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21 de fevereiro de 2024

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A menina e o baú

(Imagem: Getty Images/iStockphoto)

Invista no Jornal Merkato! – Pix: 47.964.551/0001-39.


Por Sueli Valiato – professora de Língua Portuguesa e Literatura.

Era uma vez uma menina, que assim como todas gostavam de saltar, brincar, correr, sonhar e ser feliz. Certo dia, enquanto brincava, encontrou um mapa que a levaria a um tesouro. Ela guardou consigo aquele mapa, até que chegou a hora de sair à procura de seu sonhado tesouro.

A menina saiu com as ferramentas necessárias e começou a sua escavação. Passou anos cavando um túnel em busca de seu tesouro. Tinha muitas pedras no caminho, mas ela era persistente, prosseguia abrindo o caminho com muito esforço. Foram anos de escavação, até que um dia avistou algo reluzente e pensou:

-Finalmente encontrei o meu tesouro!

Pobre menina… Encontrou um baú lacrado e ela não tinha a chave dele. Tentou abri-lo de várias formas. Quando viu que estava gastando muito tempo, decidiu carregá-lo fechado mesmo. O baú ficava cada vez mais pesado, à medida que o tempo passava.

O tempo passava e a angustia de ver o seu tesouro só aumentava. Pensou em arrombá-lo, mas percebeu que isso danificaria a integridade física do baú. Quando enfim, conseguiu abrir o baú, foi surpreendida por algo que não esperava.  Aquele não era o baú de seu tesouro. O tesouro que imaginava receber não estava lá! E olhando o baú, com enorme sentimento de vazio, pensava:

– Como pude acreditar que existem tesouros em baús?…

Sentindo-se fracassada, uma perfeita idiota, lamentava-se pelo esforço desperdiçado, pelo sacrifício desprendido, pelo tempo que gastou na busca de um tesouro que inexistia…

Durante muito tempo questionava-se:

– Mas o mapa parecia ser tão verdadeiro, tão bem traçado, colorido! Tudo bem que às vezes, o que estava escrito não era muito condizente com o que eu encontrara em vários pontos da escavação. É certo, que quando isso ocorria eu improvisava, ousava alterações no trajeto, para facilitar, desviando-me um pouquinho, ou até muito, para ver se chegava mais rápido ao meu tesouro…

Ela sentada sobre o baú, pegava o mapa e o olhava criteriosamente, balbuciando:

­- Talvez esses desvios tenham me tirado de rota traçada para o caminho correto… É, inclusive, aqui no mapa não há sinalização para existência de rochedos… Ufa!

E olhando para aquele baú cheio de coisa que não lhe servia, pensou que talvez tivesse sido melhor desistir dessa ideia, assim que surgiu o primeiro rochedo. Entretanto, convencia-se de que se não tivesse feito o que fez,  ficaria sempre com a dúvida e a culpa de não ter lutado o suficiente para ter o seu tão sonhado tesouro.

O tempo passou e a menina percebeu que sua luta não foi em vão, uma vez que aprendeu muito nesse percurso. Compreendeu, também, que foi importante retirar o baú das profundezas da terra, mesmo não tendo encontrado nele o que procurava, pois  havia naquele baú milhares de coisas que poderiam servir a outras pessoas.

A menina, apesar de ter encontrado o baú, não tinha por ele sentimento de posse, nem revolta. Afinal, o baú não tinha culpa de não conter o que ela procurava.  Às vezes, tinha vontade de deixá-lo onde estava, mas ficava com pena, ele era tão lindo e valioso.

Depois de abundantes interrogações, passou apreciar, a remexer tudo que estava no interior do baú e tamanha foi a sua surpresa! Lá estava um troféu destinado a quem encontrasse o baú, com os dizeres: “Tu és o maior tesouro que podes ter”.

Ao ler isso, a menina-mulher sentiu-se vitoriosa, percebeu que sua busca não foi inútil. Pois o sonho, o desejo de encontrar o tesouro a fez mais mulher, motivando a desafiar-se, ousar, lutar, superar-se. Mesmo em meio a tanto cansaço, sentiu-se tranquila, com a certeza de que sua missão com aquele baú estava cumprida e, debruçada sobre o baú murmurou:

– Vou te deixar aqui… Muito agradecida! Contigo aprendi que o tesouro mais valioso está dentro de mim. Não está aprisionado, lacrado, à espera de alguém que o descubra, que o abra, que o carregue, que o resgate de seu anonimato. Agora eu sei sou um baú cheio de valiosos tesouros.

E dizendo isso, a menina-mulher seguiu o seu caminho…

*O texto é de livre pensamento da colunista*


Invista no Jornal Merkato! – Pix: 47.964.551/0001-39.

Sueli ValiatoGraduada em Letras – Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa, pela UFES; pós-graduada em Educação do Campo pela FANORTE; professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II, no CEFFA de Japira, em Jaguaré-ES, integrante da Coordenação Geral e da Coordenação de Plano de Curso da RACEFFAES. / Foto: Divulgação.

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