Rock Clássico

Coluna Letrados
Por: Giovandre Silvatece – Roteirista

Olá, leitor(a) da coluna Letrados! Conforme mencionei no artigo denominado “Rock complexo e intenso”, após o declínio do rock psicodélico no final da segunda metade da década de 1960, muitas bandas que desenvolviam esse estilo musical migraram para o rock progressivo ou para o hard rock, entretanto diversas outras bandas também desenvolveram um som mais pesado e elaborado, porém não são reconhecidas como representantes desses subgêneros do rock.

A rigor, o som dessas bandas não era tão pesado como o das bandas de hard rock e as canções não eram tão extensas como as do rock progressivo, havendo, ainda, uma variação de estilos entre as suas próprias músicas, que incluíam blues, folk, baladas acústicas e o rock tradicional com letras mais maduras, sendo que por vezes havia variações de ritmos dentro de uma mesma canção.

Dentre as bandas que seguiram esse estilo relativamente eclético a partir do final da década de 1960 estão Beatles, Rolling Stones, Animals, Jimmi Henrdrix Experience e The Who. Assim, após a derrocada do psicodelismo, iniciou-se um período de intensos experimentos e o domínio completo do instrumento musical, reacendendo o termo virtuose (ou virtuoso), denominação dada ao artista que atingiu um altíssimo grau de conhecimento e domínio técnico na execução de sua arte.

Já na década de 1980, ao redescobrir o estrondoso sucesso dos álbuns produzidos entre o final da década de 1960 e meados da década seguinte, as rádios passaram a denominar as músicas que fizeram sucesso nessa época como rock clássico. No entanto, devido ao seu caráter nostálgico, com o passar dos anos expandiu-se tal denominação para produções musicais criadas até a década de 1990.

O que é rock clássico?

O termo rock clássico nada mais é que um rótulo utilizado pelas rádios como referência a músicas que fizeram grande sucesso no passado do que um estilo musical único, daí o fato de se agrupar os mais variados subgêneros do rock dentro dessa denominação.

A discussão entre o que pode ser considerado rock clássico e quais seriam as bandas que melhor o representam parece não ter fim. Comumente, a questão se baseia no lapso temporal. Enquanto os críticos mais convencionais incluem apenas as canções das bandas das décadas de 1960 e 1970 como expressões do rock clássico, discordando do fato de uma música ser considerada um clássico apenas porque fora gravada há mais de 20 anos, outros não admitem a exclusão de canções interpretadas por grandes bandas que surgiram nas décadas que se seguiram.

Se considerarmos o termo “clássico” como algo que se perpetua no tempo, poderíamos então retroceder à década de 1950 e incluir no termo rock clássico canções como “Johnny B. Goode”, de Chuck Berry, Tutti Frutti, de Little Richard, e “Jailhouse Rock”, interpretado por Elvis Presley, além de muitas outras canções da época, pois permanecem vivas na memória dos amantes do rock e até mesmo do público em geral. No entanto, o rock clássico abrange músicas que contam com uma complexidade instrumental mais avançada, característica que as músicas da era de ouro do rock’n’roll, via de regra, não possuem.

Estilo difuso

A despeito da inclusão ou não de bandas que melhor representam o rock clássico, o fato é que não é possível estabelecer um estilo específico que melhor o define. A diferença de estilo musical entre bandas como Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd é evidente, porém tais bandas estão entre aquelas que melhor representam o rock clássico devido à qualidade e estrondoso sucesso de suas obras.

Vale lembrar que bandas tradicionais também flertaram com outros estilos musicais, como em “Helter Skelter”, o heavy metal dos Beatles, e em “Can’t You Hear Me Knocking”, um rock progressivo dos Rolling Stones. Nota-se, no entanto, que muitas das bandas que se perpetuaram no tempo mergulharam no pop music, como os próprios Rolling Stones e até mesmo bandas de rock progressivo como Yes e Rush, o que fortaleceu a ideia de que o rock clássico é aquele produzido numa época específica em que houve uma maior evolução musical das bandas de rock, precisamente entre os anos de 1968 e 1975.

Nesse período, devido à qualidade das obras produzidas, também estão inclusas no rock clássico canções de artistas e bandas que representavam o glam rock (abreviação de glamour rock), como David Bowie, T-Rex e Queen, cujas apresentações extravagantes, ao contrário do que se imagina, não serviam para esconder uma possível falta de talento e criatividade, pelo contrário, o uso de fantasias, maquiagem e penteados exagerados consistia numa ponte temática entre a música e a representação no palco.

Perdendo espaço

Podemos considerar que o rock clássico se perpetuou até a década de 1990, mas o que se viu a partir da segunda metade da década de 1970 foi a ascensão do disco music e, posteriormente, do punk rock, com isso o rock criativo foi perdendo espaço para esses subgêneros do rock.

Contudo, se olharmos bem, os melhores álbuns das grandes bandas que representavam o rock clássico são, de fato, daquele período áureo, como “The Dark Side of The Moon” (1973), do Pink Floid; “Sticky Fingers” (1971), dos Rolling Stones; “Deep Purple in Rock” (1970), do Deep Purple; “Led Zeppelin IV (1971), do Led Zeppelin; “Aqualung” (1971), do Jethro Tull; “Demons and Wizards” (1972), do Uriah Heep. Vale ressaltar que a maioria dos demais álbuns dessas bandas que são aclamados pelo público e crítica também foram produzidos nesse período.

Portanto, a perda de espaço do rock criativo também se relaciona a uma quebra na qualidade musical das bandas que o representavam, pois estas não conseguiram repetir os grandes sucessos dos primeiros álbuns, os quais continuam sendo exaustivamente revisitados e exaltados pelos aficionados do rock.

É claro que muitos álbuns de qualidade foram produzidos da segunda metade da década de 1970 até os dias de hoje, porém de forma mais esparsa e tendo que disputar a preferência do público palmo a palmo com a pop music.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
Giovandre Silvatece – *Reside em Vitória-ES *Roteirista (Imagem: Divulgação)
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