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3 de abril de 2025

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Mulher de ginga

Enylilian Tanigle, 34 anos, apelido na capoeira “Maritaca”. / Foto: Welley Pereira Rodrigues – WPR Produções e Eventos/ Contato: (27) 99237-7273.

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Entrevista/Capoeira
Por: José SalucciJornalista e diretor do Merkato

O Merkato continua a sequência das entrevistas realizadas no último fim de semana (31 de janeiro a 02 de fevereiro), em Cachoeiro de Itapemirim, no Hotel Caiçara, onde aconteceu o “3º Encontro Estadual de Salvaguarda da Roda de Capoeira e Ofício das Mestras e dos Mestres de Capoeira no Espírito Santo”.

O evento reuniu detentores da capoeira, além de agentes culturais, com o intuito de formular o Plano de Salvaguarda do bem cultural no estado do Espírito Santo.

Merkato apresenta Enylilian Tanigle, 34 anos, apelido na capoeira “Maritaca”, que é Contramestra. Ela expôs suas opiniões sobre o Plano de Salvaguarda; falou das atribuições dos GTs; contou de sua participação em outros fóruns, que discutiram as demandas da capoeira no ES, e deixou sua opinião sobre a ausência, no evento, do presidente da Federação de Capoeira do Espírito Santo (Fecaes), Cleber Alvarenga Brasil, o Me. Nagô.

A instrutora de capoeira mora em São Mateus, faz parte do Grupo Sementes da Terra, do Mestre Judson. Maritaca é servidora pública e formada em educação física.

1 – Maritaca, você participou do evento de Salvaguarda da Capoeira, em São Mateus, 2019, e em Vitória, 2023. Fale um pouco de cada um?

Sim. Foi o primeiro encontro que eu participei como delegada. Nós juntamos os grupos e os direcionamos. Eu conheci algumas pessoas lá, a própria Ananda.

Nesse primeiro encontro, nós identificamos as principais demandas da capoeira no estado, naquele momento… Ninguém previa que viria uma pandemia… Ainda bem que nós fizemos isso antes da pandemia, deu tempo de articular a missão.

Em Vitória, também participei como delegada. Nesse evento, nós apresentamos o livro “Mulheres de Ginga”, o resultado do nosso GT. A  Ananda que discursou, porque nosso tempo era reduzido. Em 2019, nós não apresentamos trabalho nenhum, foi só recolhimento de demanda. E, em 2023, apresentamos o resultado das demandas.

2 – Fala-se que o atual encontro é o principal da capoeira no Espírito Santo. Você está vivenciando um marco da história da capoeira. Qual é a lição que você tira nesse Plano de Salvaguarda?

O que eu tiro de lição, além do material que já está feito, o bem material, o bem físico, estamos trazendo mais pessoas ao conhecimento, o conhecimento que existe no grupo de trabalho para tentar salvaguardar a nossa capoeira.

E, esse alcance está muito maior do que em 2019, em que a reunião foi bem compacta. Os dois primeiros encontros não tiveram nomenclatura, mas foi um encontro formativo e deliberativo também.

No atual, estamos deliberando algumas coisas, porque vai sair um documento daqui. Então, para mim, como capoeirista, como mulher, como negra, e como uma liderança também da minha região, eu sinto que eu tenho uma missão de levar isso para lá. Eu estou recolhendo, assimilando, filtrando o que é mais necessário.

Tenho a missão de levar para a minha região o que foi discutido nesse 3º Encontro Estadual de Plano de Salvaguarda da Capoeira ES. O encontro está maravilhoso, não só pela estrutura, mas por consciência e mais ouvintes também, por consciência e por material produzido. O que vai sair daqui eu acho que vai ser riquíssimo.

Em relação ao de 2023, esse de 2025, todos os grupos apresentaram trabalhos. Nós já conseguimos dar um passo, já conseguimos fazer eles pesquisarem, trazer fontes reais. Saio daqui satisfeita de ter material para levar para a minha região, não só oral, visual, mas material físico, para que alguma pessoa, no momento do dia dele, tire um tempo para ler o material físico.

Maritaca e Ananda Coutinho em apresentação no “GT Mulheres na Capoeira”. / Foto: Welley Pereira Rodrigues – WPR Produções e Eventos/ Contato: (27) 99237-7273. Clique na imagem!

3 – Você participou do “GT Mulheres na Capoeira”, qual a sua avaliação?

Tivemos que ponderar algumas coisas ainda para não se tornar um GT de combate. Nosso GT foi o único GT que apresentou resultado real, com o livro “Mulheres de Ginga”, apresentado no “GT Mulheres na Capoeira”.

Nós não somos vingadoras! Nós temos que tentar, da melhor forma, entender o que acontece com a gente em questão de gênero. Nós não estamos aqui para combater ninguém. Nós estamos aqui para levar mensagem a quem talvez não escutou com essas palavras, ou que não teve oportunidade de sentar e ouvir uma mulher falando. Só de nós sentarmos ali na frente, falar, representar, já é uma vitória.

Vamos tentar trazer mais mulheres, algumas não puderam vir por causa dos compromissos. E, para um final de janeiro, ter esse quantitativo de mulheres, aqui, eu achei maravilhoso.

4 – O “GT Bem Cultural”, você atuou como coordenadora, com o Me. Museu. Foi o mais importante entre os GTs?

Eu o avalio como um GT de informação. Ele fala diretamente ao capoeirista para dar uma consciência. Eu o classifico como de base. Porque eu não consigo falar de memória sem falar de que memória que eu tô falando, né? Então assim, eu acho que o bem cultural, ele tá no mesmo vagão da memória e arquivo.

Falar do bem cultural, ele é mais complicado por ser técnico, porque envolve leis. Ele é mais complicado porque é mais amplo, a pessoa tem que entender o que é bem cultural. Nem todo mundo que entrou na capoeira sabe que a capoeira é um bem cultural, que ela faz parte de um patrimônio. O ofício dos mestres e mestres estão todos em um pacote do patrimônio, e a capoeira é o bem, mas ela também continua sendo patrimônio. Porque a capoeira ramifica muito, então nós temos os fazedores de cultura, temos os artesãos… E por aí vai. Então assim, o bem cultural ele é um tema que deveria ter um dia só para ele, porque ele é muito complicado.

 Mestre Museu e Contramestra Maritaca em apresentação do “GT Bem Cultural”. / Foto: Welley Pereira Rodrigues – WPR Produções e Eventos/ Contato: (27) 99237-7273. Clique na imagem!

5 – Para fechar, gostaria de saber a sua opinião sobre a ausência do presidente da Fecaes no evento, o que tem a dizer?

É uma questão bem pessoal. A presença do indivíduo é importante, sim. Eu jamais vou classificar ele como irresponsável, por exemplo, se ele teve um problema pessoal e não pôde vir. Porque isso vai numa questão familiar, é uma coisa que não cabe a mim. Mas se ele não pudesse vir, falasse o motivo do problema, e desse uma satisfação, e poderia ter colocado uma pessoa pra responder por ele aqui no evento.

Ele poderia ter feito uma nota, faltou um preparo de comunicação da Fecaes… Eu fui descobrir algumas pessoas que pertencem a diretoria da Fecaes, aqui, no evento, não por falta de interesse em saber sobre a federação, é porque isso tem que estar bem claro para todo mundo que tá à frente de um grupo.

Eu sei quem é o presidente da Fecaes, que é o Mestre Nagô, que é muito bacana. Mas, eu não sabia a formação da diretoria, que está aqui no evento. Porque não tem uma divulgação clara nas redes socias, divulgação para os capoeiristas, por isso, grande parte da diretoria eu conheci hoje, conheci os cargos no evento.

O presidente tinha que ter dado uma explicação, fazer uma chamada de vídeo ali no data show, mandar uma nota… A modernidade tá aí, né! Temos vídeo conferência. Por aí vai…


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