Coluna Terceira Voz
Por: José Salucci – Jornalismo
O esporte, historicamente, é uma ferramenta de inclusão e transformação social. Na última quinta-feira (17), a Arena de Verão 2026, Praia de Camburi, em Vitória, testemunhou que um evento de artes marciais pode ir muito além da disputa por cinturões e medalhas. A 4ª edição do Oliveira Combat Fight (OFC), idealizada pelo multicampeão Fledis de Oliveira Gonçalves, o “Oliveira”, provou que o verdadeiro nocaute acontece contra a vulnerabilidade social.
A edição atual do OFC incluiu a participação de três projetos sociais no octógono. Nesse cenário de inclusão, Esporte e Terceiro Setor fizeram do projeto “Júlio Brutus”, o grupo “A Capoeira” e o “Karatê Kids”, uma vitrine de não apenas ensinos de técnicas de defesa pessoal e cultura esportiva, mas também de promoção à cidadania. O trabalho social dessas entidades preenche lacunas visíveis no trabalho do Estado.
O Terceiro Setor, composto por Organizações da Sociedade Civil (OSCs), fundações, associações e outras entidades sem fins lucrativos, desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão socioeconômica, atuando como um importante catalisador de mudanças e desenvolvimento social.
Diante disso, é crucial refletir o valor da inclusão social tendo como instrumentação de viabilidade, o esporte. O investimento em projetos sociais esportivos reflete diretamente na economia e na segurança pública. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), jovens inseridos em atividades esportivas e educacionais, no contraturno escolar, têm chances significativamente menores de evasão escolar e envolvimento com a criminalidade.
Na Grande Vitória, estima-se que projetos do Terceiro Setor atendam um excedente número de crianças e adolescentes. O impacto econômico é real: de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), eventos de turismo esportivo, podem movimentar a economia local em cerca de 15% a 20% a mais do que períodos comuns, beneficiando desde o setor hoteleiro até o pequeno comerciante da orla.
Com ações proeminentes em relação a linguagem atual dos fatos sociais, o destaque desta edição foi a pluralidade. Vimos desde a inclusão de atletas autistas, até a participação de refugiado venezuelano, residente na Grande São Pedro, que conquistou o cinturão em sua categoriaO ESSENCIAL INVISÍVEL AOS OLHOS NUTRE A ALMA. Essa “diplomacia do tatame” mostra que o esporte é uma linguagem universal capaz de acolher quem o mundo, por vezes, tenta excluir.
A 4ª edição OFC – Summer, com o apoio do wrestling gratuito em comunidades como Vila Nova de Colares e Jacaraípe, em Serra, reafirma que o Terceiro Setor não é um “ajudante” do governo, mas um parceiro estratégico. Quando Oliveira, um atleta pentacampeão mundial, em 2024, na Argentina, abre espaço para o social, ele envia uma mensagem clara: o pódio é importante, mas a cidadania é o verdadeiro título que precisamos de conquistar todos os dias.
*O texto é de livre pensamento do colunista*





