Coluna Polítikus
Por: José Salucci – Jornalista
Na Serra, quem tem pressa de veranear, parece que está aceitando mergulhar no que não deve. O fenômeno ocorrido entre a última sexta-feira (09) e essa quinta (15), merece um estudo aprofundado da Secretaria de Meio Ambiente (Semma). Afinal, como explicar que 16 pontos impróprios — mais de 60% do nosso litoral — transformaram-se, num passe de mágica administrativo, em 21 pontos liberados para o banho?
A cidade com o maior PIB do ES, como sempre gosta de ufanar em seus discursos, o prefeito Weverson Meireles, (PDT), além de possuir 120 mil habitantes na linha da pobreza, tem suas praias todas cagadas. Perdão pela palavra. Aqui, é a Coluna Poítikus, cabe uma conotação verbal ‘humor-odorística’.
Bom, eu nunca ouvi falar que há descarga no mar. A lá de casa sempre foi boa, mas com certeza, a do Executivo é melhor. O mau cheiro que exala da balneabilidade serrana não vem apenas dos esgotos. Há um odor persistente de “estranheza” no ar. Enquanto a população ainda tentava entender o risco à saúde na semana anterior, eis que surge uma matéria em um veículo de comunicação local — daqueles que parecem ter o teclado higienizado com água sanitária para não sujar a imagem da Prefeitura — anunciando a “redenção das águas”.
A rapidez da despoluição é tão impressionante que surge a dúvida: será que a Prefeitura de Serra despejou um carregamento industrial de bicarbonato e vinagre no mar durante a madrugada? Ou talvez, Jesus caminhou sobre elas, chamando seus discípulos para ter com ele? Nessa aí, Pedro não iria se afundar. Bom, não sabemos. Mas, podemos sentir o cheiro ‘de merda’ no ar. Como dizem os internautas mais astutos nos comentários nas redes sociais: “O Pix caiu, a água clareou”.
A Cesan, claro, é a dona da “obra” (com o perdão do trocadilho) no que tange ao esgoto. Mas a Prefeitura, que assina as análises, parece estar jogando com a sorte — e com o sistema digestivo do cidadão. É a política da “limpeza por conveniência”.
Enquanto a gestão municipal e suas secretarias fazem “cagadas” administrativas na condução do saneamento, a imprensa oficialista se encarrega de passar o papel higiênico, publicando tabelas que desafiam as leis da biologia marinha. Manguinhos, Lagoa de Carapebus e o Rio Reis Magos ainda resistem à “maquiagem”, mantendo o selo de impróprios, mas o restante virou, da noite para o dia, um Caribe capixaba.
O problema é que o turismo não se sustenta com planilhas otimistas. O turismo é a pasta do bem-estar. Uma cidade que oferta praias contaminadas vende, na verdade, um pacote de riscos à saúde pública. O impacto econômico é devastador: o turista que se banha no esgoto, hoje, é o mesmo que não volta amanhã, que não consome no quiosque e que espalha a má fama da cidade.
A Serra tem potencial para ser a joia do litoral capixaba, mas enquanto a gestão preferir “limpar as cagadas” por meio de matérias supostamente democráticas por sua “assessoria de imprensa”, se faz necessário um investimento colossal em saneamento, maior do que um cocô de dinossauro. Se nossas autoridades políticas e a Sesan continuarem cuidando das praias de Serra como se fosse uma privada, o único título que nos restará será o de: ‘Marcagado’. No fim das contas, o povo serrano e os turistas não querem o milagre da quinta-feira; querem apenas poder dar um mergulho no mar, sem ter que levar um desinfetante às praias, correndo o risco de saírem com cheiro de cocô na pele.
*O texto é de livre pensamento do colunista*





