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Comunicação Comunitária: um instrumento político no Terceiro Setor

A comunicação popular surgiu no fim do século XIX, mas sua relevância foi acentuada nos anos de 1970 com os movimentos populares no Brasil e em toda América Latina, com características de luta contra as ditaduras.

De acordo com os avanços nos processos tecnológicos e de informação presentes na sociedade, o nome “popular” foi reinventado. Ela pode se chamar Comunicação Comunitária, Popular, Dialógica, Participativa ou Comunicação Alternativa, dependendo do espaço social que estiver inserida.

Sendo assim, em sua origem, as abordagens eram de favorecimento e auto emancipação do indivíduo e contribuição para o desenvolvimento democrático de classes empobrecidas.

O estudo da comunicação popular redefiniu o próprio conceito de popular, superando a versão populista e idealista, para quem povo é consciência de classe em oposição à massa despolitizada. De acordo com (PERUZZO, 1998, p. 135) a Comunicação Popular tem por base suas características,

“Está nas mãos de instituições sem fins lucrativos e de movimentos sociais; emitida a partir dos anseios das classes subalternas; mobiliza e organiza o povo em torno de seus interesses; sustenta a existência de conflitos entre classes sociais; politiza a comunidade; propicia o diálogo e a participação no que diz respeito às decisões; é economicamente instável; tem um raio de ação limitado” […]. (PERUZZO)

A Comunicação Popular não é criada pela grande imprensa, ou, por grupos hegemônicos. Ela tem por natureza a criatividade dos movimentos sociais. Ali que ela nasce. Por isso, não se pode marginalizar guetos, grupos sociais de baixo poder aquisitivo. Sua linguagem é peculiar ao modo de expressão de sua realidade, não pode ser vista como uma espécie de empobrecimento cultural, mas sim como linguagem de pertencimento a um determinado grupo social.

Quando tratamos a Comunicação Comunitária, no sentido de alternativa, falamos de uma outra possibilidade de se fazer democracia.  Conforme Miani (2011, p.221), a comunicação comunitária “é considerada, em tempos de globalização, uma importante alternativa para se contrapor ao monopólio midiático imposto pelas grandes corporações nacionais e internacionais de comunicação”.

Desse modo, compreende-se que a proposta da comunicação comunitária não é formar grupos homogêneos, ou, padronizá-los a um sistema já predominante. Antes, seu papel é simplesmente dar ouvido a voz dessa comunidade. Saber seus anseios, interesses, compreender sua linguagem. Comunitária, porque é popular, pertencente a uma categoria, ela é única. Nessa configuração, a comunicação comunitária é um instrumento de formação político-social no ambiente do Terceiro Setor.

A Comunicação Comunitária passa por outra interpretação ou por mais um apelido “popular”. Peruzzo (1998) fala das três correntes em estudo, sobre o popular. A primeira delas é o popular-folclórico, que se dá nas expressões culturais tradicionais do povo. A segunda é o popular-massivo, aquele que gira em torno da indústria cultural e a terceira corrente, que aborda a fala do popular alternativo, em que mais se aproxima de uma comunicação popular libertadora, que luta por ideais democráticos contra uma ditadura política, que manipula a informação.

Diante dessas definições de “popular” é compreensível afirmarmos que não há um consenso na definição de Comunicação Comunitária. Segundo Peruzzo (1998, p.117) povo, neste sentido “é todo um conjunto lutando contra algo e a favor de algo, com vistas aos interesses da maioria”. Porém, suas raízes emergem do Terceiro Setor.

Dessa forma, toda comunidade precisa de seu “povo”. De revelar suas verdadeiras raízes, e não se sujeitar a uma evangelização de informação vinda de outra esfera.

Entender comunicação popular não é defini-la, mas participar desse movimento constante, onde tabus são quebrados. O povo cria. Ele é o verdadeiro protagonista, porque essa comunicação é medida de acordo com a realidade, uma comunicação horizontal, altamente democrática.

Nesse sentido, Bauman (2001), fala sobre o evangelho comunitário ser algo genuíno, uma espécie de porto seguro para quem vive numa realidade oposta a elite. Este seio comunitário aproxima-se dos valores humanos, sendo porta-voz de milhões. Entende-se a partir disso que é nesse cenário que o agente Terceiro Setor se torna um instrumento político de manifestação comunicacional legítima, precisa e oportuna para o estabelecimento de direitos sociais diante de todo o organismo civil.


José Salucci – *Jornalista,*Pós-Graduando em “Gestão em Organizações do Terceiro Setor e Projetos Sociais”. Possui experiência no Terceiro Setor, atuando com trabalhos de assessoria de comunicação, jornalismo comunitário, educação e voluntariado.

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