um limite criado por você mesmo, ultrapasse-o; a felicidade mora ali. Tenha propósito, consciência de suas raízes e essência. Isso despertará o interesse das pessoas em te ouvir e, consequentemente, você ganhará espaço para gerar impacto social. Hoje vivo um sonho para o qual todos estão convidados.





Respostas de 2
Parabéns ao Jornal Merkato, ao Jornalista José Salucci, pela matéria, eu recebi o Pedro no Canal Nota 10, e foi um incrível bate papo.
Obrigado, Junior Ernandes! Insira, aqui, o link da sua entrevista. Vamos divulgar o Sorriso do ES.