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4 de abril de 2025

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Caminhada Ecológica recebeu participação popular e turistas no lançamento do” Projeto Turismo do Bem”

Criado pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Ateliê de Ideias, o Projeto Turismo do Bem tem a parceria da Prefeitura Municipal de Vitória para qualificar agentes e promover os bairros. / Foto: Thamyres Valadares.

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Terceiro Setor/Turismo
Por: José Salucci – Jornalista

A “Caminhada Ecológica do Bem” uniu sustentabilidade, comunhão e fé. Dialogando com o que está sendo tratado na Campanha da Fraternidade, o Padre Kelder, da Paróquia Santa Teresa de Calcutá (Itararé), especificamente, escolheu o tema “Ecologia Integral” para vivenciar teoria e prática em uma caminhada de três quilômetros, onde a participação popular do Território e turistas, puderam contemplar pontos turísticos famosos da capital Vitória.

O evento, em sua primeira edição, teve a participação de aproximadamente 100 pessoas, no Território do Bem, no último sábado (29). Participaram da caminhada a população dos bairros pertencentes ao Território e suas lideranças comunitárias, lideranças religiosas, representante do poder público e turistas. Leia a reportagem anterior!

O “Projeto Turismo do Bem”, criado pela Ateliê de Ideias – Organização da Sociedade Civil (OSC) -, participou da “Caminha Ecológica” contando com a parceria da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV). A proposta é qualificar agentes turísticos, moradores do Território, para fortalecer o turismo de base comunitária nas rotas já existentes em São Benedito e Jaburu, incluído formação de moradores para serem promotores de turismo.

Alongamento para poder subir muitas ladeiras, afinal de contas, são 3 km da Pracinha de Itararé até o Farol de São Benedito. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

Os participantes se concentraram na Pracinha de Itararé, por volta das 7h30, com direito a alongamento com o professor Regis Lírio, 34 anos. “A gente perde em torno de 600 a 700 calorias numa caminhada dessa. E, cara, é um projeto muito importante. A periferia pulsa cultura e ecologia. Então, é muito importante a gente poder integrar, realmente, as pessoas, a natureza, com a Campanha da Fraternidade”, disse o professor de educação física, Regis, que é morador do Bairro da Penha.

Professor Regis Lírio, formado em educação física na UFES, é nascido e criado no Bairro da Penha. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

Após a execução do preparo físico, comunidade e turistas seguiram a rota de São Benedito, que passa pelo Bairro da Penha e segue em direção a comunidade de São Benedito. Todo o trajeto, desde a saída até a chegada no Farol de São Benedito, calcula-se uma distância de três quilômetros.

Durante a caminhada, pode-se encontrar ‘janelas’ – espaço físico aberto entre uma casa e outra, que possibilita a extensão do olhar como ação observada para algum ponto turístico ou paisagem; momento lúdico do percurso. Há também pontos de vista da própria natureza, que permitem os andantes admirarem paisagens turísticas da Grande Vitória: Serra do Mestre Álvaro, Praia de Camburi, 3ª Ponte, Convento da Penha, Pedra do Penedo, Porto de Vitória, Pedra dos Dois Olhos entre outras arquiteturas naturais e de concreto.

Pausa na caminhada para registrar uma foto de um ponto turístico de Vitória, proporcionado por uma ‘janela’. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

E quem ama subir a rota de São Benedito é o morador da comunidade de Gurigica, o Teófilo José Rodrigues, 65 anos. Desde 1971, morando na localidade, Teófilo disse que aprecia a paisagem do morro duas a três vezes ao ano. Ele também narrou as histórias de como era a parte alta de São Benedito.

“Quando eu cheguei aqui existia a pedreira aqui. Quebrava a pedra aqui ainda. Nossa casa era tudo de barraca de tábua, não existia a casa de alvenaria aqui em cima… A visão daqui é uma maravilha, sinto paz quando venho aqui. O pessoal foi desmatando… Fizeram um lugar ecológico aqui, entendeu? Para não desmatar mais… O povo tem que subir mais aqui pra você ver como é que é bom aqui”, narrou.

Teófilo José Rodrigues, o morador da comunidade que tem muita história pra contar. Nesse momento, estávamos no pé do Farol de São Benedito. No fundo da foto, é possível avistar o Morro Mestre Álvaro, localizado no município de Serra. / Foto: José Salucci. Clique na imagem!

Projeto Turismo do Bem

O Projeto Turismo do Bem foi criado pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Ateliê de Ideias e tem a parceria com a Prefeitura Municipal de Vitória. O objetivo é fortalecer o turismo de base comunitária nos bairros de São Benedito e Jaburu, no Território do Bem, em Vitória.

Com duas rotas turísticas, uma em São Bendito, com oito pontos turísticos, que contam a história de ocupação do bairro e a outra rota, o Circuito Verde do Jaburu, que investe na memória afetiva de moradores e na preservação ambiental, em cinco pontos turísticos, a proposta do projeto é investir na capacitação de moradores em condutores locais, na sensibilização de visitantes e no fortalecimento do pequeno comércio através de práticas sustentáveis. O projeto se estenderá até fevereiro de 2026 e traz uma série de atividades. Fique atento na programação acessando o jornal comunitário Calango Notícias!

Caminhando na rota de São Benedito. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

Mineira e baiana moradoras no Território do Bem

Representando os moradores do Território do Bem, Adalgiza Rabelo, 78 anos de idade, que há 63 anos é moradora de São Benedito, conversou com a reportagem no alto da trilha, onde fomos oportunizados por uma vista panorâmica da cidade de Vitória, vale pena subir! A mineira de Santa Maria do Suaçuí, é enfermeira aposentada, e conta como era o início do bairro antes de tanta inovação.

“Ali na pracinha, não tinha casa nenhuma. Essas estradas que tem aqui foi aberta com enxada, na época do finado Sargento Carioca. À noite, meu marido, meu padrasto, meu pessoal, eles saíam… Trabalhavam o dia na obra, e à noite eles faziam essas trilhas com enxada abrindo caminho para o pessoal e nós ficava em casa para fazer bolinho, fazer café pra trazer pra eles de madrugada sem luz, sem água, sem estrada. Aqui não tinha nada”, narrou.

“Eu sinto vitoriosa que Deus tá me concedendo esse privilégio de eu poder estar aqui em cima contemplando essas maravilhas”, disse Adalgiza Rabelo. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

Com tanta história pra contar sobre o progresso do bairro, ela que viu a cidade de Vitória tomar forma em suas construções nessa localidade e no entorno, Adalgiza expressou o sentimento de poder participar da Caminhada Ecológica. “Eu fico triste que as coisas boas não saem na mídia, só as coisa ruim… Aqui tem muita coisa boa”, concluiu.

Enquanto a reportagem subia o sentido da caminhada, bem no meio da floresta com pavimentação, encontramos Daiana da Conceição Santos, 36 anos, que trabalha na área de serviço gerais. Moradora há 2 anos no alto de São Benedito, a baiana de Canavieiras reside em um lugar privilegiado, casa simples, onde não se pode ver do ponto de vista de quem está lá em baixo no asfalto, mas ela, de sua panorâmica privilegiada, enxerga a Ilha de Vitória e contempla a natureza ao redor. Daiane comentou a satisfação de morar no lugar.

“É ótimo! Maravilhoso! Você acorda de manhã cedo com o canto dos pássaros. A Prefeitura também tá fazendo um bom trabalho da limpeza aqui. Só precisa ter esses projetos que eu acho muito bonito de mostrar a lindeza daqui, que não é isso tudo que as pessoas falam, que acha que é um lugar perigoso, que não pode fazer uma caminhada aqui. Pelo contrário, os moradores, de hoje, aqui, são muito carinhosos com as pessoas que chegam aqui”, opinou.

Daiana da Conceição Santos conversando com a reportagem, na rota de São Benedito, a caminho de sua casa. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

O turista letrado e encantado

Entre lideranças e participação popular, a Caminha Ecológica também recebeu seus turistas. Esse que vos escreve, apesar de ter participado do evento como repórter, foi pela primeira vez que participei da rota e pude contemplar a vista do Farol de São benedito.

Um lugar mágico e expressivo contou com a visita de Fernando Augusto dos Santos, 65 anos, artista e professor. Assim como eu, Fernando caminhou pela primeira vez na rota de São Benedito, e compartilhou com a gente o sentido de estar ali naquela manhã ensolarada.

“Tô gostando muito, é maior do que eu esperava. A gente olha lá de baixo e não vê a extensão do morro, chega aqui é quase uma cidade. Engraçado que, ainda tem natureza aqui em cima, tem um parque aqui em cima. Então, a gente atravessa alguns corredores e de repente chega aqui nessa floresta bonita que oferece uma visão única da cidade”, disse admirado.

Os mistérios da floresta no alto de São Benedito falaram ao coração do professor Fernando Augusto dos Santos. / Foto: Thamyres Valadares. Clique na imagem!

Com pós-doutorado em Artes e pós-graduação em Semiótica e Comunicação, Fernado é pintor, disse que já estudou muito conteúdo nessa área. Além de manifestar o ponto paisagístico que mais chamou sua atenção durante a caminhada, ele também explicou algumas figuras naturais.

“Eu tô gostando daqui do ponto mais alto, que é um parque, eu gosto muito de natureza. Tem um trabalho voltado para natureza, então toda vez que eu vejo natureza, a coisa me encanta. E, aqui, tem uma especificidade que são essas árvores resistentes, que mostram as raízes em cima das pedras… é… dizendo que não desistiram de viver e forma esse desenho maravilhoso aí, que é quase uma tenda”, explicou o professor do departamento de Artes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Realização

O Projeto Turismo do Bem é realizado pela OSC Ateliê de Ideias, selecionado em Edital de Chamamento Público, com recursos do FMPC (Fundo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor), sob gestão da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho/Gerência de Qualificação do Trabalhador. Para realização, o Ateliê de Ideias conta com o apoio do Grupo Nação de Jaburu, entidade idealizadora do Circuito Verde.

Acompanhe a próxima reportagem com entrevistas da participação popular e dos turistas.

Caminha Ecológica teve início na Pracinha de Itararé, em Vitória, com destino final no Farol de São Benedito. / Foto: Gabhy Almeida. Clique na imagem!

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