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3 de abril de 2025

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As águas que nos deram Elis

(Imagem: Internet)

Colabore com essa informação! Pix47.964.551/0001-39.


Coluna Letrados
Por: Giovandre SilvateceRoteirista

Olá, leitor(a) da coluna Letrados! Há 80 anos, as águas de março traziam Elis Regina (17/03/1945 – 19/01/1982) para o mundo. Considerada, por muitos, a melhor cantora do Brasil de todos os tempos, que também era conhecida pelos apelidos de Lilica, Furacão, Pimentinha (este com direito a versão em inglês: Little Pepper) e Elis-cóptero ou Hélice Regina (devido à sua coreografia singular ao se apresentar, cujo movimento dos braços remetiam ao movimento das hélices de um helicóptero). Alguns desses apelidos acabavam por denunciar a forte personalidade de Elis, bem como a sua presença de palco.

Mesmo que a designação de melhor cantora do país não seja unânime, afinal tivemos grandes cantoras como Angela Maria, em quem Elis se espelhava, Emilinha Borba e Nara Leão, dentre muitas outras, ao ouvirmos clássicos da MPB interpretados por Elis, como “Águas de março”, de Tom Jobim; “O bêbedo e o equilibrista”, composta por João Bosco e Aldir Blanc; e “Como nossos pais”, de Belchior, percebemos, de imediato, o talento ímpar desta exímia cantora. A sua passagem foi curta, nos deixando aos 36 anos de idade, porém a sua vida e carreira foram intensas, cuja intensidade foi refletida no uso de todo o potencial de sua voz.

Os trabalhos de estúdio

Elis iniciou a sua carreira em dezembro de 1958 na Rádio Gaúcha, tendo ela apenas 13 anos de idade, mas as primeiras gravações só iriam acontecer em 1961, quando gravou o álbum “Viva a Brotolândia”, aos 16 anos de idade. A ideia do álbum era de que Elis cantasse versões de rock no intuito de trilhar caminho idêntico ao de Celly Campelo (1942 – 2003), que ficou muito famosa na época ao cantar “Estúpido Cupido”, versão de Stupid Cup (Greenfield e Sedaka), e “Banho de lua”, versão de “Tintarella di luna” (Migliacci/Filippi), dentre outros sucessos.

O álbum de estreia contém alguns momentos interessantes, destaco a versão de “Baby Face, de Harry Akst, em que ouvimos Elis com uma voz um tanto suave, porém de acordo com as performances das demais cantoras de rock nacional da época. A crítica, que não recebeu bem o álbum, entendeu que ali havia uma forte influência das cantoras das rádios, aspecto que, reconheço, não consegui identificar.

O insucesso deste primeiro álbum foi seguido pelos três álbuns subsequentes: “Poema de Amor”, de 1962, “Elis Regina” e o “Bem do Amor’, ambos de 1963. A partir de então, Elis resolve morar no Rio, participando de shows e diversas apresentações, bem como continuando a gravar discos.

Foi somente a partir de seu quinto álbum, “Samba eu canto assim”, de 1965, é que seus trabalhos em estúdio começaram a ganhar repercussão. Inicia-se, assim, uma sequência de álbuns de sucesso, aclamados pela crítica e público, como “Elis”, de 1972, “Elis e Tom”, de 1974 e “Falso Brilhante”, de 1976.

Impulsionando a carreira

A despeito dos trabalhos em estúdio, o que de fato impulsionou a carreira de Elis foi o programa “O Fino da Bossa”, apresentado por ela e Jair Rodrigues. O programa foi exibido pela TV Record, de São Paulo, entre os anos de 1965 e 1967, cujo sucesso estrondoso permitiu que ambos gravassem três álbuns, incluindo “Dois na Bossa”, de 1965, o qual foi o primeiro álbum brasileiro a vender 500 mil cópias.

Além do programa na Record, outro fator de grande relevância para a carreira de Elis foi a sua participação no I Festival de Música Popular Brasileira na extinta TV Excelsior, interpretando a canção “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, com direito à coreografia estilo “helicóptero”. A música ficou em primeiro lugar, enquanto Elis foi premiada como melhor intérprete.

O sucesso da música “Upa! Neguinho”, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, cuja música fez parte do musical “Arena conta Zumbi”, de 1965, foi outro marco importante na consolidação da carreira de Elis.

O filme “Elis”

O presente artigo objetiva apenas tecer um breve resumo da carreira de Elis, não adentrando nos acontecimentos pertinentes à sua vida pessoal. Contudo, quando assistimos a um filme biográfico, esperamos que ele seja o mais completo e profundo possível, mesmo cientes da imensa dificuldade de se chegar a esse propósito.

Nesse aspecto, ao assistir ao filme “Elis”, percebi que o filme deixou de mostrar momentos importantes da carreira da cantora. Não me refiro somente a momentos históricos, mas aqueles corriqueiros, como as entrevistas, a convivência com a família e amigos, a convivência com os músicos… São estes os momentos em que percebemos como se comporta o artista em suas relações, nas diversas fases de sua vida.

O filme não se aprofundou nos momentos de angústia da cantora, principalmente nos seus últimos dias, não evidenciando de forma clara os fatos que a deixaram deprimida, permitindo-nos apenas conjecturar. Também ocorreram muitos cortes abruptos. Num momento ela está brigando com o marido, na próxima cena ela aparece grávida.

A despeito das diversas lacunas deixadas, considero um bom filme. Boas cenas, ambientações de época muito bem constituídas, boa fotografia, além das interpretações, todas muito bem executadas, com destaque para a atriz Andreia Horta, que incorporou de forma magnífica a nossa Elis.

Conhecendo Elis

Elis foi uma cantora brasileira, considerada por muitos como uma das maiores vozes e intérpretes da história do país. A obra de Elis sustenta tal preceito. Contudo, a história de Elis é muito rica em emoções, lidando com sucessos e reveses, amores e desamores, ditadura, família… Para conhecer Elis, é preciso aprofundar na sua história. Uma história de luta e perseverança.

Contudo, a única forma de chegarmos próximos de quem realmente foi Elis Regina é através da literatura, filmes e vídeos e, é claro, de sua obra.

Nesse sentido, o filme “Elis” mostrou, sim, partes importantes de sua história. Há ainda a série “Elis: Viver é melhor que sonhar”, que inclui cenas do filme, novas cenas de ficção e material documental. Contudo, para aqueles que querem aprofundar o conhecimento sobre quem foi Elis, o livro “Elis – Nada será como antes”, de Julio Maria, consiste na biografia mais completa da cantora, sendo que a nova versão chegou no último dia catorze, a qual se apresenta muito mais completa que a original lançada em 2015.

Mas o próprio autor do livro sintetiza quem foi Elis Regina:

“Ela foi muito solitária, mas sempre soube muito o que queria. Antes, sabia o que não queria. Depois soube o que queria”.

“Ela não fez parte de nenhuma turma. Negou-se a ser da turma da Celly Campello, não foi da Jovem Guarda, não foi do Tropicalismo, não foi do samba, não foi do rock, não foi da bossa nova…  Solitariamente, fez suas revoluções da voz e da música brasileira sabendo muito bem o que queria”.

Já o crítico musical, Jotabê Medeiros, foi um pouco mais além:

“Elis não quis ser Janis Joplin, não quis ser Ella Fitzgerald, não quis ser Billie Holiday. Ela quis mais, e conseguiu”.

*O texto é de livre pensamento do colunista*


Colabore com essa informação! Pix47.964.551/0001-39.

Giovandre Silvatece – *Reside em Vitória/ES *Roteirista *Servidor Público. / (Imagem: Divulgação)

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