Coluna Letrados
Por: José Salucci – Jornalista
Para quem acha que o 12 de outubro se resume ao feriado de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, essa data também é reservada para uma reflexão fundamental: o “Dia Nacional da Leitura e da Literatura”. Além disso, esta segunda-feira é dividida com o Dia das Crianças, o que reforça a importância de incentivar o hábito de ler desde a infância.
Recheado de datas comemorativas e símbolos que envolvem fé, cultura e espírito lúdico, o 12 de outubro é repleto de múltiplas leituras. E você, sabe o que significa ler? Certamente não se trata apenas de passar os olhos por livros, revistas, sites e outros textos escritos. Em algum momento, você já sentiu curiosidade de entender a importância da leitura para o desenvolvimento cognitivo, psicológico, emocional, intelectual, profissional e até para o acúmulo de capital cultural? São justamente esses aspectos que fazem do ato de ler um desafio para todo leitor.
Se você é estudante do ensino médio, de graduação, pós-graduação ou se já se tornou um mestre, deixo aqui uma verdade: todos nós estamos aprendendo a ler, sejam os textos escritos, ou as letras da própria vida.
Mas antes de propor uma reflexão sobre como enxergo a leitura, apresento a você, leitor(a), as técnicas que venho aprendendo no curso Leitura Dinâmica e Mnemônica (Metaleitura – LDE) — considerado por especialistas o melhor do Brasil, com validação pela neurociência. O idealizador do projeto é Renato Alves, o primeiro recordista brasileiro de memorização, reconhecido oficialmente em 2006 pelo Rank Brasil com o título de “Melhor Memória do Brasil”.
Sobre o tema, o que desejo que você saiba?
Em um mundo onde a informação circula em alta velocidade, quem se depara com a leitura sente que tudo é instantâneo. A informação parece um bicho de quatro patas correndo em disparada; outras vezes, sentimos nosso cérebro preguiçoso (é bom diminuir o açúcar, hein?) ou somos distratados pela agitação externa — vizinhos barulhentos, ruídos dentro de casa… Pois bem! Renato Alves nos deixa uma provocação interessante diante desse cenário: quando a leitura é realmente eficiente?
Segundo os quatro pilares apresentados pelo professor, o primeiro é o Ritmo: a leitura não pode sofrer com atrasos e dispersão, o fluxo precisa ser diário. Escolha em quantos dias quer ler o livro, quantas páginas por dia e em quanto tempo e um horário fixo para a leitura. Mantenha o foco e vá em frente!
Dessa forma, você alcançará o Progresso, a segunda característica da eficiência. Aqui, o leitor percebe claramente que está aprendendo. Em seguida, vem a Compreensão: o leitor encontra sentido na leitura (estudo), enxerga soluções para seus desafios pessoais por causa da leitura. Por fim, a Transformação: uma mudança significativa. O leitor vai muito além de ler com os olhos — ele pratica a leitura como sentido de vida, lê com inteligência, vai além das palavras e se apropria dos significados do livro, é como se ele fosse o próprio escritor.
A leitura é um processo ativo. Exige a escolha de um ambiente adequado para mergulhar no livro. Ter clareza da motivação pela qual se quer ler aquela obra é indispensável. É preciso saber fazer as perguntas certas ao livro e buscar as respostas de acordo com o seu propósito, como ensina o professor Renato.
A leitura exige treino, disciplina, atenção, motivação, técnica e capacidade de memorização. “A leitura de bons livros é um meio comprovado de desenvolver a inteligência”, afirma Renato Alves em sua aula.
Diante dessa importância, é preciso identificar: quais são os seus maiores desafios para ler? Falta de concentração? Confusão diante das rápidas mudanças tecnológicas e científicas do mundo? Falta de propósito? Cansaço mental?
Compartilho um desafio que me travou e me fez interromper uma fase de leitura frenética. Por ser muito curioso, jornalista e bacharel em Teologia pela Unida (terceira maior faculdade do país), cada vez que lia algo novo, queria compartilhar o aprendizado com familiares, colegas de aula, amigos e até desconhecidos. No entanto, percebi que os ambientes que eu frequentava — até mesmo algumas igrejas — tinham um baixo nível de leitura e mantinham a mentalidade de que “o que o pastor diz, está dito”. Faltava o hábito de ler. Semelhante ao aluno que apenas frequenta a faculdade, mas não assume o compromisso e disciplina de ser um leitor.
Decepcionei-me com a fé, com o seio familiar, por não me acompanharem, e passei a ser visto como alguém “que se acha”. Mas a leitura de bons livros manteve acesa em mim a energia de escrever, não só reportagens, mas poesias, canções e, agora, com o curso de Metaleitura, de me consolidar como escritor. Por não encontrar acolhimento alheio para o meu apetite intelectual, cheguei a estagnar. Mas recomecei.
O 12 de outubro contempla muitas leituras. Ainda que se tenha fé religiosa, é preciso ter fé na leitura e resgatar o espírito de criança para ler a vida. Como canta Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita”.
Parafraseando o refrão da canção: Ler, e não ter a vergonha de ser feliz…
*O texto é de livre pensamento do colunista*



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