Projeto Entre Elas: iniciativa utiliza o aporte do FIC para profissionalizar o empreendedorismo feminino

(Imagem: Divulgação)
Terceiro Setor
Por: José Salucci – Jornalista

Em janeiro de 2026, o ecossistema social capixaba celebrou um novo marco: a consolidação da 3ª Chamada Pública do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC). Realizada pela Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo (Fundaes), a iniciativa selecionou 13 projetos que respiram transformação territorial em cidades como Colatina, Ibiraçu e na Grande Vitória.

Como parte do compromisso com a transparência e o desenvolvimento do Terceiro Setor, o Merkato está produzindo uma série especial de reportagens dos projetos aprovados. Em sequência desta série, o foco de hoje é o projeto “Entre Elas”, sediado na Serra, que recebeu um aporte de R$ 5.100,00 para impulsionar suas demandas.

Atualmente, a iniciativa atende diretamente 45 mulheres dos bairros Vila Nova de Colares, Das Laranjeiras, Taquara I e Nova Almeida. São empreendedoras que buscam, mais do que técnica, uma rede de acolhimento. A fundadora e assistente social, Lúcia Helena destaca que o suporte digital foi a chave para manter o propósito vivo:

“Mesmo após o encerramento das oficinas presenciais, o vínculo com esse grupo foi mantido por meio de grupos de WhatsApp, fortalecendo a rede de apoio, troca de experiências e acompanhamento contínuo das empreendedoras.”

“Esse percurso foi marcado por intensa escuta, conexão e observação das dificuldades enfrentadas tanto por empreendedoras quanto por instituições sociais”, disse Lúcia Helena. (Foto: Divulgação)

O “Entre Elas” não surgiu do acaso; ele é o amadurecimento de uma década de atuação de Lúcia Helena no Terceiro Setor. A trajetória foi construída a partir da observação empírica de que o empreendedorismo feminino exige um olhar que vai além de uma ação pontual do lucro. A iniciativa ganhou corpo em 2025, após oficinas de mentoria realizadas em parceria com uma instituição de Curitiba, onde ficou claro que os desafios das mulheres capixabas eram sistêmicos.

Lúcia narra que as dificuldades apresentadas nos encontros semanais eram recorrentes e profundas, exigindo uma abordagem sistêmica.

“Nos encontros semanais, especialmente nas oficinas de empreendedorismo e negócios, tornou-se evidente que as dificuldades apresentadas se repetiam e que ações pontuais, não conseguiam alcançar a essência do problema”, completou.

(Foto: Divulgação)

“Questões sociais e emocionais são indissociáveis, sobretudo no contexto feminino, em que a trajetória de vida é frequentemente atravessada por histórias de dor, rejeição, violência, disputas e julgamentos”, disse Lúcia Helena.

Para que o projeto se efetivasse, foi necessário compreender que a insegurança técnica das empreendedoras estava atrelada a fragilidades emocionais, que perpassa as questões sociais. “O Entre Elas faz com que caminhemos juntas construindo, de forma coletiva, ações e estratégias que promovam o aumento da renda, entendendo que para o negócio prosperar, a mulher precisa estar fortalecida”, pontuou a assistente social.

Com o recurso obtido através do edital do FIC, o projeto dará um passo burocrático, porém vital: a formalização jurídica (CNPJ). Esse “RG” institucional permitirá que o projeto acesse novas fontes de financiamento e firme parcerias governamentais, ampliando o impacto social na Serra. Lúcia projeta um futuro de autonomia:

“O impacto social esperado e o fortalecimento dos negócios das participantes, com aumento de lucratividade, maior segurança financeira e acesso a uma estrutura de apoio contínua, possibilitando que essas mulheres construam trajetórias mais estáveis, autônomas e sustentáveis no empreendedorismo.”

“O aporte do FIC foi decisivo ao trazer agilidade, viabilidade e segurança ao processo. Esse apoio representou um verdadeiro divisor de águas”, disse Lúcia Helena.

A proposta aprovada pelo FIC foca justamente no maior “gargalo” da comunidade: a falta de conexão entre a capacitação profissional e o suporte emocional. Ao estruturar a base formal do projeto, o Fundo permite que a equipe saia da informalidade para a profissionalização fortalecendo a sustentabilidade do projeto.

Segundo a idealizadora do projeto, a equipe do “Entre Elas”, acredita que, a seleção no edital serviu como um selo de qualidade e um combustível moral. Lúcia conclui reforçando o sentimento de dever cumprido e a esperança no trabalho coletivo:

“A aprovação do projeto trouxe à equipe um profundo sentimento de validação e responsabilidade. Representou a confirmação de que a seriedade, a coerência e a verdade, que sustentam a essência do trabalho, foram reconhecidas por um rigoroso crivo técnico”, desta Lúcia Helena. E ainda enfatiza. “Acreditamos na força do coletivo, no alinhamento entre propósito e ação e na convicção de que, quando cada um ocupa o seu lugar, os processos fluem com mais clareza.”

(Foto: Divulgação)

Parcerias de impacto: o exemplo da Vale

A viabilidade desta edição do FIC é fruto de uma união de forças. A mineradora Vale aportou R$ 120 mil como patrocínio direto, consolidando um modelo de investimento social privado que a Fundaes busca replicar. Essa sinergia entre grandes corporações e projetos locais é o que garante a capilaridade das ações sociais em todo o Espírito Santo.

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