Terceiro Setor
Por: José Salucci – Jornalista
Merkato continua a produção da série especial de reportagens sobre os projetos aprovados na 3ª Chamada Pública do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC). O chamamento, realizado pela Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo (Fundaes), selecionou 13 iniciativas de impacto social no estado.
Nesta edição, apresentamos o “Projeto Guardiões do Penedo”, sediado em Vila Velha, em 2024, através de Patrick Thomaz de Oliveira. Porém, o que se vê em dias atuais, na verdade, começou com um trabalho de preservação e sustentabilidade na região da Baía de Vitória, na década de 1970, por Agnaldo Moura, conhecido popularmente como o Guardião do Penedo.
Uma história de enredo cinematográfico e perfeita para ser redigida no espírito da literatura brasileira, onde envolve amizade, trabalho, parceria, sonho e missão, a iniciativa visa promover o Morro do Penedo como um parque público educativo e cultural, mantendo-o ambientalmente preservado.
Morador no ponto turístico desde 1972, à época em uma casinha de madeira, Seu Agnaldo habita, em dias atuais, em uma casa de pedra. Com vivências extraordinárias durante todo esse tempo, ele relata fato histórico e objetivo de trabalho no lugar. “Em 1983, o Morro do Penedo foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Paisagístico do Estado do Espírito Santo. De um certo tempo para cá, eu vi que era muito trabalho para mim, então tomei a decisão de compartilhar isso com outras pessoas. Foi quando tivemos a ideia de criar uma unidade de conservação de proteção integral”, narrou. Com consciência sustentável, o guardião diz: “Hoje a nossa vontade é de transformar isso aqui num lugar que seja de todos, onde as pessoas possam aproveitar o lugar e preservar para as gerações futuras”, pontuou.
Trajetória: uma história de preservação
Os trabalhos de conservação do Morro do Penedo iniciaram-se na década de 1970, por iniciativa de Agnaldo Moura. Hoje pescador aposentado e, atualmente, presidente da organização, ele é considerado um verdadeiro guardião do entorno de um dos maiores símbolos naturais da região.
“Viver no Penedo foi como se eu tivesse encontrado o meu lugar no planeta. É um privilégio único viver aqui durante todo esse tempo”, disse Seu Agnaldo.
Apesar da longevidade, o projeto ainda não possuía personalidade jurídica. A necessidade de formalização surgiu com a chegada de novos voluntários e entusiastas da educação ambiental. O grupo percebeu que, para expandir as atividades de Turismo de Base Comunitária e capacitar jovens para a reforma de catraias e guias náuticos, era imprescindível a criação de um CNPJ. Foi com esse objetivo que os Guardiões buscaram o apoio do FIC.
O sonho da institucionalização
O vice-presidente do projeto, Patrick Thomaz de Oliveira, atua há dois anos ao lado de Seu Agnaldo. Treinando para ser o sucessor do velho guardião, ele divide seu tempo entre o aprendizado da pesca, a reforma de barcos, o plantio de árvores frutíferas e a condução de visitantes pelas trilhas do Penedo. Para Patrick, o suporte da Fundaes foi o divisor de águas para a profissionalização do grupo.
“Com esta iniciativa do FIC, foi possível transformar o sonho em realidade. Nasce, oficialmente, os ‘Guardiões do Penedo’”, afirmou o marceneiro. Ele destacou, ainda, a gratificação da equipe ao receber a notícia da aprovação: “Recebemos o resultado com muita alegria e queremos compartilhar e transbordar com todos essa felicidade”.
Com o aporte de R$ 5.100,00 direcionado pelo fundo, a prioridade máxima é a transição para o modelo de Organização da Sociedade Civil (OSC). Patrick explica que a formalização jurídica permitirá ao grupo dialogar em pé de igualdade com outros setores:
“Agora se faz possível institucionalizar e criar o Instituto Guardiões do Penedo e ganhar mais força para, junto com a sociedade civil organizada, o poder público e privado, criar políticas públicas de educação ambiental e turismo de base comunitária em prol do desenvolvimento sustentável”, concluiu o vice-presidente, que também opera a travessia de catraia para turistas.
O presidente reforçou o argumento de Patrick, o guardião sucessor. A gente, como pessoa física, é muito difícil. As pessoas não acreditam no nosso trabalho. Ainda tem a burocracia, que é muito forte, a gente não consegue destravar. Então, o FIC nos deu a possibilidade de alocar os recursos para nos tornarmos pessoa jurídica através do instituto. Isso vai nos facilitar parcerias para fazer, aqui, uma boa infraestrutura”, completou.

Futuro e impacto social
De acordo com a diretoria do projeto, o monumento natural recebe cerca de 120 pessoas por mês para trilha ecológica, contemplação da vista e prática de rapel. Com a transformação em OSC, a gestão pretende ampliar o alcance das ações por meio de novas parcerias estratégicas. Segundo Patrick, a formalidade abre portas para uma gestão profissional da comunicação do projeto. “Os recursos que serão captados terão finalidade para o desenvolvimento das ações, bem como investimentos em marketing e comunicação”, confirma.
Serviço: Diretoria do Instituto Guardiões do Penedo
- Presidente: Agnaldo Moura (pescador aposentado)
- Vice-presidente: Patrick Thomaz de Oliveira (catraieiro e pescador)
- Diretor Administrativo: Sandro Firmino (ambientalista e empresário)
- Conselheiros: Thiago Ferrari (ambientalista e empresário), Giuliano de Oliveira Costa e Jorge Luiz Pinheiro.




