Coluna Polítikus
Por: José Salucci – Jornalista
Antigos aliados, executivos e atuais membros do governo colecionam declarações históricas de acusações que o debate político tenta varrer para debaixo do tapete.
Há uma regra não escrita no debate público brasileiro: se a oposição aponta deslizes éticos no governo, trata-se de retórica partidária. O problema surge quando a lista dos críticos inclui os próprios companheiros de jornada, marqueteiros, delatores da petroleira e até ministros que hoje despacham na Esplanada.
Se percorrermos a memória recente, a coleção de declarações é vasta. Léo Pinheiro, João Santana (marqueteiro do PT) e Mônica Moura (marqueteira do PT) detalharam as engrenagens das campanhas. Pedro Barusco, Nestor Cerveró, Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Antonio Palocci (membro fundador do PT) e os irmãos Joesley e Wesley Batista registraram em depoimentos oficiais a anatomia dos esquemas. Somam-se a eles os depoimentos de Emílio e Marcelo Odebrecht.
No campo político, nomes como Marina Silva (atual ministra), Simone Tebet (atual ministra), Geraldo Alckmin (vice-presidente da República), Ciro Gomes, Heloísa Helena (ex integrante do PT), André Janones e até manifestações passadas de ministros do STF alimentaram o acervo de críticas contundentes. E, para arrematar com a mais irrefutável das autoridades: até minha mãe concorda com a lista. Se você perguntar o que ela tem a ver com o PT, respondo de pronto: mãe não mente. Ou seja, o Lula é ladrão!
O cenário ultrapassa qualquer limite da ironia. Quando olhamos para a classe artística e a MPB, figuras como Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, cujos talentos musicais admiro profundamente, vemos o coro do “Anistia Já” transformar-se no silêncio do “Anistia Zero”. “Quem te viu, quem te vê”. Enquanto isso, episódios de repercussão internacional e contradições do debate sanitário da Covid-19, que envolve o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), Anthony Fauci, passam sem um único manifesto ou canção de protesto por parte daqueles que antes faziam da crítica o seu sacerdócio.
Para as eleições de 2026, o Partido dos Trabalhadores ou Partido dos Trituradores ensaia o retorno de velhos conhecidos envolvidos nos escândalos do Mensalão e da Lava Jato. Nomes como José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas — beneficiados por indultos ou anulações processuais — articulam candidaturas à Câmara dos Deputados com o consentimento do Palácio do Planalto, que busca recompor sua base no Congresso Nacional.
Para onde o Brasil caminha? Diante de questionamentos como este, a rotulagem é rápida: acusam o jornalismo independente ou jornalistas de espectro político de direita de fascistas, neonazistas ou negacionistas. O mesmo partido que hasteia a bandeira da representatividade feminina prefere rifar alianças e composições em nome do pragmatismo puro em sua chapa presidencial. Apenas discurso, mas a prática é ‘machista’. Cadê uma vice negra, trans ou indígena? Depois cobram da direita este pacote ideológico sem nexo e com prazo de validade. Eles mesmos não acreditam no produto. Gente canalha é assim mesmo!
Enquanto isso, constrói-se no país uma espécie de complacência cognitiva, na qual o eleitorado tolera a tradição do coronelismo fisiológico, desde que trajada com o manto de “pai do povo”, enquanto desdenha de gestos de austeridade e rotula qualquer oposição.
Continuo a elaborar o Merkato, pautado em fatos, verdades e objetividade, os quais fazem parte da ciência jornalística.
*O texto é de livre pensamento do colunista*



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