A3P impulsiona o artesanato, em Ibiraçu, com apoio do FIC

Da esquerda para direita: Anderson Adriano Pegoretti, vice-presidente; ⁠Ana Maria Pimassoni Pegoretti, secretaria; ⁠Lúcia Helena Sagrillo Pimassoni, tesoureira; ⁠Adermival Postay, presidente e ⁠Carlos Eduardo Zatta; conselheiro fiscal. Com aporte de R$ 12 mil da 3ª Chamada do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba, associação de Pedro Palácios profissionaliza produção artesanal para atender o turismo local. (Foto: Divulgação)
Terceiro Setor
Por: José Salucci – Jornalista

O Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), mecanismo estratégico de fomento à transformação territorial, consolidou, em janeiro de 2026, o resultado de sua 3ª Chamada Pública. Realizada pela Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo (Fundaes), a iniciativa selecionou 13 projetos de impacto social, entre eles a Associação de Pequenos Produtores Familiares de Pedro Palácios (A3P).

Segundo o presidente da Fundaes, Robson Melo, cada projeto contemplado receberá valor variável, conforme sua prórpira demanda; as iniciativas vão de inclusão digital, sustentabilidade a empreendedorismo feminino, na Grande Vitória, Colatina e Ibiraçu.

Como parte do compromisso com a transparência e a valorização do ecossistema social capixaba, o Merkato inicia hoje uma série especial de reportagens. Ao longo das próximas semanas, apresentaremos o perfil e o potencial de transformação de cada um dos 13 projetos selecionados nesta edição do FIC.

Do agronegócio à economia criativa: a trajetória da A3P

Fundada em 2007 em Ibiraçu, a Associação de Pequenos Produtores Familiares de Pedro Palácios (A3P) nasceu com o foco estrito na agricultura. Entretanto, em 2013, um movimento de renovação na governança da entidade ampliou os horizontes da organização.

“Com a eleição da nova diretoria, elaboramos um Regimento Interno e, a partir dali, estruturamos o grupo de artesanato”, explica Ana Maria Pegoretti, secretária da associação e uma das lideranças à frente do projeto.

O amadurecimento do grupo veio acompanhado de parcerias estratégicas. Com o suporte do SENAR e, posteriormente, da Fundação Vale e Instituto CREARE, a associação passou por um processo de incubação. O resultado foi o nascimento do grupo Maria Arteira, que hoje transforma fibras naturais, feltro e bordados em produtos de alto valor agregado.

Produtos da A3P. (Foto: Divulgação)

Inclusão social e o “gargalo” do Turismo

O projeto selecionado pelo FIC visa resolver um desafio logístico e econômico: preparar a comunidade para o fluxo turístico gerado pelo Grande Buda de Ibiraçu. A meta é profissionalizar a oferta de produtos locais para o novo distrito turístico de Pedro Palácios.

“Nosso objetivo é promover a inclusão social e a geração de renda através de oficinas de artesanato, resgatando saberes tradicionais e atuais da comunidade para estarmos aptos a atender o distrito turístico que está sendo fundado”, destaca Ana Maria.

Mesmo diante dos desafios da pandemia — período em que o grupo demonstrou resiliência ao confeccionar cerca de 22 mil máscaras para instituições, onde o Instituto Asta recebeu 4.500 e os Amigos da Justiça receberam 17.550, as quais foram repassadas para o poder público — o foco agora é a escala e a sofisticação da produção.

O FIC como divisor de águas

Atualmente, a A3P beneficia 50 famílias de agricultores, sendo que o núcleo de artesanato é composto diretamente por cinco mulheres que lideram a frente de economia criativa. Para a associação, o aporte do FIC, no valor de R$ 12 mil, não é apenas um subsídio, mas uma ferramenta de profissionalização que a entidade não conseguiria custear sozinha.

“Não seria possível tirar o projeto do papel agora, pois o caixa da agricultura não interfere no artesanato. É um trabalho apoiado pela associação, mas independente. O FIC é, sim, um divisor de águas. Sem ele, seria impossível bancar os custos de capacitação e produção”, afirma a secretária.

Sentimento de gratidão e visão de futuro

A aprovação no rigoroso processo seletivo da Fundaes trouxe uma nova injeção de ânimo para a comunidade de Pedro Palácios. De acordo com a liderança, o sentimento é de validação técnica e esperança. “Foi de muita alegria. Quando a notícia chegou, sentimos gratidão e a certeza de que daremos continuidade aos nossos projetos”, conclui Ana Maria.

Produtos da A3P. (Foto: Divulgação)

Parcerias de impacto: o exemplo da Vale

A viabilidade financeira desta edição do FIC contou com um reforço institucional de peso. A Vale aportou R$ 120 mil como patrocínio direto, estabelecendo um modelo de investimento social privado que a Fundaes busca replicar com outras corporações e doadores individuais, fortalecendo a capilaridade dos projetos sociais no Espírito Santo.

Produtos da A3P. (Foto: Divulgação)
Produtos da A3P. (Foto: Divulgação)
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