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Djuly: mulher de liderança

Djulielen Karla Santos Teixeira, 28, educadora social, articuladora, mobilizadora, coordenadora do Coletivo Bonde da Praça. / Foto: Thais Gobbo.

Djulielen Karla Santos Teixeira, 28, coordenadora do Coletivo Bonde da Praça, cofundadora e cogestora do Fórum de Juventudes do Território do Bem (FJTB). / Foto capa: Thais Gobbo.

O Jornal Merkato inicia neste mês a série “Mulheres do Bem”. Na ocasião, mulheres pertencentes as comunidades do Bairro da Penha, São Benedito, Itararé, Bonfim, Consolação, Gurigica, Jaburu, Floresta e Engenharia terão suas memórias e feitos narrados no que tange à colaboração dos seus trabalhos comunitários, resultando em transformações sociais no passado e presente do Território do Bem.

E nessa temática, a primeira mulher a contar sua essência de vida, é a Djulielen Karla Santos Teixeira, 28, mais conhecida como Djuly, moradora da comunidade Engenharia.

A nossa entrevistada, além de simpática e altruísta, é educadora social, articuladora, mobilizadora, coordenadora do Coletivo Bonde da Praça, cofundadora e cogestora do Fórum de Juventudes do Território do Bem (FJTB) e fotógrafa.

Confira agora uma história de vida, que desde o ventre materno, resistiu à violência. É história de perseverança, resiliência, de transformação social e de comportamento; uma jovem apaixonada por seu território. Essa mulher do Bem me ensinou, durante a entrevista, o quanto que o jornalista precisa de ouvir a voz do coração de sua fonte e viajar com sensibilidade na história narrada por ela.

1 – Djuly, me conta um pouco da sua história de vida na infância e adolescência.

Eu nasci em Serra-ES, em 1995, 25 de abril, às 12h45. Foi um sufoco com minha mãe na parte da manhã. A gestação da minha mãe foi complicada. Ela não sabia da minha existência dentro dela e, quando ela soube, tentou me tirar tomando remédio, surpreendentemente, eu fui parar na coluna dela e o efeito do remédio não fez nada em mim. Quando ela foi ao médico, teve que me tirar as pressas. Eu nasci de seis (06) meses.

Fui criada no bairro Engenharia. Aqui começa meu crescimento e convívio com a comunidade. Já morei na casa da minha vó Maria, em Feu Rosa, mas voltei pro Engenharia com 11 anos. Já na adolescência eu larguei os estudos. Eu estudei até o ensino fundamental. Aí eu tinha que trabalhar. O meu primeiro trabalho remunerado foi numa lanchonete de uma amiga da minha mãe, eu tinha 17 anos.

2 – Nesse tempo de adolescente, o que balizou a sua vida? O que você gostaria de compartilhar com o leitor a respeito de conflitos vencidos nessa etapa?

Eu decidi largar a escola. Então eu fiquei sem emprego. Eu comecei a me aproximar de algumas amizades que me possibilitou a ter uns pensamentos e atitudes contrárias aos dias de hoje. Já produzi entorpecentes… já passei adiante, mas é um trabalho que em nenhuma instância eu penso em fazer novamente, e não quero que os jovens façam… E depois de muito tempo, eu perco meu irmão em 2015, por causa de rixa do tráfico. Ele morreu com 23 anos e eu tinha 20 anos de idade. Eu perco toda a minhas ligações de mente, fiquei perturbada. Depois dessa situação, eu entrei pra igreja, fiquei 1 ano e 5 meses em uma igreja evangélica. Nisso, quando entro pra igreja, minha mãe foi diagnosticada com um coágulo no cérebro, após a morte do meu irmão.  Ela teve uma depressão devido a morte dele. Ela ficou dois anos internada em um hospital. Eu parei de trabalhar na lanchonete pra ficar com ela. Foi muito difícil… muito difícil… Eu e minha vó cuidamos dela. Então, eu entrei pra igreja por causa da morte do meu irmão, antes de fazer merda…. A igreja é pra ajudar a gente, pra suprir uma dor… Tirar a gente de uma sofrência que a morte nos traz. Foi a válvula de escape pra mim naquele momento, até pra não entrar no tráfico.

3 – A igreja te acolheu nesse seu tempo de angústias, sendo um espaço de apoio. Me conta outro espaço de apoio e transformação que contribuiu para seu amadurecimento como pessoa e moradora do Engenharia?

Morando no bairro Engenharia, entre 2017 pra 2018, a Marly fez algumas oficinas no Engenharia… Me deparo com uma pessoa que participa de várias oficinas… A gente troca telefone e começa a conversar. Eu disse a ela o quanto eu queria conhecer minha comunidade. Nesse tempo, eu tinha sede de participar de várias palestras… e foi quando eu entrei no Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) – abriu um leque de possibilidades de coisas que eu poderia fazer, isso em 2018.  Quando eu entro, eu me vejo. Me reconheço.

4 – Você é uma mulher que se engaja em projetos sociais. Na sua opinião, o que um projeto social pode ser útil como um lugar psicológico, relacional, político, social para o jovem da comunidade se entender como agente comunitário?

O resultado da minha vida nos últimos cinco anos, é tudo social. O avanço de comportamento, postura, mente. Tudo foi o meio social. Foi o lugar em que eu consegui respirar, analisar, ter informações e me sentir bem e, ainda consigo dar continuidade a minha vida e escrever minha história. Foi aqui que eu comecei a me qualificar. Fiz curso de barbeira, de cuidadora social na Ufes. Eu começo a me qualificar enquanto um ser ‘vivante’ e vivente no Território do Bem. Hoje, já estou estudando Logística no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Eu não tinha visão de vida, achava que era só trabalhar pra não passar fome. Hoje eu sei e entendo, e ainda dito pra vários jovens: ‘foi o meio social que me fez ser o que sou hoje’.

“…Eles falam que a gente tem que ser alguém na vida, e esse alguém na vida, eu acho muito engraçado. A gente sempre é alguém. Não tem essa de ser alguém na vida, já somos. Só basta potencializar”. / Foto: Thais Gobbo.

5 – E quando foi o start em sua vida em querer participar dos movimentos sociais para se envolver com as demandas do seu bairro?

Foi quando a gente participava do Fórum Bem Maior. Eu, a Crislayne e a Marly. Aqui surgiu a necessidade de criar nosso próprio cantinho. Foi quando a gente criou o Fórum de Juventude do Território do Bem (FJTB). E foi aí que a gente passou a andar pelas comunidades e receber as demandas dos moradores. A gente viu o quanto era necessário de alguém do Fórum de Juventude representar a gente nesses espaços de poder, como o Conselho Municipal de Juventude de Vitória/ES (Conjuvi), o Conselho Estadual da Juventude (Cejuve)… aí a gente começa entender em ocupar esses espaços pra que a comunidade seja atendida, isso em 2019.

6 – Você faz parte do Coletivo Bonde da Praça, do FJTB, do Cejuve e ainda produziu um documentário. Vamos tentar fazer um panorama disso tudo e explicar para o leitor o que você realiza nessas frentes.

O Coletivo Bonde da Praça é uma junção de pessoas que pensam em mudar a realidade da comunidade, através de atividades de mobilização cultural, econômica, esportiva, empreendedora. O Coletivo criou o documentário Dona’s, que reúne as memórias de cinco mulheres negras, fundadoras do bairro Engenharia. Depois a gente realiza o Dona’s Fragmentos… são pequenos vídeos que retratam a vida de mulheres empreendedoras do Território do Bem… Depois a gente pensa no Engenharia Cultural, é um evento que é realizado o dia todo com palestras, atividades culturais, trabalhando com a comunidade.

No FJTB – Fórum de Juventude – temos 15 jovens ativos e sete coletivos… o Fórum é uma junção dos coletivos do Bem. Ele funciona desde 2018, as reuniões acontecem de forma itinerantes, como em casas de moradores, na laje, nas associações, nas praças, uma organização que trabalha com as juventudes do território.

E, no Conselho Estadual da Juventude (Cejuve), eu atuo como conselheira, represento o FJTB. Aqui eu vejo o quanto é importante a gente pontuar e garantir os direitos da juventude.

7 – Qual a importância para o jovem, em um primeiro momento, se engajar na política comunitária para que depois, este possa ingressar nas políticas instrumentais ou institucionais?

A minha ideia é fazer com que a política comunitária seja mais acessível, mais compreensível, porque a política, em si, é chata pro jovem. É nesse momento que eu deixo pra todas as juventudes: ‘você já é uma pessoa política’. Olha sua comunidade. Não é normal sua comunidade ficar sem água, sem luz…, a escada da sua comunidade ficar sem corrimão. O que a gente faz como Fórum é mostrar a forma da política comunitária como se fosse a sua vida mesmo, a vida do jovem. Se a gente não fizer nada, vamos continuar do mesmo jeito. Então quanto mais tempo a gente conseguir informar essa juventude, que tá com 15 e 16 anos de idade, o resultado vai ser melhor.

8 – Deixa uma palavra final. Ser mulher preta, moradora da periferia do Bem, é?

É maravilhoso. É impactante. Mexe muito com minha estrutura, com a minha vida. Foi aqui que eu aprendi a ser uma mulher preta, a me reconhecer. E uma mulher preta lésbica, que nem isso eu falava. Hoje eu tenho tranquilidade de dizer que eu sou uma mulher jovem, preta, lésbica do Território do Bem. Que pensa possibilidades, soluções pra todos da comunidade, seja diretamente ou indiretamente. Eu acho que tô conseguindo. Isso traz uma felicidade. Espero que a comunidade enxergue seu potencial.

Eu gostaria de agradecer ao jornal, de estar no livro da Lais e fazer parte desse território tão rico, harmonioso, excelente e poder contar um pouquinho que consegui fazer. Também agradecer ao Ateliê de Ideias, que trabalho desde 2019. Essas pessoas, esses coletivos, eu sempre vou carregar comigo.

O Engenharia me traz e ainda consegue me trazer, a comunhão, amor, companheirismo e afeto. A comunidade que consegue me dizer muitas coisas para além das ocorrências de violência, a comunidade me passa o amor ao próximo.

 

 

 

 

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