FIC: “Projeto Origens do Cuidar” une gastronomia e artesanato para apoiar famílias em Boa Vista

Selecionado pelo Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), projeto foca no uso da banana como insumo para a independência financeira de mulheres. (Foto: Divulgação)
Terceiro Setor
Por: José Salucci – Jornalista

A consolidação da 3ª Chamada Pública do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), realizada pela Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo (Fundaes), segue revelando iniciativas que respiram transformação territorial. Ao todo, 13 projetos foram selecionados em cidades como Colatina, Ibiraçu e na Grande Vitória. Como parte do compromisso com a transparência e o desenvolvimento do Terceiro Setor, o Merkato continua sua série especial de reportagens apresentando os selecionados. O destaque de hoje é o Projeto Origens do Cuidar, que atua no bairro Boa Vista, em Cariacica, e recebeu um aporte de R$ 5.100 para impulsionar suas atividades.

Como tudo começou:  ADESC

O “Origens do Cuidar” – que representa o retorno à terra, às raízes, e ao ponto a onde a vida começa: o lar e o cuidar materno – não nasce de forma isolada; ele é fruto do amadurecimento da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social Mulher que Lidera (ADESC).

A OSC, que hoje conta com mais de 600 mulheres cadastradas e seis projetos fixos, nasceu da escuta clínica e empática da psicanalista Emili Rosiele de Souza. “A ADESC nasceu da vontade de fazer mais. No consultório, atendia mulheres de diferentes classes, mas com uma dor comum: a dependência financeira”, relembra Emili. O que começou como um trabalho voluntário em 2021, transformou-se em uma estrutura sólida de fomento à autonomia feminina.

Com a efetividade do trabalho na OSC, houve expansão de ideias, assim, dentro da ADESC passou a funcionar o “Projeto Origens do Cuidar”, que conta com o trabalho de três idealizadoras: Emili; a advogada Bertha Paigel e a psicanalista Ana Paula Soares.

Reunião da ADESC – Mulher que Lidera. (Foto: Divulgação)

Escuta territorial

O olhar para o bairro Boa Vista, Cariacica, surgiu de uma necessidade específica detectada em Novo Brasil. Ao perceberem que mães de crianças atípicas em áreas rurais estavam desassistidas, as idealizadoras foram a campo.

“Entendemos que, ali, existia uma realidade desafiadora, mas também muito talento. Para cuidar dessas crianças, era preciso olhar para a família inteira, especialmente para essas mães, que carregam a sobrecarga do cuidado”, explica a fundadora. Ao observar a abundância de plantações de banana na região, a ADESC enxergou a oportunidade de unir a vocação da terra à geração de renda.

Capacitação e o aporte do FIC

O projeto consiste em oficinas de culinária e artesanato, utilizando a banana como principal insumo. Mais do que ensinar uma técnica, a proposta oferece orientação em precificação e organização de negócios. O diferencial reside no acolhimento: enquanto as mães se capacitam, as crianças recebem atividades e cuidados.

Atualmente em fase de estruturação e levantamento de dados, o projeto usará o recurso do FIC para beneficiar diretamente 20 famílias. “O principal gargalo é a dificuldade dessas mães em acessar o mercado de trabalho devido à dedicação integral aos filhos. O Projeto Origens nasce para conciliar esses mundos”, pontua Emili.

Validação e legitimidade

Para as idealizadoras, a aprovação no edital da Fundaes funciona como um selo de credibilidade para uma instituição que cresceu organicamente. Sem o recurso, a execução seria lenta e incerta.

“O FIC não é um divisor de águas isolado, mas representa o pontapé inicial que permite transformar planejamento em ação. O apoio dá visibilidade, gera confiança e faz com que a própria comunidade passe a acreditar. Com o edital, a iniciativa ganha legitimidade e força para começar”, afirma a psicanalista.

Esforço coletivo

A chegada do primeiro edital financiado foi celebrada como uma vitória da persistência. Para Emili, Bertha e Ana Paula, o sentimento é de validação de uma caminhada feita, até então, à base de parcerias e voluntariado.

“A alegria foi enorme. Sentimos que todo o esforço e a dedicação de anos estavam sendo reconhecidos. Mais do que comemorar, entendemos que esse apoio aumenta nosso compromisso em executar o projeto com seriedade e impacto real”, conclui Emili.

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