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Mestre Zé Branco, sabedoria na capoeira capixaba

Mestre Zé Branco ministra aula de capoeira em um projeto social na Associação de Moradores, em Cariacica. / Foto: Welley Pereira Rodrigues – WPR Produções e Eventos/ Contato: (27) 99237-7273.

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Entrevista/Capoeira ES
Por: José SalucciJornalista e diretor do Merkato

O Merkato continua a sequência das entrevistas realizadas em 31 de janeiro a 02 de fevereiro, em Cachoeiro de Itapemirim, no Hotel Caiçara, onde aconteceu o “3º Encontro Estadual de Salvaguarda da Roda de Capoeira e Ofício das Mestras e dos Mestres de Capoeira no Espírito Santo”.

O evento reuniu detentores da capoeira, além de agentes culturais, com o intuito de formular o Plano de Salvaguarda do bem cultural no estado do Espírito Santo.

Merkato apresenta José Augusto Bastos, Mestre Zé Branco, com 65 anos de idade, 50 de capoeira, um dos mais antigos Mestres em atividade no Espírito Santo.

Mestre Zé Branco conversou com a reportagem no Hotel Caiçara, no dia do evento, fez sua análise sobre o Plano de Salvaguarda, revelou os Grupos de Trabalho (GTs) que mais o interessou, além de analisar criticamente o assunto sobre campeonatos de capoeira e memória de Mestres e Mestras.

Confira a entrevista!

1 – Mestre Zé Branco, o que a capoeira representa para o senhor?

É vida. É tudo. Amo a capoeira. Tá no slogan da camisa do meu grupo Associação São Salvador de Capoeira e Cultura, criado por mim: Capoeira não é raça, capoeira não é cor. Capoeira tá no sangue, capoeira é só amor.

2 – Conte-me uma vivência sua na capoeira?

Conheci a capoeira através do Robson, ele ensinava pra gente no bairro, em Cariacica; comecei na Capoeira de Rua. A capoeira era só mesmo amor e para ajudar os amigos do meu bairro, porque a pessoa que começou a me ensinar faleceu cedo, aí eu assumi. Os alunos me pediram para eu não parar. E aí eu tive que me filiar à Associação de Capoeira Ganga Zumba, no Centro de Vitória, do finado Me. Cabral, na época ele nem era mestre ainda.

Eu fui apadrinhado pelo Mestre Chita, de Niterói, que era o Mestre do professor Cabral na época, que gostou muito da minha pessoa e começou a me graduar dali por diante. Todo evento nosso, ele vinha do Rio de Janeiro para me entregar as graduações.

3 – Já que o senhor tocou no assunto de Mestre, o 3º Encontro Estadual do Plano de Salvaguarda da Capoeira do ES” debateu o ofício dos Mestres e Mestras, destacando o cuidado da preservação da memória desses detentores, o que tem a dizer?

Então, existe, entre aspas, Mestres e Mestres, tá! É igual foi comentado aqui, durante a palestra que, alguns se tornaram mestres porque compraram a corda.

Eu vejo que, essas pessoas têm o título, mas não são reconhecidas pelos grupos de Mestres que seguiram à risca as suas graduações, entende? Eles têm o título, mas não estão incluídos.

Nós, que temos um currículo, somos desejados pela população. A pessoa não pode ter nenhum respingo na carreira dele, nenhuma sujeira para que ninguém venha falar.

Então, o meu nome lá no meu bairro, ou no estado do Espírito Santo, é superindicado por todo mundo. Você não precisa de ficar falando de você. Aqui na palestra, eu não falei de mim, quem fala de mim são os outros.

Eu tive um exemplo assim, eu estava num evento do Campeonato de Capoeira, que teve agora pela federação, na Arena de Verão, em Camburi. E tinha um Mestre sentado ao meu lado, e todo mundo que chegava vinha me abraçar, e me cumprimentar. E sabiam que ele também era Mestre. Então, é a visão do povo com você.

E outra coisa que é muito importante, muitos outros Mestres, de outros grupos, ou alunos, me tomam benção, porque eu sou um dos mais antigos Mestres de Capoeira em atividade no Espírito Santo, e, também por causa da minha índole, como Mestre de Capoeira, minha história é limpa.

4 – E o Plano de Salvaguarda da Capoeira do ES, de um modo geral, qual a sua visão de tudo o que foi fomentado, discutido, construído e elaborado nesse evento?

Então, eu comecei lá no segundo encontro que teve em Vitória. Então, é um evento muito importante, porque muitos Mestres que vivem da capoeira, eles precisam de ajuda. E o IPHAN, com esse projeto que está sendo encerrado em Cachoeiro, é muito importante para que esses Mestres possam ter alguma coisa no futuro, não acontecer igual com os Mestres antigos, que alguns morreram lá na sarjeta, né! Sem ter uma ajuda de ninguém. A ajuda que eles receberam foram dos próprios alunos deles, não teve ajuda de governos.

Por isso, eu sempre conciliei, trabalho com capoeira. Sou aposentado, mas trabalhei como operador de equipamentos por 33 anos.

Mestre Zé Branco discursando durante um GT no “3º Encontro Estadual de Salvaguarda da Roda de Capoeira”. / Foto: Welley Pereira Rodrigues – WPR Produções e Eventos/ Contato: (27) 99237-7273. Clique na imagem!

5 – Entre os Grupos de Trabalho (GTs) apresentados, quais foram os mais relevantes na sua visão?

Eu queria entrar mais em detalhes sobre o GT de capoeiras nas escolas, que isso é difícil para acontecer. Falar mais da fiscalização, dos recursos.

E teve o “GT Racismo Religioso”, porque na bíblia fala que a gente tem que ter tempo pra tudo. Então, tem hora que não é tempo de você falar de Deus, de bíblia, entende? Tem hora que você tem que ficar calado.

Eu sou evangélico, mas os meus amigos, que são umbandistas, sou amigo deles e não da religião. A religião todos os capoeiristas têm a sua. Eu sou amigo da pessoa… A gente não pode misturar… Eu fiz uma roda de capoeira dentro do templo da minha igreja, meu pastor pediu…

Então, quer dizer, às vezes as pessoas deturpam um pouquinho sobre isso aí. Falta de sabedoriaaaaa!

6 – Quando se fala em racismo religioso na capoeira, o que pensa?

Existiu, existe e vai existir. Não tem jeito. Isso aí são pessoas hipócritas… A capoeira é de todos, independentemente da cor, credo e raça. Nasceu uma sementinha lá na África, veio para o Brasil, foi plantada e germinou aqui, juntamente com os índios. Mas ela é brasileira, é de todo mundo.

A capoeira é o esporte que mais divulga a língua brasileira fora do Brasil. Então, ela é uma arte linda! Por isso que eu estou com ela até hoje, com 50 anos de capoeira e 65 de idade, não consigo parar.

7 – Vamos falar de outro GT. A polêmica: ter ou não ter campeonato de capoeira? Qual é a sua visão?

Então, eu não sou muito a favor. Porque nós estamos lidando com crianças, adolescentes e jovens, e muitos deles não entendem o que é perder. Então, a gente tem que ter muita sensibilidade para fazer esses campeonatos.

8 – Me. Zé Branco, o senhor foi um dos juízes no 1º Campeonato de Capoeira na Arena de Verão, na Praia de Camburi, não fica contraditório ser contra campeonato estando inserido na arbitragem?

Então, fica um pouco contraditório, mas eu quis ir mais para aprender, para lidar com essa situação, experimentar o ambiente. Porque mesmo eu tendo 65 anos de idade e 50 de capoeira, eu ainda estou aprendendo, cara. Eu tô na estrada aprendendo igual esses dias aqui no evento.


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