O voto da mulher intelectual que decidirá a recomposição ética ou não do STF

(Imagem: Supremo Tribunal Federal)
Coluna Polítikus
Por: José Salucci – Jornalista

Está nas mãos da ministra Cármen Lúcia o destino do Supremo Tribunal Federal (STF): se haverá recomposição ética da Corte ou se continuaremos a assistir a um “Vale a Pena Ver de Novo” protagonizado pelos canastrões da toga.

A ministra, que será anunciada ainda nesta manhã como vencedora do Troféu Juca Pato — Intelectual do Ano de 2026 —, passará por um teste cabal sobre se, de fato, possui raciocínio lógico, moral, ético e libertário para todas as mulheres do Brasil.

E por que enfatizo “as mulheres do Brasil”? Justamente por causa das aberrações inconstitucionais do ministro Alexandre de Moraes, que deu ordem de prisão para Débora Rodrigues dos Santos (“Débora do Batom”), condenada a 14 anos de reclusão por pichar a frase “Perdeu, mané!” com batom na estátua A Justiça, em frente ao STF. Isso sem contar as mulheres com mais de 70 anos de idade presas por responderem pela participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Meu Deus, o problema do Brasil são as idosas fascistas e terroristas!

Nesse contexto, o julgamento inédito iniciado na manhã desta terça-feira (15), às 10 horas, sessão que decidirá se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, trata-se de uma oportunidade singular para que o ambiente dos paladinos e defensores da democracia prove se essa turma, de fato, honra o que é verdadeiro. Apenas isso.

Considerando que faltam 20 dias para as eleições, a ministra tem o dever de mostrar ao Brasil que precisamos ancorar nossa justiça no lema da nossa bandeira: Ordem e Progresso. Certa vez, em discurso no Plenário do STF, Cármen Lúcia dirigiu-se a um de seus colegas e observou: “Nós, mulheres, ficamos dois mil anos caladas”. Portanto, senhora composta, “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. Contudo, não pedirei à Padroeira para nos ajudar; você, mulher empoderada, sim, a senhora mesma, Dona Cármen Lúcia, pode dar início à derrocada dos atos autoritários, machistas e espancadores da Constituição, de Alexandre de Moraes.

Diante do cenário de tais autoridades governarem e decidirem nossas pobres vidas, recordo-me da carta do apóstolo Paulo em Primeira Timóteo, capítulo dois, versículos um e dois: “Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que detêm a autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda a piedade e dignidade”.

Pois é, Vossa Excelência tem a autoridade para legitimar o retorno da ordem, da serenidade e dignidade no STF e em todo o País, ou sacramentar o derradeiro fim da ética nas instituições.

Por tudo isso, o julgamento promete uma intensa queda de braço entre os magistrados. Diante desse cenário, André Mendonça e o presidente do STF, Edson Fachin, são tidos como votos certos pela abertura do inquérito, ao lado de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Por outro lado, ainda não se sabe se Dias Toffoli votará, pois, desde fevereiro, ele tem se declarado suspeito nos casos envolvendo o Banco Master. No polo oposto, contra a investigação, devem votar Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, integrantes do grupo mais próximo de Moraes. Inclusive, é esperado que um deles peça vista — momento em que o julgamento ou a votação é pausado temporariamente.

Assim, a maior expectativa gira em torno do voto de Cármen Lúcia, que pode definir o resultado final. Está em suas mãos, mulher empoderada, justamente no dia em que será coroada com o Troféu Juca Pato — Intelectual do Ano de 2026.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
José Salucci – *Reside em Serra *Jornalista *Diretor-presidente do Merkato (Foto: Thais Gobbo)
Facebook
WhatsApp
Telegram
Telegram
Shopping Basket