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Cultura/Capoeira
Por: José Salucci – Jornalista
Conhecido nacionalmente e internacionalmente no mundo da capoeira, o “Grupo Beribazu” reuniu seus docentes para dialogar e aplicar uma formação que discutiu o ensino e engajamento da capoeira em projetos sociais e escolas, além de debater o futuro do Plano de Salvaguarda da Capoeira no ES. O evento, que é anual, aconteceu neste março, sábado (15), no Centro de Formação de Educação Física, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – Projeto Capoeira UFES, que contou com a organização do Mestre Fabio Luiz Loureiro, a professora Ana Cláudia Silvério Nascimento e a bolsista da Proex-Ufes, Alessandra Vitória Luiz.
De acordo com o Mestre Fábio Luiz Loureiro, um dos representantes do Beribazu, no estado do Espírito Santo, a construção coletiva através do diálogo aberto em uma formação, é um processo de aprendizagem mútuo que envolve a interação entre pessoas de um determinado grupo, seus conhecimentos e saberes experiências.

Dessa forma, o intuito de reunir os docentes nessa construção coletiva se fundamentou no pensamento de dialogar com o contexto social, pedagógico e político da capoeira, todos esses conhecimentos possuem ligação estreita quando o propósito é capacitar capoeiristas para formarem novos capoeiristas, com a visão de manter viva a cultura do patrimônio imaterial do Brasil.
No contexto social, os docentes debateram leis que garantem os professores de capoeira a exercer nos projetos sociais a cultura capoeirística, aliado a eficazes planos pedagógicos e reconhecidos por remuneração financeira ao trabalho.
“Os grupos de capoeira são espaços contraditórios de construção coletiva de conhecimento, que podem se acomodarem ou progredirem, lutarem e resistirem a processos escravizantes no que tange a essência do ser humano: sua liberdade”, comenta Me. Fábio.


No contexto pedagógico, a formação trouxe o viés da capoeira nas escolas, na faixa etária infantil. Os integrantes aprenderam uns com os outros, numa construção em forma de redes de conhecimento através de trocas, observação, questionamento e relacionamento teóricos e demonstração de aulas práticas entre os próprios docentes, tudo para aperfeiçoamento de uma boa formação.
Nessa parte, Me. Fábio discursa que, “na formação continuada de professores (as) pode-se contribuir para o desenvolvimento do conhecimento profissional docente de todos (as), a refletir sobre sua prática, sobre seu projeto políticopedagógico para a capoeira e suas possibilidades de reconhecimento de identidade cultural, de reflexão e mudança da prática pedagógica”.

Depoimentos dos docentes
O “Grupo de Capoeira Beribazu” foi criado e fundado dentro do Colégio Agrícola de Brasília, por Mestre Zulu. Com identidade educacional, o Beribazu fomenta não só a prática das rodas de capoeira, seu jogo, sua vadiagem, mas se mantém firme como guardiã da cultura da capoeira: prática, teoria, história, vivências, cultura, filosofia, arte, ritualística e esporte.
Nesse contexto, a Contramestra Juana Zanchetta, que é médica, observou a importância do evento, ainda mais por ser anual, isso já o caracteriza como prioridade entre os membros do grupo.
“Esse momento é pra capacitar a gente, nem todo mundo aqui tem formação acadêmica na docência, então ter esse contato com quem está nessa parte acadêmica, trocar essa experiência para entender melhor como é a docência dentro da capoeira, é importante. Então a gente acaba aqui no encontro trocando ideias com quem entende um pouco mais de uma questão cultural, de quem entende um pouco mais a questão pedagógica, e poder juntar tudo isso, uma forma que a gente consiga passar esse conhecimento. A gente precisa saber como passar a capoeira, que é algo complexo, a história da capoeira, tudo dentro da capoeira e, além disso, manter a tradição dentro da trajetória do Grupo Beribazu”, completou.
Reforçando a dimensão do Beribazu, o instrutor Kamil Pawel Gluszek, naturaL da Polônia, nascido e criado na Varsóvia, capital do país. Lá, conheceu a capoeira pelo Grupo Beribazu, tanto que o Me. Fábio viajou até o país para participar de sua formatura. Praticando capoeira desde a década de 1990, Kamil reside em Vitória e trabalha como auxiliar administrativo em uma escola privada. Além de ser formado em filosofia na Polônia. O polonês comentou a relevância dessa formação aos docentes do grupo.
“Ela contribui não só para o nosso grupo, mas para o mundo da capoeira, em pesquisa, em análise da capoeira, até análise do momento atual contemporâneo onde a capoeira está. O que significa capoeira? E essa formação é muito importante porque muitas pessoas do Grupo Beribazu são mestres, contramestres, docentes, são pessoas que tem escolaridade, que tem formação superior. E, muitos querem trabalhar com a capoeira na sua área”, disse o polonês.

Por fim, estando no primeiro degrau de docência no Grupo Beribazu, a estagiária Thaís Almeida Rodrigues, 28 anos, que há dois anos atua como docente, e desde 2016 integra o Grupo Beribazu, é formada em Dança Afro-Brasileira Cênica (DABC), que faz parte da cultura afro-brasileira, produzida em meados do século XX pela bailarina e coreógrafa Mercedes Baptista a partir de estudos sobre as danças populares, pesquisas e laboratórios em casas de candomblé.
No dia da formação, Thaís ministrou uma forma de aquecimento com o maculelê e dança afro e colocou os amigos capoeiristas para gingarem. Ela também expressou a importância do evento e destacou a parte da profissionalização.
“Acho que a profissionalização é uma palavra que a gente tem que usar para a gente deixar de dar espaço para instituições públicas, governamentais, tirar esse espaço para eles pedirem atividades voluntárias, porque a gente tá trabalhando, a gente vem aqui e estuda, então por que que eles não querem se responsabilizar pelo custeio desse profissional? E foi uma das coisas que a gente conversou, eu achei muito importante, e espero que continue. Pela finalização das atividades de hoje entendo que, os nossos docentes, eles querem mais formação, querem discutir mais sobre questões que não estão sendo discutidas no âmbito da capoeira em geral, no Brasil e no mundo, a gente quer trazer essa discussão que seja mais presente pra gente evitar alguns erros que a gente tem cometido”, disse.
Assista ao vídeo – aula prática
Grupo de Capoeira Beribazu
O Grupo de Capoeira Beribazu nasceu em um ambiente educacional e mantém suas tradições de formação e qualidade de ensino na prática corporal capoeira. Atualmente, essa prática levou a desenvolver metodologias e boas formas de ensino na universidade, escolas públicas e privadas, projetos sociais e em vários níveis da educação infantil, fundamental e ensino médio.
Em dias atuais, o grupo de capoeira desenvolve projetos de capoeira em escolas públicas e projetos sociais através de leis de incentivo e editais públicos da cultura, exemplo do projeto “Mais Cultura nas Escolas”, tendo como diretor o Contramestre Eleandro Silva.
O “Mais Cultura nas Escolas”, em sua primeira edição, realizada em 2022, atendeu três instituições públicas, todas localizadas no município de Cariacica. Em 2023, com a segunda aprovação na Lei de Incentivo à Cultura Capixaba – LICC, o projeto ampliou suas ações para cinco espaços públicos, além de repetir o local de funcionamento, houve mais dois municípios que receberam as ações: Viana e Guaçuí.
As atividades do projeto ocorreram entre maio de 2024 e início de 2025, com dez meses de prática, atendendo 200 beneficiários.
Nomes integrantes Grupo de Capoeira Beribazu
Mestres

Contramestre (a)

Instrutor (a)

Monitor (a)

Estagiário (a)
