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O conceito de “Qualidade” no Terceiro Setor

(Imagem: Ampliar)

Invista no Jornal Merkato! – Pix: 47.964.551/0001-3


Coluna Terceira Voz 

Por José Salucci – Jornalista e Pós-Graduado em “Gestão em Organizações do Terceiro Setor e Projetos Sociais”.

O conceito de ‘Qualidade’ no Terceiro Setor recebe influência das análises do conceituais de ‘Qualidade’ do Primeiro e Segundo setores. A proposta deste texto é observar, de forma simplista, como se dá a avaliação da qualidade do serviço realizado por uma OSC – Organização da Sociedade Civil -.

Para isso, de forma breve, citarei como é visto ‘Qualidade’ nos dois primeiros setores e, logo depois simplificarei o conceito na esfera do Terceiro Setor.

Nesta ocasião, escolhi  quatro OSCs, situadas na Grande Vitória, para exemplificar o diálogo entre teoria e prática, são elas: Sons da Esperança, Montanha da Esperança, Instituto Saber e Casa de Rabisco.

No Primeiro Setor, o conceito de ‘Qualidade’ está vinculado ao funcionamento da democracia, sua efetividade em relação aos serviços que os Governos prestam à sociedade, de acordo com os parâmetros constitucionais.

Nas instituições públicas, a qualidade não é afetada pela competitividade. Órgãos fiscalizadores das esferas municipais, estaduais e federais, juntamente com os grupos de pressão social, são atores importantes, os quais sinalizam os contentamentos e descontentamentos dos serviços públicos prestados pelo Estado, sendo recebidos a toda esfera da sociedade, sendo assim, o Governo recebe sua ‘nota de qualidade’.

No Segundo Setor, pode-se observar, que: qualidade está ligado a competitividade. Nesse quesito, entra o parâmetro da oferta e da procura. Quem opina ou classifica a qualidade dos serviços e produtos das empresas são os consumidores.

Absorvendo influências desses dois setores citados acima, a promoção e análise de qualidade das práticas de serviços do Terceiro Setor sofrem contornos teóricos semelhantes, mas há diferenças, de acordo com (HECKERT; SILVA, 2008).

Se comparamos o Terceiro com o Segundo setor, não há competitividade explícita, porque não existe relação de mercado, mas há, sim, uma competitividade implícita entre os objetivos das OSCs. Elas planejam aprovações em editais do Governo (municipal, estadual e federal), editais do setor privado e de alcançar doadores, àqueles civis que chamo de pessoa física.

Se a medida de ‘Qualidade’ no Terceiro Setor não se dá por competitividade direta, então quem valida os serviços de uma OSC? Quem valida essa qualidade são os stakeholders – pessoas ou instituições que recebem diretamente as ações das OSCs -. Nesse contexto, os teóricos resumem que a Qualidade é avaliada segundo as trocas estabelecidas entre organização e comunidade.

Conforme Heckert e Silva (2008), citado pela Dra. em Sociologia, Aline Michele Augustinho, a qualidade figura entre os quatro  princípios que envolve uma adequada gestão organizacional para uma organização do Terceiro Setor. Para a docente, os quatro princípios deveriam atuar em conjunto, e não isoladamente.

Na Transparência, o conceito visa prestar contas no que diz respeito as ações efetuadas pela OSC: seus projetos, recursos financeiros e recursos humanos. Na Sustentabilidade, trata-se da permanência do campo de atuação da OSC e equilíbrio entre o recurso financeiro com o recurso humano. Do que se entende de Qualidade, seria a eficiência de alcançar os objetivos, segundo os recursos disponíveis. E por fim, a Articulação, que é a capacidade de vincular o projeto a outras organizações da sociedade civil para um objetivo ou para a disponibilização para atuação, ou seja, auxiliar outros projetos que contemplam causas diferentes.

Outra contrapartida de medir a qualidade de uma OSC se dá na avaliação que os stakeholders efetuam sobre a OSC, podendo ter expectativas excedidas, atendidas ou não atendidas por parte do projeto social.

Para exemplificar as bases teóricas, escolhi quatro OSCs que são efetivas em seus planos de ação. Tenho o conhecimento dos trabalhos de todas elas, seja por visitação, por produção de reportagem, aqui, no Merkato ou até mesmo por meio do voluntariado. Dentre as 04 quatro citadas, três o Merkato já presta consultoria de comunicação.

Anderson de Almeida Santos – CEO – @vitoriaplacasoficial

Sons da Esperança

A primeira Organização da Sociedade Civil que chamo atenção é o Projeto Sons da Esperança, que milita na causa cultural. Oferece o serviço de música para crianças e adolescentes no bairro Feu Rosa, em Serra-ES. O projeto social realiza sua atividade nas dependências da Escola Feu Rosa, tendo como coordenadora Geral a professora Glória Maria Saloto, que é fundadora.

Há 16 anos, o PSE atua de forma efetiva na comunidade de Feu Rosa e bairros adjacentes. Durante esse processo de trabalho, mais de 1.000 beneficiários já puderam receber uma ação socioeducativa através da música.

Entre características do conceito de ‘Qualidade’ abordado no texto, o projeto se destaca em ter transparência dos recursos financeiros que recebe de seus patrocinadores/parceiros/apoiadores e na gestão de recursos humanos. De acordo com a base teórica do texto acima, os stakeholders avaliam o projeto como expectativas excedidas. O motivo, o PSE já aprovou diversos alunos no vestibular da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) e obteve êxito com um aluno destaque: aprovação em um conceituado conservatório de música no estado de São Paulo.

Montanha da Esperança

Uma OSC de muita expressão, em Cariacica-ES, é a Montanha da Esperança. Ela atua com o serviço de empreendedorismo, trabalho e ressocialização. Oferta diversos cursos de capacitação, formação e profissionalização.

Ao todo, em seus 23 anos de trabalho social, a Montanha da Esperança já formou mais de 30 mil alunos (as). Além dos cursos profissionalizantes ofertados à população, a Montanha da Esperança funciona como abrigo; já foram recebidos pelo projeto social pessoas da Grande Vitória e interior do estado do Espírito Santo.

Instituto Saber

O trabalho socioeducativo proposto pelo Instituto Saber, promove a inclusão socioeconômica por meio da economia criativa, na região da Grande São Pedro. O Instituto tem como fundador e presidente, Willian Vieira.

Transformar destinos por meio do conhecimento e capacitação, é pauta fundamental do presidente do Instituto. Formada oficialmente em agosto de 2023, em curto espaço de tempo, a qualidade da OSC é confirmada na parceria que realiza com o Governo do estado do ES. O programa “Qualificar ES” funciona nas dependências do IS, coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), isso é uma junção perfeita de Primeiro e Terceiro setores, com ações efetivas.

Além disso, o IS pratica o voluntariado com atendimento à Pessoas com Deficiência (PCDs) e oportuniza cursos de música, informática e palestras.

Casa de Rabisco

Concluindo a parte prática, amarrada no conceito de ‘Qualidade’ no Terceiro Setor, a Casa de Rabisco, situada na Baixada Alecrim, em Vila Velha-ES, contorna com arte as linhas tortas que por vezes, o neoliberalismo desordena em equidade social.

O espaço cultural promove a inserção cultural em torno de sua comunidade, também agrega valor na profissão dos artistas. O empreendedorismo social da Casa de Rabisco fomenta palestras sobre arte, oficinas de desenho às crianças, exposições de artes, entre outras atividades.

Entre as ações, a Casa de Rabisco desenvolveu o projeto “Muros que mudam o mundo”, idealizado em 2016 pelo artista plástico e produtor Rodolfo Talles Pinheiro Birchler.

O projeto continua e sua proposta é trabalhar uma disputa de imaginário territorial. As zonas de descaso público e dos moradores como a de depredação, o de lixo, uso de pichações de facções… Tudo isso cria um imaginário negativo em locais que sofrem essas ações degradantes pelo ser humano.

O Muros que mudam o mundo” vem com a proposta de ressignificar o imaginário dos bairros com belas artes expostas nos muros das cidades.

Diante dessas ações de qualidade, o Terceiro Setor é um aparelho social efetivo na valorização e integração do ser humano, capaz de trazer equidade socioeconômica. Todas essas OSCs se empenham em produzir qualidade em seus serviços, cada um com a sua causa.

Pode-se chegar à conclusão de que a ideia de ‘Qualidade’ no Terceiro Setor se baseia na percepção e na resposta dos usuários dos serviços, ou seja, das comunidades que recebem a OSC como propulsora de ação social pública. A qualidade também pode ser medida na capacidade de conexão com outra OSC e com projetos do poder público e no bom gerenciamento dos recursos.

*O texto é de livre pensamento do colunista*


Invista no Jornal Merkato! – Pix: 47.964.551/0001-3

José SalucciJornalista e Diretor do Jornal Merkato. / Foto: Thais Gobbo.

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