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Coluna Letrados
Por: Giovandre Silvatece – Roteirista
Olá, leitor(a) da coluna Letrados! Ainda neste mês, tivemos a premiação do Oscar, que, para nós brasileiros, teve um sabor especial, pois concorria ao Oscar de melhor filme e de melhor filme estrangeiro (filmes produzidos fora dos Estados Unidos, cujo idioma predominante seja diferente do inglês) o filme “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, e, como melhor atriz, Fernanda Torres, que já havia conquistado o “Globo de Ouro” semanas antes. Ganhamos como melhor filme estrangeiro, o que foi muito bom, mas torcemos muito pela Fernanda, tendo ficado aquele gostinho de “quero mais”.
Talvez, se a Demi Moore tivesse ganho, sentiríamos menos, dada a sua contundente atuação em “A Substância”, mas não foi a primeira vez que a Academia distribuiu várias estatuetas a categorias associadas ao vencedor de melhor filme, como ocorreu na edição anterior, quando o filme ganhador do Oscar, “Oppenheimer”, recebeu sete estatuetas, sendo que nesta edição o filme “Anora” recebeu cinco estatuetas: melhor filme, direção, roteiro original, edição e, para completar, a de melhor atriz, que foi para Mikey Madison.
De qualquer forma, ainda que se passem anos, décadas, ficará na memória o momento em que um filme brasileiro e uma atriz brasileira concorreram ao Oscar numa mesma edição, como aconteceu em 1999, quando o filme “Central do Brasil”, também dirigido por Walter Salles, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, enquanto Fernanda Montenegro obteve a indicação de melhor atriz, só que desta vez tivemos um vencedor!
O filme – assimilando a mensagem
O filme “Ainda estou aqui”, inspirado no livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Beyrodt Paiva (1929 – 1971), engenheiro e político brasileiro preso e morto pela ditadura militar nos anos de 1970, retrata esse período sombrio de nossa história, juntando-se a diversos outros filmes, como “Pra frente Brasil (1982)”, “Lamarca (1994)” e “O que é isso, Companheiro? (1997)”, os quais buscaram reavivar a memória de um passado que esperamos que não mais se repita.

Esse momento conturbado de nossa história foi muito bem delineado em “Ainda estou aqui”, ao ponto de o público e a crítica internacional conseguirem captar a angústia e o sofrimento daquelas pessoas, retratadas no filme, em meio a situações tensas e delicadas, ocorridas em um país distante e em uma época um tanto que remota.
O êxito do filme em transmitir a sua mensagem transpassa pelo sucesso de sua produção e divulgação, além da competência da direção, de um roteiro bem escrito, e de um elenco virtuoso, com destaque, é claro, à Fernanda Torres, que sublimemente interpretou Eunice Paiva, viúva de Rubens Paiva, e que passou boa parte de sua vida buscando informações sobre o paradeiro de seu marido, tendo trabalhado de forma ativa pelos direitos humanos e dos indígenas.
Presença de Fernanda
Considero que um ponto alto, não da festa, mas da expectativa de Fernanda Torres em ganhar o Oscar, foram as suas entrevistas, tanto para os meios de comunicação nacionais, como internacionais, sendo que neste último caso, o seu inglês fluente permitiu evidenciar toda a sua espontaneidade e segurança no que dizia, víamos, assim, uma mulher inteligente, esbaldando simpatia, encontrando-se, a todo instante, ciente do que aquele momento representava para ela, para o filme e para o Brasil.
Um episódio interessante dessa fase que antecedeu à festa do Oscar, ocorreu quando um dos entrevistadores elogiou a sua caracterização no filme quando ela interpretou uma senhora idosa que sofria de Alzheimer, tendo ele ficado surpreso ao saber por Fernanda que aquela idosa era interpretada, na realidade, pela sua mãe, a grande Fernanda Montenegro.
Bom, até que foi um engano compreensível, visto que, apesar da diferença das idades (36 anos de diferença), há sim uma certa semelhança entre mãe e filha.
Fernanda Torres não ganhou o Oscar, mas assim como o músico, crítico e apresentador Régis Tadeu mencionou em seu canal no YouTube, acreditamos que, em face do reconhecimento internacional de seu trabalho em “Ainda estou aqui”, Fernanda irá receber uma enxurrada de convites para realizar diversos trabalhos no Brasil e no exterior. E que tenhamos mais Fernanda na tela!
Eles (também) ainda estão aqui
O Cinema possui a magia de eternizar pessoas e lugares através da imagem. Vemos muitos atores e atrizes, em várias fases de suas vidas, interpretando os mais diversos personagens.
Nesse sentido, a Academia, de forma elogiável, costuma tecer homenagens àqueles que se foram durante à celebração do Oscar, com cenas dos astros que fizeram história, causando em nós um sentimento nostálgico. Nesta última edição, ganharam destaque as homenagens feitas ao ator Gene Hackman (1930 – 2025) e ao músico Quincy Jones (1933 – 2024).
Quem sempre esteve aqui
Uma homenagem peculiar ocorrida na festa do Oscar foi protagonizada pela atriz Cynthi Erivo, que também concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo seu papel no filme “Wicked”. Ela usou um vestido da grife Louis Vuitton que fazia referência a Hattie McDaniel (1893 – 1952), que foi, nada mais, nada menos, a primeira pessoa afrodescendente a ganhar o Oscar, em face de seu trabalho no filme “E o vento levou”, gravado entre os anos longínquos de 1936 e 1939.
Sobre essa atriz (e cantora), a sua história, repleta de momentos alegres, agitos e preconceitos, bem como as suas atuações e esse grande feito, merecem uma publicação especial por minha parte. Aguardem!
O Cinema tem essa capacidade de tornar as pessoas “imortais”, mas o que ele faz mesmo é trazer essas pessoas às nossas lembranças. Então, é possível conceber que todos nós ainda estamos e estaremos aqui, pois, mesmo ausentes, continuaremos por muito, muito tempo, vivos na memória de alguém.
*O texto é de livre pensamento do colunista*
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