Coluna Polítikus
Por: Samuel J. Messias – Me. em Educação
O Espírito Santo vive um período de profunda reflexão sobre os rumos de sua história. Olhar para o cenário político capixaba atual exige ir além das siglas partidárias e das pesquisas de intenção de voto. Trata-se de compreender como as engrenagens do poder impactam diretamente a vida de quem acorda cedo nas montanhas do Sul, de quem trabalha no comércio da Grande Vitória ou de quem cultiva a terra no Norte do estado. O momento atual reflete um desejo coletivo por estabilidade, mas que traz consigo a urgência de respostas inovadoras para os desafios sociais, econômicos e climáticos globais.
O Poder Legislativo como escudo e motor do desenvolvimento sustentável
A política muitas vezes é associada apenas à figura do governador. No entanto, o verdadeiro equilíbrio democrático e as transformações mais duradouras nascem nos debates da Assembleia Legislativa (ALES), nas Câmaras Municipais e, fundamentalmente, nas bancadas que representam o estado no Congresso Nacional. Um parlamento comprometido não pode atuar apenas como uma caixa de homologação ou um palanque de disputas ideológicas vazias. O papel do legislador moderno exige foco em propostas reais.
No Espírito Santo, a busca pelo desenvolvimento socioeconômico sustentável deixou de ser uma bandeira acessória para se tornar o eixo central da sobrevivência econômica. O papel fundamental do Parlamento capixaba envolve:
- Estímulo à economia verde: Legislar e fiscalizar incentivos para energias renováveis. O Programa de Geração de Energias Renováveis (GERAR-ES) é um exemplo prático de regulação que atrai investimentos privados sem inflar a máquina pública.
- Justiça socioambiental: Consolidar marcos como a recém-criada Política Estadual de Biodiversidade (PEB). Essas leis protegem as riquezas naturais do estado enquanto criam postos de trabalho e renda no campo.
- Harmonia no debate: Promover a sinergia entre crescimento econômico, preservação ambiental e inclusão social. Esse equilíbrio é a única garantia de que o estado se manterá competitivo a longo prazo.
A importância da continuidade do modelo de gestão
O Espírito Santo é reconhecido nacionalmente como um exemplo de responsabilidade fiscal, transparência e eficiência administrativa. Esse status não foi alcançado por acaso. É o resultado de um modelo de gestão consolidado ao longo de ciclos políticos maduros, focados no planejamento de longo prazo e no respeito às instituições.
Com a transição de lideranças e o início de novos ciclos políticos em 2026, a preservação dessas conquistas tornou-se a prioridade de diferentes setores da sociedade civil e produtiva. O manifesto lançado por entidades do setor produtivo, liderado pela FINDES no âmbito do Ciclo Eleitoral 2026, reforça essa necessidade.
Os fundamentos desse modelo assentam-se em quatro pilares indissociáveis: a responsabilidade fiscal, que confere credibilidade ao estado junto ao mercado; a segurança institucional, que garante previsibilidade nas relações com o setor privado; o planejamento de longo prazo, materializado no Plano ES 500 Anos; e a atração de investimentos privados, tanto nacionais quanto internacionais, que alimenta a geração de empregos e o crescimento da arrecadação.
A continuidade administrativa não significa estagnação ou ausência de autocrítica. Pelo contrário, governar com base em um modelo que funciona assegura a estabilidade para ousar e inovar. Interromper políticas públicas consolidadas por mero capricho eleitoral gera insegurança jurídica, afasta investidores e paralisa obras essenciais para a população. O capixaba entende que o progresso seguro se faz somando forças e aprimorando o que já dá certo, nunca destruindo as fundações da casa para recomeçar do zero.
O impacto direto no cotidiano da população capixaba
As decisões tomadas nos gabinetes do Palácio Anchieta e nas comissões da Assembleia Legislativa refletem diretamente no cotidiano das pessoas. Quando a gestão pública é eficiente e o Legislativo atua com responsabilidade, o impacto social se converte em benefícios práticos:
- Dignidade e inclusão social: Traduz-se em hospitais regionalizados de qualidade e em escolas de tempo integral que preparam a juventude para os empregos do futuro.
- Fortalecimento do interior: Projetos como o Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) reduzem as desigualdades entre a Região Metropolitana e os municípios do interior. Isso garante oportunidades de crescimento de forma integrada em todo o território.
- Segurança pública integrada: Políticas de proteção social aliadas à tecnologia geram um ambiente seguro para viver e investir.
Fortalecimento dos Municípios: O avanço em índices ambientais nacionais dá suporte técnico às prefeituras para captação de recursos e melhoria do saneamento básico e da gestão de águas.
A bancada federal capixaba: desafios e perspectivas para 2026
As eleições de 2026 no Espírito Santo apresentam um cenário dinâmico e competitivo, especialmente no que tange à escolha dos representantes do estado no Congresso Nacional. Serão disputadas duas vagas para o Senado Federal e dez cadeiras para a Câmara dos Deputados. A composição da nova bancada federal será determinante para garantir que as pautas estaduais, como a defesa dos portos, da indústria e da infraestrutura tenham força em Brasília.
A disputa pelo Senado
A corrida ao Senado Federal no Espírito Santo tem se destacado por nomes de peso e experiências governativas. Segundo pesquisa recente do Instituto Quaest (julho de 2026), o ex-governador Renato Casagrande (PSB) lidera a intenção de votos em todos os cenários estimulados, consolidando-se como o principal candidato à reeleição para a Casa.
A disputa pela segunda vaga é acirrada e apresenta um leque diversificado de nomes. O ex-governador Paulo Hartung (PSD) e o deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD) dividem o segundo e terceiro lugares, frequentemente em empate técnico. A ex-senadora Rose de Freitas (MDB) também figura entre os principais postulantes.
A renovação e a representação feminina são temas em debate, com candidaturas de mulheres buscando fortalecer a presença no Senado, enquanto figuras como o senador Fabiano Contarato (PT) buscam assegurar a continuidade de suas pautas na Casa. O desafio para a próxima legislatura será equilibrar a experiência de governantes com a necessidade de uma visão técnica e moderna para o estado.
A renovação na Câmara dos Deputados
Na Câmara dos Deputados, a disputa pelas dez cadeiras promete um recorde histórico de parlamentares buscando a reeleição. A atual bancada capixaba tem demonstrado força na defesa de recursos e pautas setoriais, o que motiva a maioria dos deputados federais a buscar a permanência em Brasília.
O cenário inclui desde deputados consolidados, como Amaro Neto (PP), Gilvan da Federal (PL) e Victor Linhalis (PSB), até nomes que representam diversas regiões do estado. O Podemos, por exemplo, alinha uma chapa robusta, visando eleger de dois a três deputados federais, apostando em figuras regionais e novas lideranças, como Guerino Balestrassi, para garantir a representatividade no interior do estado.
A manutenção de uma bancada forte e coesa é essencial para que o Espírito Santo continue atraindo investimentos federais, defendendo pautas ambientais e garantindo a infraestrutura necessária para o seu crescimento contínuo.
O momento político atual do Espírito Santo exige sobriedade e maturidade. A construção de um estado mais justo, próspero e ecologicamente correto depende diretamente de escolhas conscientes nas urnas. Manter o rumo do crescimento estruturado e exigir representantes comprometidos com o futuro sustentável tanto na esfera estadual quanto na federal é o caminho para proteger o maior patrimônio desta terra: o povo capixaba.
*O texto é de livre pensamento do colunista*



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