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“Somos descendentes de reis e rainhas”

“Corra e olha o céu… Que o Sol vem trazer…Bom dia”. Trecho da música do compositor e cantor Cartola, interpretado pela voz de Beth Carvalho, em seu álbum “Coração Feliz”, lançado em 1984. A época, não somente essa música ganhava notoriedade, mas também Monique Rocha, que nascia ao universo do ser. Inclusive, é o mesmo ano em que eu nasci, então, como ainda eu não era jornalista, agora, eu posso correr para olhar o céu: O céu capixaba. De uma estrela que brilha musicalidade popular brasileira, unindo o congo e o samba.

Sua influência musical vem de seu pai. Colocava para tocar os vinis de MPB, sambas antigos e clássicos do rock. Isso tudo ela ouviu na adolescência, onde começou a gostar da Bethânia, da Gal, do Chico, entre outros. Porém, junto com as amigas, claro, também não resistiu ao som de Sandy e Júnior; confesso que também cedi os meus ouvidos e coração à dupla.

De formação católica, hoje, Monique se entende na religião Umbanda, disse que é como um psicólogo para ela, e também trilha seus passos nessa fé, por reconhecer que essa religião promove caridade. Quando o assunto é devoção, a cantora trilha seus passos em São Benedito, por ter envolvimento com o congo capixaba, Nossa Senhora da Penha e crenças em horóscopo. A cantora de 37 anos de idade pertence ao signo de sagitário: Personalidades otimistas, idealistas e muito inteligentes, são características marcantes desse esoterismo. No decorrer da entrevista você acompanha a confirmação dessa sincronia de persona, trabalho e fé numa estética afro-religiosa.

1 – Monique Rocha, me conte sobre sua formação superior. Fala um pouco das Artes Plásticas e o teatro em sua vida. O que isso integra na sua musicalidade e personalidade?

Minha formação é em Artes Plásticas pela Ufes, me formei em artes porque minha mãe também é formada em artes, desde a minha adolescência eu fazia curso de pintura, de desenho, e em um desses cursos eu conheci o meu professor. Ele que me convidou pra fazer parte do grupo de teatro e desde então a gente trabalhou um bom tempo, durante 15 anos, a princípio eu entrei como aluna e depois eu fui fazer parte desse grupo de teatro que era o Cia Makuamba, dirigido pelo professor Nysio Crysostomo. Ele era um diretor que veio do Rio de Janeiro, eu aprendi muita coisa, principalmente na área do teatro, na área da cultura, um olhar voltado para as questões sociais. E desde 2016, quando ele faleceu, o grupo acabou, e desde então, eu já vinha trabalhando com música, mas a partir do falecimento dele eu não me envolvi mais com o grupo de teatro. Atuo como professora de teatro. E nisso tudo, ter formado em Artes Plásticas me deu um olhar bem visual do meu trabalho com a música. E o teatro é essa parte de contar histórias. Meu repertório sempre é nessa linha, de contar uma história.

2– Representar a cultura afro-brasileira é uma marca de seu trabalho e talento. Comente sobre a sua voz ser um instrumento de luta para a liberdade de igualdade racial. 

Eu acho que é isso que você falou. A minha voz na verdade é um instrumento para se levantar várias questões. Não só a questão da negritude; da religiosidade, como eu disse: Eu sou umbandista, né. Realmente é a religião que eu sigo. E outras bandeiras que eu também levanto: a da mulher; da força da mulher, principalmente da força da mulher no samba, no qual a gente tem muito machismo na área da música, principalmente no samba, que não deveria ter, mas é isso… Eu acho que a arte tem esse poder, e eu me coloco à disposição da arte para isso: para ser um instrumento.

3 – Em 13 de fevereiro de 2022 você lançou o vídeoclipe do samba-congo “Dona Astrogilda”, em homenagem à Dona Astrogilda Ribeiro, a Rainha do Congo do Espírito Santo. Nessa obra você ajuda a escrever a história musical e cultural da terra capixaba. Fale desse legado que você imprimiu como artista.

Sobre a música “Dona Astrogilda” eu realmente conheci a Dona Astrogilda Ribeiro. Foi uma mulher que viveu em Vila do Riacho – Aracruz, em que eu tive o prazer de conviver com ela. Eu sempre tive o costume de ir à Regência. Parar pra tomar água, pedir ‘bençã’. E em uma dessas paradas eu fiz essa música. E eu guardei essa música durante muitos anos. Essa composição foi feita entre os anos de 2009 e 2010. Em 2018, eu mostrei essa música para Dona Astrogilda. Aí, desde então, eu começo a batalhar pra vê se eu conseguia gravar a música e gravar o videoclipe. Quando finalmente eu consigo ganhar no edital, veio a pandemia da covid-19, no meio da pandemia, a Dona Astrogilda veio a falecer. Mas ela soube dessa homenagem. Então a homenagem ficou mais urgente, mais necessária. No videoclipe ela não aparece, obviamente, porque não estava mais neste mundo, mas eu tive a ideia de substituir a presença física dela, convidando a rainha do congo lá de Vila do Riacho, que representou ela… É como se o espírito da Dona Astrogilda tivesse ali com a gente, né. Abençoando-me em todo esse legado que eu quero passar: a história dela e a mistura do congo com o samba, representando a cultura negra e popular brasileira.

4 – Vamos falar do seu mais recente projeto “Sou Negra”. Nele você lançou um clipe com a música “Sou Negro” em 13 de maio de 2022, porém, a música, foi lançada antes, em 2020. Conta pra gente o envolve a repercussão dessa canção, a produção do clipe e outros detalhes que entender necessário, como por exemplo, as datas escolhidas para lançamento desse trabalho.

No dia 20 de novembro de 2020 eu lancei a música “Sou Negro”, que faz parte de um repertório de músicas autorais. Foi meu primeiro ‘single’. Lancei no dia da consciência negra, e foi um ano que estávamos falando muito de direitos do povo preto, a gente teve o assassinato do George Floyd nos E.U.A. Então estava em voga o assunto. No finalzinho de 2021 eu fui contemplada no edital Aldir Blanc da cidade de Vitória para conseguir botar em prática minha ideia desse videoclipe. E aí o videoclipe retrata um casal da realeza africana, em plena favela brasileira, para dizer que não somos descendentes de escravos, somos descendentes de reis e rainhas. Esse casal é representado por mim e pelo compositor da música, que é o meu marido, Jean Carlos, e, em contraponto com essa história, eu convidei várias personalidades negras do nosso estado e de vários segmentos. Sobre o videoclipe ainda, o 13 de maio é uma data que o movimento negro usa para chamar atenção contra o racismo e costuma não comemorar. Por que não comemoramos? Porque a gente aprende na escola que a liberdade nos foi dada. Porém essa liberdade veio encima de muito sangue, de muita luta. Outra curiosidade da produção do videoclipe, é que encomendei para o Gustavo Forde, que é um professor da Ufes, na área da educação, também do movimento negro, que fizesse esse paralelo do 13 de maio com o lançamento do meu videoclipe. Consegui realmente o que eu queria. Não só divulgar meu trabalho, mas divulgar as pautas em que eu acredito.

“Sou Negro” consolidou aquilo que eu já venho trabalhando. / Foto: Thais Gobbo.

5 – Você vai percorrer o ano de 2022 com o projeto “Sou Negra”?

Em relação a esse projeto ainda não tô com nada em mente, porque, realmente, fazer show autoral, é algo complicado, só quem faz música autoral sabe. Eu acho que eu comecei muito bem em 2021. Consegui fazer três lives via edital. Na pandemia, os editais proporcionaram seguir quem trabalha com a arte, mas em 2022 não tenho nada agendado. Mas é isso, por essa dificuldade mesmo de não ser um show tão comercial, ainda não estou me apresentando de forma totalmente autoral, é muito mais fácil vender musicas conhecidas, então é mais uma batalha, é mais uma bandeira que eu levanto: o trabalho autoral.

6 – Quais foram as conquistas que você obteve com a música “Sou Negro”?

Consolidar aquilo que eu já vinha construindo em 20 anos de carreira.  Ter firmado mesmo o meu estilo, a minha identidade. Para quem acompanha o meu trabalho percebe que eu não sou contraditória dentro daquilo que eu faço, é uma trajetória que vem se desenhando. Então o “Sou Negro” consolidou aquilo que eu já venho trabalhando e, pelo fato, de ter passado na televisão, a época do lançamento, também me proporcionou certa visibilidade, né. Fortaleceu essa identidade desse trabalho autoral, que não é a Monique que faz couver, é a Monique fazendo as músicas que ela quer cantar, independente de serem músicas conhecidas. É para eu mostrar a minha cara, então eu acho que a minha maior conquista foi essa.

7 – Seus parceiros musicais (compositores), no que eles já contribuíram para a sua formação profissional, cite alguns destes? 

Tenho uma parceria com o meu companheiro. É uma coisa que eu acho que preciso desenvolver mais, me dedicar mais. Eu sempre tô produzindo minhas coisas e me toma muito tempo e ainda parar pra me dedicar mais pra composição. No “Sou Negra” eu trouxe compositores que eu admiro muito, que são pessoas próximas minhas. Para o próximo CD quero trazer outros compositores que eu admiro que eu já venho pesquisando, mas basicamente capixabas. Também é uma das outras bandeiras que eu levanto. De ser bairrista mesmo. De trazer aquilo que é nosso. Um dos compositores é o Marcelo Rosário, que eu amo. Ele compôs duas canções para o álbum “Sou Negra” e têm três composições do meu marido. Sou suspeita de falar, (risos), enfim. Ele já começa compor coisas para eu cantar. Obviamente, eu vou fazer uma comparação um pouco exagerada. É como se fosse o Paulo César Pinheiro com a Clara Nunes. O Paulo Cézar Pinheiro começa, em um determinado momento, já compor para a Clara, pensando na voz da Clara. E meu marido faz isso, já pensa no meu timbre. É muito louco isso. Ele consegue acertar. Aí é legal, como a gente é casado, ainda dou pitaco nas músicas.

8 – Agradecimentos.

Agradecer ao Diverge pelo contato. Por esse interesse no meu trabalho, na minha obra, no que eu venho produzindo. Eu acho que a gente tá precisando de mais pessoas como você. Tá faltando aqui em nossa cultura. A gente tá muito ligado no que vem de fora, acho que a gente precisa se voltar mais para dentro, acho que falta isso. Obrigada!

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