Setembro Amarelo, não só em setembro

(Imagem: Internet)
Coluna Polítikus/Saúde
Por: Edson Correia de AbreuPsicólogo

O dia 10 de setembro é destacado como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, e o mês de setembro amarelo é usado como um tempo de promoção de ações preventivas para essas tragédias. A cor e o mês são inspirados em um fato ocorrido em 1994, nos EUA, quando um jovem de 17 anos chamado Mike, depois de restaurar o seu Mustang amarelo, sem dar nenhum “sinal”, tirou a própria vida. Desde então, o mês e a data tornaram-se símbolos da luta contra o suicídio.

Essa luta é de todos, pois ninguém está totalmente isento de ter um amigo, conhecido, parente ou até a si mesmo como vítima desse problema. A ideação suicida está amplamente presente na sociedade e já se constitui em uma introdução perigosa à possibilidade do ato. Tentativas ocorrem todos os dias, e eventos trágicos estão nas estatísticas.

Existem mitos sobre o tema que dificultam o enfrentamento da situação, como: “quem fala que vai fazer não faz”, “isso é só para chamar a atenção”, entre outros. Tudo errado, pois qualquer fala no sentido de deixar de existir ou de questionar o valor de viver deve ser considerada e levada a sério. Se a pessoa que fala ou manifesta algo nessa direção possui algum diagnóstico de transtorno mental e já teve alguma tentativa registrada, o cuidado deve ser intenso, pois o nível de risco é elevado e real.

É importante saber que o suicídio é multifatorial. Não há uma causa única, pois existem aspectos sociais, econômicos, biológicos, psicológicos, mentais e contextuais que podem influenciar a incidência maior ou menor desse fato trágico. O “Setembro Amarelo” pode, paradoxalmente, trazer prejuízo à prevenção quando há ênfase excessiva em um período curto. Isso pode expor a sociedade ao fenômeno da simplificação e da banalização desse ato tão devastador.

Devido à complexidade do fato, a informação bem feita e bem colocada é vital. Do contrário, a simplificação ou a promoção de informes que acabam distorcendo, diminuindo ou normalizando esse ato podem cooperar para uma piora dos números, e esses números representam vidas humanas perdidas. Um mês é pouco. A fala, a educação, a prevenção e a boa, correta e adequada informação precisam ocorrer ao longo de todo o ano.

Vale lembrar que, normalmente, quem tenta contra a própria vida não deseja simplesmente morrer, mas resolver ou aliviar um grande sofrimento ou uma pressão existencial que experimenta na vida. O sofrimento psicossocial é uma realidade cotidiana; portanto, é preciso cuidar da vida de maneira ampla e constante, por exemplo, incorporando práticas como atividade física, hobbies
prazerosos, contato social saudável, prática espiritual, sono de qualidade, contato com a natureza e evitando exposição contínua a imagens e mensagens violentas.

Se você ou conhecido estiver em sofrimento emocional ou psicológico, busque ajuda imediata: ligue para o 188 (CVV), vá a uma UBS, UPA ou CAPS, procure um psicólogo, psiquiatra ou outro serviço de saúde. Peça socorro. Não vamos perder essa guerra!

*O texto é de livre pensamento do autor*
Edson Correia de Abreu – *Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Neurociência, Comportamento e Saúde Mental. (Foto: Divulgação)
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