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Coluna Letrados
Por: Waleska Betini – Mestra em Educação
Caro, leitor da coluna Letrados! Iniciamos o mês de fevereiro trazendo reflexões sobre a relevância da educação infantil para as crianças de zero a cinco anos de idade, suas famílias, docentes e à sociedade de forma em geral.
Diante disso, é pertinente conceituá-la como a primeira etapa da educação básica, que educa e cuida de crianças tendo como eixos norteadores as interações e as brincadeiras, na interface com as múltiplas linguagens.
Neste espaço, pretendo abordar as contribuições que ela pode trazer para o cenário atual, sobretudo, no que diz respeito à violência doméstica.
Diante do exposto, destaco a notoriedade de uma educação problematizadora e libertadora, conforme ensinou o educador Paulo Freire, em sua obra: “Pedagogia do Oprimido”, que abomina qualquer forma de educação que aprisiona e domina o ser humano, que o apossa, conforme percebemos no tratamento dado às mulheres, em muitas situações.
Este texto é uma convocação para você, leitor, entender que a educação infantil deve dialogar com a realidade onde as crianças estão inseridas, logo, requer apresentar algumas práticas pedagógicas que se embasam nos quatro pilares da educação do século XXI, que são: “aprender a conhecer, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a conviver”, conforme apresentados por Jaques Delors (Unesco,1999).

Neste texto, ressalto a importância de uma educação dialógica aliada ao uso do jornal impresso, como possibilidades de alargar a consciência das crianças sobre a desvalorização das mulheres na atualidade, das suas famílias e da comunidade em geral.
Infelizmente, os noticiários, nos meios de comunicação tradicional, têm evidenciados, constantemente, histórias de violência doméstica. Contudo, engana-se quem pensa que as crianças estão alheias à temática, (mesmo se tratando de um fenômeno multifacetado e complexo, como afirma a filósofa Marilena Chauí, na obra, “Convite à Filosofia), em que afirma sobre o conceito. Este abarca diversos aspectos, dentre eles, o poder, a autoridade, a força e/ou da coação (para impor, constranger e oprimir alguém, para fazer algo contrário à sua vontade). Ela cita os tipos de violência que são: física, psicológica, moral, sexual, patrimonial, entre outras.
Quanto ao conceito de mulher, ele está atrelado a aspectos etários, econômicos, étnicos, raciais, de classe social entre outros. Assim, é crucial analisar o contexto histórico e cultural mais amplo para compreender, por que as mulheres foram e ainda são as principais vítimas da violência doméstica. Por que ela tem aumentado, (mesmo com avanços nas leis)? O que fazer para diminuir os dados atuais do Mapa da Violência?
No que tange ao contexto micro das instituições infantis, as questões são: como proceder com as crianças e com as famílias? O que dizer para os meninos em relação as meninas? Como ensinar as meninas a reconhecerem situações de abuso? Como agir, diante das colegas de profissão, que desconsideram a relevância do tema? Como encorajar a fala daquelas que sentem medo? Como compreender o silêncio, se a maioria das equipes são compostas por mulheres? Como envolver as famílias e a comunidade em geral?
Com base nessas indagações, precisamos de nos reconhecer enquanto seres capazes de transformar nossa realidade fazendo proposições com toda a comunidade escolar. Conforme feito numa turma de crianças de seis anos de idade, em agosto de 2019, num Centro Municipal de Educação Infantil de Vitória, (CMEI), envolvendo as famílias entre outros. O tema emergiu nas falas das crianças sobre situações familiares. Algumas narrativas revelaram enunciados da mídia, inclusive indicando a problemática da dependência financeira das mulheres, entre outras. As crianças relataram casos vivenciados e outros assistidos na televisão.
Numa das rodas de leitura, o tema emergiu com a leitura de uma notícia do jornal “A Tribuna”, no dia 20/08/2019: “Mulheres preferem viajar a se casar”. As crianças foram estimuladas a falar sobre os possíveis motivos da mudança no comportamento das mulheres. Elas explicaram que, muitas têm medo de sofrerem violência, citando que estão estudando, realizando sonhos entre outros.
Após a leitura, foi explicado que tais transformações ocorreram ao longo do tempo, enfatizando algumas delas, sobretudo, pontuando que a mulher é um sujeito de direitos, portanto, precisa de ser respeitada nas suas escolhas. E que, o respeito é um comportamento aprendido em diferentes contextos.

De forma geral, as crianças foram responsivas em todo o processo: desenhando, falando, perguntando, contrapondo ideias, especialmente, quando souberam que no passado não era permitido que a mulher trabalhasse fora de casa, que escolhesse o próprio marido, proibida de votar, entre outros aspectos.
Diante da interação, várias crianças descreveram o seu cotidiano em casa. E, na sequência, as famílias foram envolvidas para responder um questionário sobre o tema, visitar a exposição das crianças para conhecer novas formas de combate à violência contra a mulher, dentre eles, o disque denúncia, os abrigos, a lei Maria da Penha, entre outras.
Durante a exposição dos trabalhos feitos pelas crianças foi percebido admiração pelas produções. Além de espanto e emoção por parte de muitos, uma vez que os sentidos atribuídos pelos sujeitos envolvidos foram muitos significativos. Por outro lado, algumas docentes perceberam que para discutir sobre a violência faz-se urgente abordar, sobre a valorização da mulher.
Portanto, as práticas pedagógicas desenvolvidas atenderam aos objetivos de “combater qualquer forma de discriminação, preconceito ou violência”, conforme preconiza as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, de 2009, elaboradas pelo Ministério da Educação e Cultura.
Se faz necessário ampliar, dialogar e evidenciar assuntos que refletem o cotidiano de nossa sociedade, no ambiente da educação infantil, que, de fato, é um espaço de aprendizagem para combater toda e qualquer estrutura de preconceito e ideologias nocivas, que interrompam o crescimento holístico das crianças, claro, tudo dentro da linguagem deles, sem atribuir problematizações complexas, mas inteligíveis de acordo com a faixa etária.
*O texto é de livre pensamento da colunista*
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