“Instituto 739” leva inclusão digital à periferia de Cariacica, após aprovação no FIC

Em série especial sobre o 3º Chamamento Público FIC, o Merkato apresenta o projeto "739 Conecta", iniciativa que transforma a realidade de jovens em Alto Boa Vista através da informática. Na foto, o casal Amanda Felix Silva e Jonatas de Souza Moreira, fundadores do Instituto 739. (Foto: Divulgação)
Terceiro Setor
Por: José Salucci – Jornalista

Cariacica – A democratização do acesso à tecnologia ganha um novo e importante capítulo na Região 05 de Cariacica. Dentro da cobertura especial sobre o 3º Chamamento Público do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), o jornal Merkato detalha, nesta reportagem, o projeto “739 Conecta: Núcleo de Inclusão Digital e Cidadania”. Idealizada pelo Instituto 739, a iniciativa surge para romper as barreiras do isolamento digital e oferecer ferramentas reais de empregabilidade e educação para a comunidade de Alto Boa Vista.

Trajetória: do tatame para a transformação social

O Instituto 739 não nasceu em salas climatizadas, mas no calor do esporte. A história da organização começou oficialmente em setembro de 2019, apenas dois dias após o casamento de seus fundadores, Amanda Felix Silva, 30 anos, (profissional de educação física) e Jonatas de Souza Moreira, 40 anos (educador social).

Com tatames emprestados, através da figura do Mestre Zé Branco (capoeira) e a convicção de que o jiu-jitsu seria a porta de entrada para reduzir a desigualdade local, o casal percebeu rapidamente que o impacto precisava ser multidimensional. O que começou com as artes marciais evoluiu para um ecossistema de educação, cultura e assistência social, consolidando um espaço de pertencimento para famílias que, muitas vezes, encontram-se à margem das políticas públicas tradicionais.

Evento na praça de Alto Boa Vista, Cariacica. (Foto: Divulgação)

Alcance social: impacto que se multiplica

Atualmente, o Instituto já é uma referência consolidada, atendendo diretamente cerca de 140 pessoas. O público é composto por 80 crianças e adolescentes no projeto de jiu-jitsu, além de mulheres que participam de treinos funcionais e rodas de conversa.

Com a chegada do projeto “739 Conecta”, a meta é beneficiar 60 novos usuários logo no primeiro semestre. Contudo, o impacto é ainda mais profundo: o laboratório servirá de suporte para todos os atuais assistidos e seus familiares, criando um efeito multiplicador de conhecimento dentro da comunidade.

O esporte é o instrumento, o amor é a ação. (Foto: Divulgação)

Proposta FIC: solução prática para a comunidade

O “739 Conecta” foca em um problema estrutural: a exclusão digital. O projeto prevê a montagem de um laboratório de informática completo na sede da instituição, com computadores, impressora multifuncional e internet monitorada.

A proposta ataca diretamente o “gargalo” que impede jovens de Alto Boa Vista de competirem no mercado de trabalho. Sem acesso a equipamentos básicos, muitos perdem oportunidades por não dominarem ferramentas simples, como o Pacote Office, ou por não terem onde imprimir um currículo. O núcleo será a ponte que une o talento da periferia às exigências do mundo contemporâneo.

Viabilização: o selo de profissionalismo

Para Amanda Felix Silva, criadora do Instituto, o apoio do FIC representa um salto de anos em poucos meses. “O FIC é, sem dúvida, um divisor de águas. Como uma organização que nasceu da força de vontade e do voluntariado, a aquisição de equipamentos de alto custo é um desafio financeiro imenso”, explica Amanda.

Ela ressalta que o benefício vai além do financeiro. “Sem esse chamamento, levaríamos anos fazendo ‘vaquinhas’ para montar essa estrutura. Além dos equipamentos, o edital nos traz a chancela técnica da FUNDAES, o que profissionaliza nossa gestão e valida a seriedade do nosso trabalho perante outros parceiros”, pontua.

Grupo de voluntários do Instituto 739. (Foto: Divulgação).

Gratidão e o futuro da gestão na periferia

A aprovação no 3º Chamamento Público FIC foi recebida com emoção pela equipe. Para Amanda, o resultado é um atestado de competência para os projetos sociais realizados nas comunidades.

“Foi um sentimento de esperança, de ‘coração quentinho’, de dever cumprido e expectativa. Receber essa aprovação foi a confirmação de que a ‘responsa’ e a seriedade com que trabalhamos estão sendo reconhecidas”, celebra a fundadora. “Saber que passamos por um crivo técnico tão rigoroso nos dá ainda mais força. Mostra que a periferia produz gestão de qualidade e que estamos no caminho certo para transformar Cariacica através da educação e da tecnologia”, finaliza.

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