Desenvolvimento econômico: qual o Brasil que queremos?

(Imagem: Google)
Coluna Criativos
Por: Samuel J. Messias – Consultor Empresarial

O debate sobre o desenvolvimento econômico do Brasil transcende a mera análise de indicadores de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Envolve, fundamentalmente, a construção de uma visão de futuro para o país, um projeto de nação que responda à pergunta: qual o Brasil que queremos? Atualmente, o Brasil se encontra em uma encruzilhada, classificado como um país de renda média, mas preso em uma trajetória de baixo crescimento e profundas desigualdades. Superar essa condição e alcançar um patamar de desenvolvimento sustentável e inclusivo é o desafio central da nossa geração.

A análise da economia brasileira revela uma série de entraves estruturais que limitam seu potencial. Um dos mais significativos é a baixa produtividade. Dados indicam que um trabalhador brasileiro produz, em média, apenas 20% do que um trabalhador norte-americano produz, uma deterioração em relação aos 40% registrados na década de 1980. Essa ineficiência produtiva é um sintoma de problemas mais profundos, que vão desde a qualidade da educação até o ambiente de negócios.

O sistema educacional brasileiro, apesar de ter avançado na universalização do acesso, ainda falha em oferecer uma formação de qualidade. O desempenho do país em avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), evidencia essa lacuna, com o Brasil ocupando posições modestas em leitura, matemática e ciências. Uma força de trabalho com baixa qualificação se traduz em menor capacidade de inovação e adaptação às novas tecnologias, perpetuando um ciclo de baixa produtividade e baixos salários.

Outro obstáculo crítico é o chamado “Custo Brasil”, um conjunto de fatores que encarecem o investimento e a produção no país. Isso inclui um sistema tributário complexo e oneroso, uma burocracia excessiva, e uma infraestrutura deficiente. A economia brasileira é notavelmente fechada e pouco integrada às cadeias globais de valor, o que a distância das melhores práticas e tecnologias disponíveis no mercado internacional. Essa falta de competitividade externa e interna limita o crescimento das empresas e a geração de empregos de qualidade.

Adicionalmente, o Brasil enfrenta um sério desafio fiscal. A dívida pública elevada, com projeções de ultrapassar 100% do PIB na próxima década, pressiona as contas públicas e eleva a percepção de risco. Isso resulta em taxas de juros mais altas, que desestimulam o investimento privado e o consumo das famílias. O orçamento público, por sua vez, é caracterizado por uma alta rigidez, com grande parte das despesas sendo obrigatórias, o que limita a capacidade do governo de investir em áreas estratégicas para o desenvolvimento.

Diante desse diagnóstico, a construção do Brasil que queremos exige uma agenda de reformas estruturais ambiciosa e de longo prazo. A visão de um futuro próspero passa, necessariamente, por um modelo de desenvolvimento que seja sustentável e inclusivo, capaz de gerar oportunidades para todos os brasileiros. O documento “Visão Brasil 2050”, por exemplo, aponta para a necessidade de alinhar o crescimento econômico com a sustentabilidade ambiental, aproveitando o vasto capital natural do país de forma inteligente e responsável.

A transformação digital emerge como um vetor fundamental para impulsionar a produtividade e a competitividade da economia brasileira. A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção de novas tecnologias em escala global, e o Brasil precisa se inserir nesse movimento para não aprofundar seu atraso. Isso requer investimentos em infraestrutura digital, capacitação da força de trabalho e um ambiente regulatório que fomente a inovação.

No campo da sustentabilidade, o Brasil possui uma oportunidade única de liderar a transição para uma economia de baixo carbono. A exploração sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento de energias renováveis e a implementação de uma agricultura regenerativa são caminhos promissores para gerar riqueza e, ao mesmo tempo, conservar o meio ambiente. Políticas que promovam a exploração sustentável do capital natural podem mitigar os custos sociais das reformas necessárias e elevar o padrão de vida em todo o país.

Para que essa visão se concretize, é imprescindível enfrentar os desafios da educação, da abertura econômica e da responsabilidade fiscal. Uma reforma educacional profunda, que priorize a qualidade do ensino básico e a formação de professores, é a base para a construção de uma sociedade mais justa e produtiva. A simplificação do sistema tributário, a redução da burocracia e a maior integração com o mercado global são essenciais para destravar o potencial do setor privado.

Conclusão

A pergunta que intitulo neste artigo ,qual o Brasil que queremos? Não é meramente retórica. Ela reflete uma escolha fundamental que a sociedade brasileira precisa fazer neste momento crítico de sua história econômica. O Brasil que queremos é aquele que transcende a armadilha da renda média, transformando-se em uma economia desenvolvida, sustentável e inclusiva, capaz de oferecer oportunidades genuínas para todos os seus cidadãos.

Os desafios estruturais identificados ao longo deste artigo : baixa produtividade, qualidade educacional insuficiente, economia fechada, desequilíbrio fiscal e infraestrutura deficiente não são obstáculos intransponíveis. Pelo contrário, eles representam uma agenda clara de transformação. Países como a Coreia do Sul, que universalizou o ensino nos anos 1960 e hoje é uma economia rica e inovadora, demonstram que mudanças profundas são possíveis quando há vontade política e comprometimento social. O Brasil possui recursos, talento e potencial para trilhar um caminho semelhante.

 A transformação que o Brasil necessita repousa em três pilares fundamentais. Primeiro, a educação de qualidade, que é o alicerce de toda a mobilidade social e produtividade econômica. Segundo, a abertura econômica e a integração às cadeias globais de valor, que permitirão ao país acessar tecnologias de ponta e mercados internacionais. Terceiro, a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade ambiental, que garantirão a viabilidade econômica de longo prazo e a preservação do capital natural que é patrimônio de todos os brasileiros.

 A transformação digital não é um luxo, mas uma necessidade urgente. A inteligência artificial, a automação e as novas tecnologias estão redefinindo a economia global, e o Brasil não pode ficar para trás. Investimentos em infraestrutura digital, capacitação profissional e um ambiente regulatório favorável à inovação são imperativos para que o país acompanhe essa revolução tecnológica.

 Ao mesmo tempo, o Brasil tem uma oportunidade única de liderar a transição global para uma economia de baixo carbono. Com sua vasta biodiversidade, recursos hídricos abundantes e potencial em energias renováveis, o país pode se posicionar como protagonista na economia verde, gerando riqueza enquanto protege o meio ambiente. Essa não é uma escolha entre desenvolvimento e sustentabilidade, mas a compreensão de que o desenvolvimento verdadeiro é aquele que é sustentável.

 A construção do Brasil que queremos exige um pacto social abrangente. Governo, setor privado, academia, organizações da sociedade civil e cidadãos precisam convergir em torno de uma visão compartilhada de futuro. As reformas necessárias, educacional, tributária, administrativa, fiscal ,são complexas e exigem sacrifícios de curto prazo em benefício de ganhos de longo prazo. Mas a alternativa — a perpetuação do status quo — é ainda mais custosa, condenando gerações futuras a um Brasil de oportunidades limitadas e potencial não realizado.

 Em última análise, o Brasil que queremos é um projeto coletivo, um compromisso com as gerações presentes e futuras. Não é um destino inevitável, mas uma escolha consciente de qual caminho trilhar. Os desafios são reais, mas também o são as oportunidades. O momento para agir é agora, e a responsabilidade de construir esse futuro melhor recai sobre todos nós.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
Samuel J. Messias – *Reside em Vitória/ES *Consultor Empresarial *MBA em Estratégia Empresarial *Bacharel em Ciências Contábeis *Me. em Educação ( Florida University- USA). (Foto: Divulgação)
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