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Política/Saúde
Por: Redação
A obesidade tem sido retratada como problema de saúde pública. Em cada 100 crianças, cerca de 31, de até nove anos de idade, tem excesso de peso no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Com base no último ano, 2024, os números mostram que 17% delas têm sobrepeso, 8,4% tem obesidade e 5,6% estão em condição de obesidade grave.
E, em Vitória/ES, o enfrentamento a esse problema apresentou índices preocupantes no Ranking de Competitividade dos Municípios. A capital capixaba está na 307ª posição, após cair 109 posições em relação ao ano anterior.
Ao olhar para os números do Ministério da Saúde, Vitória também tem registros semelhantes ao percentual nacional, apresentando 30% das crianças até nove anos de idade enfrentando a obesidade. Em números totais, são 5.629 crianças com peso acima do ideal na cidade, conforme registro do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
O vereador Bruno Malias (PSB) encaminhou à Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) a indicação nº1295/2025, no dia 31 de janeiro, para cobrar atenção às medidas necessárias para redução da obesidade infantil na cidade. A Prefeitura tem 30 dias para responder ao Poder Legislativo o encaminhamento dado ao tema.

Malias é ex-jogador da seleção brasileira de futebol de areia e mantém, há anos, projetos esportivos voltados para crianças. Ele destacou que a obesidade precisa ser encarada de diversas formas.

“Esse é um problema com diferentes fatores envolvidos, mas como recomendam as instituições de saúde, é urgente a adoção de medidas como a redução da utilização das telas e do consumo de alimentos processados e o incentivo à realização de atividades físicas pelas crianças. Vamos cobrar que o município tenha um plano de controle e redução da obesidade infantil”, disse Malias.
Análise profissional
Aparecendo como um ponto de interseção no combate à obesidade, a professora e pesquisadora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Danielle Cabrini, que atua nas áreas de alimentação e cultura e políticas públicas em saúde, opina. “A obesidade é considerada um problema de saúde pública e é uma condição complexa e multifatorial, que requer ações governamentais em diferentes setores para prevenir, controlar e mitigar o seu avanço”, disse.
De acordo com a pesquisadora, é preciso pensar em uma cidade segura e com espaços públicos para possibilitar que crianças brinquem, pratiquem atividades físicas e possam se locomover a pé, no entorno da casa e da escola, por exemplo.
Controlar o consumo de alimentos ultraprocessados – aqueles que passam por várias etapas de processamento industrial e contêm muitos aditivos químicos, se torna necessário ao Poder Público na hora que o assunto é merenda escolar.
“Limitar o uso de alimentos ultraprocessados na alimentação escolar é uma iniciativa importante, mas é preciso ir além. É preciso regular a publicidade infantil desses alimentos, promover ações de educação alimentar e nutricional nas escolas, estímulo a realização de oficinas culinárias, produção de hortas escolares e, também ações na comunidade, além de estímulos fiscais aos produtores de alimentos in natura”, ratificou a nutricionista e Doutora em Saúde Coletiva, Danielle Cabrini.

Governo federal vai reduzir industrializados na merenda
No sentido de melhorar a alimentação das crianças, o Governo Federal publicou uma resolução na última terça-feira (04), para reduzir de 20% para 15% o limite de alimentos processados e ultraprocessados que poderão compor o cardápio das escolas públicas brasileiras em 2025, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Em 2026, o limite de ultraprocessados na merenda será reduzido ainda mais, para até 10%. O programa atende 40 milhões de crianças e jovens em 150 mil escolas dos 5.570 municípios do Brasil. O objetivo é oferecer alimentação mais saudável aos estudantes, priorizando alimentos mais nutritivos, produção local e maior diversidade de cultura alimentar das regiões do país, segundo informou a Agência Brasil.
Diante dos índices evidenciados na reportagem, a Doutora Danielle Cabrini pontua duas outras complexidades para a tentativa de resolução no tratamento de casos de obesidade infantil: desigualdade social e infraestrutura urbana. Sendo assim, é algo que vai além de uma simples escolha em querer se alimentar de maneira saudável, já que determinados grupos sociais ficam refém de políticas públicas minguadas.
Nesse cenário, pode-se entender que, os fatores da obesidade estão envolvidos nas esferas econômicas, culturais, sociais, políticas, biológicas e ambientais, as quais permitem compreender a obesidade numa visão de sindemia – interação entre problemas de saúde que se agravam mutuamente.
“Penso que, um dos principais desafios é a desigualdade social. Em áreas mais carentes, o acesso a alimentos saudáveis é limitado, e muitas vezes os alimentos ultraprocessados são mais baratos e acessíveis. Outro desafio é a falta de infraestrutura adequada para a prática de atividades físicas, como parques e quadras esportivas. Além disso, há uma necessidade de maior integração entre as políticas públicas de saúde, educação, assistência social, desenvolvimento e urbanismo para abordar o problema de forma eficaz”, concluiu.
Fonte: Os dados foram retirados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
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