Cultura
Por: José Salucci – Jornalista
Fundão (ES) – O som rítmico dos tambores e o vibrar característico das casacas tomaram conta da zona rural de Fundão no último domingo (08). Aos pés do imponente Pico do Goiapaba-Açu, na comunidade de Três Barras, a Banda de Congo de São Benedito de João Neiva realizou uma apresentação durante a 3ª Etapa do Encontro Regional de Bandas de Congo.
O evento, que integrou os festejos folclóricos em honra a São Benedito e São Sebastião, reafirma o Espírito Santo como um dos principais guardiões da cultura afro-brasileira.
O grupo joaneivense marcou presença a convite da Associação das Bandas de Congo de Fundão e da Prefeitura Municipal. A participação celebrou momentos de carga simbólica, como a tradicional Puxada do Navio e a Fincada do Mastro, rituais que fundem a devoção religiosa à resistência cultural negra, atravessando séculos de história capixaba.
Para a presidente da Banda de Congo de São Benedito de João Neiva, Maria Izabel Barreto dos Santos, de 69 anos, estar em Fundão representa a continuidade de um legado familiar e coletivo. Filha de Cândido Marins Barreto, primeiro presidente do grupo no bairro Cruzeiro, Izabel vive o congo desde os cinco anos de idade.
“Foi com muita alegria que mais uma vez a Associação de Banda de Congo São Benedito de João Neiva fez uma belíssima apresentação na festa do encontro de bandas. É com muita satisfação que a gente leva o nosso canto, as nossas músicas, a nossa tradição e o nosso gingado para mostrar ao povo que a cultura é vida”, afirmou a presidente.

Memória e identidade
A mística do encontro em Três Barras reside na conexão entre o sagrado e o popular. Em um cenário onde a fé se manifesta no couro dos tambores, a banda de João Neiva agradeceu o acolhimento da comunidade local. Izabel, que está à frente da presidência desde outubro de 2021, ressaltou a gratidão pelo intercâmbio cultural entre os municípios.
“Temos gratidão por participar dos festejos e pelo convite encaminhado a nós. Estivemos presentes fazendo aquela alegria junto com todos daquela comunidade e de tantas outras que participaram. É uma cultura que não podemos deixar morrer, por isso pedimos que a juventude abrace essa causa e siga em frente com a cultura afro”, pontuou Izabel, fazendo um apelo renovação do movimento.
O evento reforça a importância do Plano de Comunicação e Salvaguarda do patrimônio imaterial, garantindo que as futuras gerações compreendam que o congo não é apenas música, mas a pulsação histórica de um povo que recusa o esquecimento.



