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Coluna Letrados
Por: Magda Simone – Professora de Língua Portuguesa
Você já experimentou colocar um café bem quentinho na xícara e cronometrar o tempo que ele leva para esfriar? Provavelmente não, mas, com certeza, não demora muito. Agora, imagine que esse tempo seja o limite da sua jornada ao passado. O que daria para fazer antes que o café esfrie?
Foi essa a inquietação que me acompanhou durante a leitura de Antes que o café esfrie, do autor japonês Toshikazu Kawaguchi. Lançado no Brasil em 2022, o livro vendeu mais de um milhão de cópias, conquistando leitores com sua premissa instigante.
A história se passa em um pequeno e misterioso café em Tóquio, onde circula uma lenda urbana: quem se senta em uma cadeira específica do local pode viajar no tempo. A narrativa acompanha quatro personagens que, por diferentes razões, desejam voltar no tempo e embora haja regras que impossibilitem mudanças no destino, cada um descobre que o mais importante não é alterar o passado, mas compreender melhor suas emoções e seguir em frente com menos arrependimentos.
A vibe da história é envolvente, ainda que os personagens não sejam tão profundos quanto eu esperava. Mas, como já disse na primeira resenha desta série (se não leu, corre lá!), nenhuma leitura é perdida. Afinal, os personagens refletem as incertezas e angústias que qualquer um de nós pode carregar. Além disso, o livro me levou a refletir sobre algo aparentemente simples, mas poderoso: o simbolismo do cafezinho em nossas vidas.
O café sempre foi muito mais do que uma bebida. É um convite à conversa, um elo entre pessoas, um estímulo à memória afetiva. Eu adoro tomar um café com minhas amigas e perceber como, enquanto ele esfria, as palavras fluem, as histórias se desenrolam, os vínculos se fortalecem. O aroma do café recém-passado também tem esse poder de nos transportar no tempo. No meu caso, toda vez que sinto o cheiro de um cafezinho passado na hora, lembro-me da casa de minha avó, da infância.

E você? Que memórias um cafezinho desperta? Prefere ele forte, amargo, adoçado? Quente ou gelado? Confesso: café frio, para mim, é modismo. Gosto mesmo é do café feito no coador de pano, no bule da avó, com aquele sabor de aconchego e tradição.
Fico pensando no porquê de Kawaguchi ter escolhido o café como metáfora central do seu livro. O tempo de um café esfriar é curto, mas, ultimamente, não é essa a sensação que temos sobre o tempo em geral? Tudo parece estar passando rápido demais.
Quantas vezes dizemos que vamos marcar um café com alguém e acabamos adiando? Quantas coisas gostaríamos de mudar se tivéssemos a chance de voltar no tempo, nem que fosse pelo breve instante em que um café esfria? Mas, como isso não é possível, só nos resta agir com consciência e coerência agora, para que o passado não se torne um peso.
Como você percebe, viajei bastante nessa leitura. E te convido a embarcar nessa também. Depois, que tal um cafezinho para compartilharmos nossas impressões?
*O texto é de livre pensamento da colunista*
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