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Cinema como entretenimento

(Imagem: Internet)

gfColabore com essa informação! Pix47.964.551/0001-39.


Coluna Letrados
Por: Giovandre SilvateceRoteirista

Olá, leitor(a) da coluna Letrados! Como já mencionei em artigos anteriores, este ano o Cinema faz 130 anos, tendo como marco histórico a primeira apresentação pública realizada pelos Irmãos Lumière em 28 de dezembro de 1895, embora as primeiras filmagens remontem aos anos de 1887 e 1888, realizadas pelo inventor francês Louis Le Prince.

Entendendo o cinema como uma fonte de entretenimento, cujo conceito deste se apresenta como qualquer atividade que diverte ou distrai, assim, ainda que a maioria dos primeiros filmes produzidos pelos Irmãos Lumière contenham meramente imagens da vida cotidiana, um de seus filmes apresenta algo que o difere dos demais, encontrando-se inserido, por completo, ao conceito de entretenimento.

Refiro-me ao filme L’Arroseur Arrosé, de 1895, em que aparece, pela primeira vez na história, uma trama encenada. Ainda que a sua duração seja de apenas 45 segundos, este também foi o primeiro filme a possuir um poster promocional.

A primeira trama de ficção do cinema

Um jardineiro está regando as plantas com uma mangueira, quando, de repente, um menino pisa na mangueira, cortando o fluxo de água sem que o jardineiro perceba. Não entendendo o motivo do cessar da corrente d’água, o jardineiro examina o bico da mangueira para tentar identificar o problema, sendo que nesse exato momento o garoto retira o pé da mangueira, fazendo com que a água volte a fluir e espirre no rosto do jardineiro, que parte para cima do garoto e lhe dá algumas palmadas. Fim!

Pois bem, caro leitor, essa é a primeira história criada para o cinema. Um filme com uma encenação simples e com um título, no mínimo, insólito, afinal, em face de seu título original “L’Arroseur Arrosé”, o filme é conhecido como “O Regador Regado” ou “O Borrifador Borrifado” (a tradução literal não ajuda muito: “O Aspersor Regado”). A partir dessa curta encenação, surgiu a ideia de entreter o público através de histórias fictícias via sétima arte, algo que iria se expandir de forma ampla nos Estados Unidos a partir de 1905, enquanto na França, apesar de pioneira no desenvolvimento de tramas, a larga produção de filmes de ficção ocorreria somente a partir da década de 1920.

A vanguarda do cinema narrativo: Méliès e Guy-Blaché

Logo no ano seguinte ao da produção do primeiro filme de ficção, surgem novos filmes envolvendo tramas criadas para entreter o público, o chamado “cinema narrativo”, o qual se utiliza de imagens para construir uma história, sendo essa a forma mais utilizada no cinema até os dias de hoje. Dentre os precursores do cinema narrativo, estão Georges Méliès e Alice Guy Blaché.

O parisiense Georges Méliès produziu, só no ano de 1896, mais de 70 filmes, embora muitos sejam considerados perdidos. Além de cineasta, Méliès também era ilusionista. Essa junção de habilidades culminou no amplo emprego de efeitos especiais em seus filmes, como desaparecimentos e aparições de personagens, como se vê no filme “O Solar do Diabo” (Le Manoir du Diable”, 1896), considerado o primeiro filme de terror da história.

Entre os anos de 1896 e 1912, Méliès produziu mais de 500 filmes (exceto no ano de 1910, em que não se tem registro de nenhum filme produzido por Méliès), sendo o mais conhecido “Viagem à Lua” (Le Voyage dans la Lune, 1902), considerado o primeiro filme de ficção científica do cinema. Vale registrar que nesse filme, como em outros, Gaston Méliès, irmão de Georges, contribuiu significativamente em sua produção, com também produziu e dirigiu seus próprios filmes.

Apesar do filme “Viagem à Lua” ter sido distribuído por todo os Estados Unidos pelos técnicos de Thomas Edison, tendo obtido um considerável sucesso em suas exibições, Méliès não recebeu qualquer valor proveniente da exposição de seu filme, ainda assim, ele continuou produzindo filmes até 1913, tendo se afastado, por completo, das produções cinematográficas nesse mesmo ano.

Outra pioneira do cinema narrativo foi Alice Guy-Blaché, a primeira cineasta do sexo feminino, tendo dirigido mais de mil filmes (chegou a dirigir três filmes por semana) entre 1896, ano em que ela produziu apenas o filme “A Fada do Repolho” (La Fée aux Choux), e 1920. Infelizmente, mais da metade dos filmes produzidos por ela são considerados perdidos.

Foi a partir de 1897 que Alice deu início a uma quantidade absurda de produções cinematográficas, sendo, a maior parte de seus filmes, ficcionais. São muitos os filmes de destaque produzidos e dirigidos por Alice, dentre os mais relevantes estão O Nascimento, a Vida e a Morte de Cristo (La vie du Christ, 1906), tendo 25 episódios, e o Cair das Folhas (Falling Leaves, 1912), um filme sensível e com boas interpretações, o qual eu recomendo fortemente (disponível em algumas plataformas de streaming, como também no YouTube).

Alice foi uma das criadoras do Solax Company, localizado em Nova Jersey, sendo este o maior estúdio cinematográfico antes de Hollywood, entretanto, problemas pessoais, como a sua separação, e financeiros enfrentados pelo seu estúdio, ocasionados, principalmente, pela migração da indústria cinematográfica para o oeste dos Estados Unidos, dificultaram, em muito, a realização de novas produções para o cinema, assim, após gravar o seu último filme: “Reputações Manchadas” (Tarnished Reputations, 1920), Alice afastou-se das produções cinematográficas, ainda que tenha tentado, sem sucesso, um retorno sete anos depois. Nos anos que se seguiram, Alice demonstrou ressentimento quanto à ausência de seu nome nas obras que se destinavam a retratar a história do cinema.

O cinema e suas histórias inventadas

As primeiras filmagens antecedem à criação do Cinema e tinham como objetivo mostrar imagens em suposto movimento, mas de uma forma que pareciam estar, realmente, em movimento. Para tal, os precursores do Cinema conformavam-se em filmar situações do cotidiano, ademais, o tempo de execução era extremamente curto.

Contudo, foi através da contação de histórias que o Cinema conquistou o público em nível global. Principalmente as histórias fictícias, não desmerecendo a importância dos registros históricos sob a forma de documentários, os quais possuem uma relevância extraordinária para a humanidade, mantendo viva em nossa memória fatos históricos importantes, inclusive aqueles que desejamos que nunca mais ocorram.

Cinema é entretenimento! Comumente ele provoca uma mistura contrastante de atenção com relaxamento. De qualquer forma, a responsabilidade de quem escreve, dirige, produz, é imensa. Mesmo na ficção, não podemos incluir elementos que distorcem a realidade dos fatos, culminando na desinformação. A partir do momento em que somos honestos com a nossa história e com o mundo que nos rodeia, podemos, sim, produzir fantasias, comédias, romances. Afinal, essa é a principal função do Cinema de hoje e de outrora, provocar o escapismo do mundo real para um universo em que o observador possa mergulhar em uma trama imaginada e criada por outrem.

*O texto é de livre pensamento do colunista*


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Giovandre Silvatece – *Reside em Vitória/ES *Roteirista *Servidor Público. / (Imagem: Divulgação)

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