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Marcelo Rosário: o combatente do samba

Marcelo Rosário (camisa verde): Foto: Fabrício Santos.

Marcelo Rosário é cantor e compositor (camisa verde). / Foto: Fabrício Santos

Marcelo, ‘um jovem guerreiro’, significado de seu nome; Rosário – origem religiosa. Seus pais compuseram a criação: Marcelo Rosário, o ser humano. Deus criou o ser espiritual: o artista. Uma mistura de fé e luta. Nessa mestiçagem de nomenclatura harmoniza-se talento entre militar e sambista. Mas que combinação é essa? Deus predestina, o samba escolhe e a vida ensina. Nesse compasso ternário quem ganha é o público. Uma carreira musical com dois álbuns lançados: “Vem sambar” (2017) e “Mestiçagem” (2020), dois EPs, o primeiro gravado em 2020 com o título “Amor e Samba”, o segundo lançado em 2021 “Parcerias Rosário e Oliveiras”, além de seis singles lançados, sendo o mais recente “Hino ao Movimento Samba Novo”. Entre tantos trabalhos musicais e parceiros de composição, o destaque fica com a parceria do sambista, Sereno, do Grupo Fundo de Quintal, tá bom pra você? Mas a alma desse guerreiro é pura, é sorriso e gratidão.

Entrevista concedida na Praia de Manguinhos, em uma tarde de sol, o guerreio chorou. Sorriu. Citou versos e deu respostas a perguntas feitas em forma de canções. Contou sua labuta, sua dor ao perder seu irmão de sangue, por motivo da covid-19. Em seus 57 anos de idade, Marcelo Rosário é militar, cantor, compositor, cristão, casado, pai do Glauber e da Luiza, além de ter muitos parceiros na música e no samba. Capixaba, porém criado no Rio de Janeiro, bebeu do rio de lá, mas suas canções vem do mar do Espírito Santo e deságuam no Brasil. Vem sambar nessa entrevista!

1 – Marcelo Rosário, me fala um pouco das memórias de sua infância e afetividades de sua família?

Fui criado em São Gonçalo. Morei um pouco em Rezende e tive uma infância normal, de uma criança com pouco contato com música, morei também em Campos, lá sim, comecei a frequentar a Igreja Presbiteriana e passeia a ter uma aproximação com a música. A época cantei no coral da mocidade. E em relação aos meus pais, me deixaram o legado do estudo, do conhecimento. Meu pai é falecido, minha mãe tá com 82 anos de idade, ela sempre foi de cantar muito em casa… Ângela Maria, Dalva de Oliveira. Essa facilidade de ouvir me influenciou muito. Ainda tenho mais três irmãos, mas meu irmão, Marcos Ribeiro, parceiro de composições, faleceu ano passado da covid-19. Ele acreditou que eu compunha, que eu fazia. Senti muito a perda nesse plano, acredito que a gente vá se encontrar.

2 – Quem é o Marcelo Rosário?

Eu sou um privilegiado porque tive pai e mãe, irmãos e amigos. Sempre norteei minha vida nisso: lealdade, respeito mútuo, sinceridade. Eu sou obstinado. Sou focado. Não me desvio por pequenas causas. Talvez tenha sido isso que me trouxe as minhas conquistas; abri mão de muitas coisas. Aí também entra minha formação como militar. Nós somos treinados pra se um companheiro tombar do meu lado, a guerra não vai parar. A missão não pode ser parada com a perda de um combatente, a missão tem que continuar.

3 – Agora vamos começar nosso papo musical. Conta sua experiência de ter frequentado o Cacique de Ramos em sua juventude.

Eu sou músico intuitivo. Nunca estudei música, então eu gostava de samba. Eu fui no samba na Rua da Quitanda, no Centro do Rio de Janeiro. Eu fui me aproximando do samba e um som que começou a me remeter a senzala, a um passado.  Pô, isso tem tudo a ver com meu coração! Eu tenho essa imagem até hoje. Mas no pagode do Arlindo abria mais espaço pra música autoral e aí a gente distribuía a letra, eu cantava uma música minha lá. O irmão do Arlindo tomava conta do samba, quando eles saíam eu tomava conta do samba, porque eu sabia a sequência. Quem tocava ali era o Marcelinho Moreira; o Osvaldo Cavalo, que hoje faz coro na banda do Zeca Pagodinho, e outros tantos músicos que se tornaram profissionais. Então eu fui prestando atenção e lidando com esses músicos que fizeram músicas que estão nos anais do samba.

4 – O que é o samba pra você?

Eu aprendi que o samba é luta. O samba é um manifesto cultural. Manifesto social, até político. É o gênero que a gente consegue manifestar nas letras essa crítica social em relação à desigualdade social. O samba é expor as nossas vísceras de desigualdades, nossos contrapontos míopes de realidade contrastantes que muita gente finge em não enxergar. Foi no Cacique de Ramos que me apaixonei. Foi nesse tempo que o samba se torna na minha vida uma paixão.

5 – Me fala da espiritualidade que há no samba. Aquilo que você sente. Como acontecem suas composições? 

O samba é religião. Sou devoto. Tenho muita afinidade com religiões de matrizes africanas. Onde tiver falando de bem e de paz espiritual, eu tô dentro. Pelo fato do samba ser uma religião pra mim rola o lance que eu sou tocado pra fazer algumas coisas, e que falo dessas coisas… de músicas que falam como a canção que fiz: Peleja. Fala sobre as histórias da africanidade. Eu sinto que fui induzido pra fazer aquilo ali. Acho de uma responsabilidade muito grande… me obriga a estudar aquilo ali… não é só rimar Xangô com Nagô, igual muitos fazem aí. Se você tiver falando de determinada coisa… se é Iorubá vai falar do início ao fim.  Minhas músicas são plurais. Eu falo de protesto; amor; espiritualidade; superação.

6 – Nesse caminho de espiritualidade, de africanidade, de conhecimento, não só musical você cursou a licenciatura em História, por quê?

Pra eu me entender. Como diz Aldir Blanc: “O Brasil não conhece o Brasil… Do Brasil, SOS ao Brasil”. O brasileiro, de um modo geral, não conhece a sua própria história. Se você não sabe de onde você veio, então como você vai saber pra onde vai? Então o autoconhecimento te municia e te dar condições de você falar com substância e calçado em informações, não em disse me disse, em fake news.  Você fala com propriedade, porque você leu as obras, fui fazer história por causa disso aí. Fui conhecer Caio Padro Júnior, Joaquim Nabuco, esses autores que construíram o arcabouço intelectual do Brasil.

7 – Marcelo, voltando diretamente pra música, você já lançou dois álbuns: o ‘Vem Sambar’ e o ‘Mestiçagem’, conta um pouco desse processo artístico.

O “Vem Sambar” foi o primeiro CD lançado, em 2017, trabalho concluído, já havia lançado outros trabalhos, mas nada concluído. O título “Vem Sambar” eu quis relacionar a palavra samba, inclusive é um disco bem diversificado. Da pra dançar junto, separado, fui buscando essa coisa simples. Tem até uma canção nesse disco chamada “De Onde o Samba Vem”. Eu gosto desses paradoxos, desses antagonismos. O samba vem do coração. A despeito de toda a polêmica que se queira fazer, o samba vem do coração.

Já o álbum “Mestiçagem” eu lancei em 2020, escolhi esse nome por razões de mestiçagem musical, influências e confluências musicais. Coloco sambas com influências de jazz, porque acredito que o samba é primo do jazz. Então essa afinidade entre esses dois gêneros e também pelas influências que eu adquiri quando morei em Tatuí (SP). Ali tive a oportunidade de conhecer outras sonoridades. E vi também a proximidade que meu samba permeia-se não com notas naturais apenas, mas com esses sambas que passam musicalmente dentro dessas vertentes que exigem notas dissonantes, algo mais sofisticado. Em relação a instrumentos eu uso algumas coisas de clarinete, que não teve no primeiro CD, aparece o Marcos Paulo, daqui do estado, entra o Oziel Neto, que toca trompete. Também coloco um acordeon de uma grande figura da música brasileira, Chico Chagas. E em relação ao nome Mestiçagem na perspectiva cultural é por causa de minha música ser mestiça, porque o povo brasileiro é uma fusão de povos indígenas, negros e brancos. A música brasileira é mestiça.

8 – Você já participou de três festivais: em São Paulo, Rio Grande do Norte e Paraná. Conta pra gente essa experiência, o que isso agrega na carreira de um artista, a maturidade que ele recebe por participar destes festivais?

Eu vejo de vital importância você participar de um festival. Seja ele o mais simples que seja. Primeiro você vai lá botar a sua cara. Vai possibilitar que conheçam o seu trabalho. Você vai estreitar parcerias. Você vai fazer um intercâmbio, não só musical, mas pessoal. Você vai ficar sabendo de outros festivais, você amplia seus horizontes.

Antes de fazer o disco “Vem Sambar” eu gravei umas músicas em 1996, eu morava em Natal. E lá em Natal eu participei de um festival de MPB com essa música “Vem Sambar”, que leva o título do meu álbum. O festival chama-se canta Nordeste. E eu participei das eliminatórias do Rio Grande do Norte, o estado em que eu morava. Fui com um samba onde predominantemente ousa canções nordestinas de uma beleza gigantesca. Chego com um samba de humildade, entre 101 municípios participando da eliminatória, entro entre as 10 primeiras músicas. E tem outro festival, em Tatuí.  Participei com a canção “Reconstrução Nacional”. Quando eu fui embora para Tatuí, sendo transferido como militar, antes morava no RN, certo? Chegando em Tatuí tava aberta a inscrição para o festival de Tatuí, considerado um dos grandes festivais do Brasil. O Tíbério Gaspar, um dos autores da canção “Sá Marina” já tinha participado desse festival, entre outros grandes compositores. Aí minha música entrou nesse festival, tive um lucro financeiro com o “Reconstrução Nacional”. Em todo festival que participei eu entrei com essa música… fiquei bem classificado, ganhei um aclamação popular.

9 – Pra concluir esse mar de samba e de conhecimento que você tem, nessa entrevista maravilhosa, de frente pro mar, me fala sobre o single ‘Maré de Amor’ lançado em 2021, onde seu irmão participou junto com o Léo Vieira, você chega mais maduro pra esse trabalho, após concluir dois CDs.

Foi um prazer. O Léo Vieira é um grande músico, um amigo de longa data. Inclusive ele era parceiro de música do meu irmão que faleceu, o Marcos Ribeiro. Meu irmão me apresenta o Léo numa das minhas vindas de férias aqui no Espírito Santo. Eu voltei definitivamente pra cá, mas ficamos ainda um tempo sem nos esbarrar, e aí pintou um momento, onde eu tava muito voltado pra fazer o disco. Eu estava com essa música inacabada. Vamos aproveitar o ensejo, tava com essa ideia da maré do amor… aí veio o Léo e entende… porque é isso, a gente tem que viajar na mesma  sintonia, aí a gente fez a música. Levei a música pro Ednei Fernandes, pedi pra ele fazer um arranjo, né! É um samba gostoso. Uma coisa popular, leve. Fala de mar. Dá bons conselhos. É uma brincadeira gostosa. Aí pensei em fazer o registro da música com qualidade, né! Hoje a gente tem oportunidade de subir pras plataformas digitais, onde mais gente pode ter acesso do que a gente tá fazendo, foi nesse intuito aí.

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