O ES Veste Moda: a relevância do setor de vestuário na economia capixaba

(Imagem: IA)
Coluna Criativos
Por: Samuel J. Messias – Consultor Empresarial

Caro, leitor! Aqui, na Coluna Criativos, abordo a relevância do setor do vestuário na economia capixaba. O Espírito Santo, historicamente reconhecido por sua força na exportação de commodities, mineração e cafeicultura, vem diversificando sua matriz econômica de forma consistente.

Dentro dessa pluralidade, o setor de vestuário e confecção emerge como um protagonista silencioso, porém vital para o dinamismo do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Mais do que fios e tecidos, a indústria da moda capixaba representa uma engrenagem fundamental para a geração de emprego, distribuição de renda e consolidação de um polo produtivo que une tradição e inovação.

A vocação têxtil do estado remonta à década de 1960, impulsionada pelo Plano de Erradicação dos Cafezais, que obrigou a economia local a buscar novas alternativas. O que começou como uma atividade quase artesanal, muitas vezes ligada à herança cultural de imigrantes que viam nas máquinas de costura um ofício e um dote, transformou-se em uma indústria robusta.

Atualmente, o setor abrange mais de mil empresas, variando de micro a grandes portes, e é responsável pela geração de mais de dez mil empregos diretos. A confecção de artigos de vestuário e acessórios concentra 79% dos empregos e 81% das empresas do setor, enquanto a região Noroeste do estado, com destaque para Colatina, constitui um dos principais polos de produção têxtil.

A relevância socioeconômica dessa indústria é inegável, especialmente por sua capilaridade. Diferentemente de grandes plantas industriais que se concentram em polos específicos, a confecção se espalha pelo interior do estado, promovendo um desenvolvimento regional mais equilibrado e cumprindo um papel social crucial: a empregabilidade feminina. A esmagadora maioria da força de trabalho nas confecções é composta por mulheres, permitindo que muitas conquistem independência financeira e sustentem suas famílias sem precisar migrar para os grandes centros urbanos.

No contexto macroeconômico, o Espírito Santo tem demonstrado notável resiliência. Em 2025, o PIB capixaba registrou um crescimento de 3,9%, superando a média nacional de 2,3%, e alcançando um valor acumulado de R$ 242 bilhões. Embora setores como serviços e indústria extrativa tenham peso significativo nesses números, a indústria de transformação, onde o vestuário se insere, atua como um pilar de estabilidade. O faturamento da cadeia têxtil nacional ultrapassa os R$ 200 bilhões anuais, e o Espírito Santo contribui ativamente para essa cifra.

Contudo, o setor enfrenta desafios substanciais. A concorrência com produtos asiáticos, especialmente da China, Bangladesh e Vietnã, exige que as empresas capixabas busquem diferenciais competitivos além do preço. A estratégia para o futuro baseia-se na qualificação do design, na adoção de tecnologias de produção mais eficientes e, sobretudo, na sustentabilidade. O mercado consumidor moderno exige transparência e responsabilidade socioambiental, áreas nas quais a indústria local pode se destacar.

Apoio governamental e iniciativas estratégicas

Reconhecendo a importância do setor, o Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (ADERES), tem implementado políticas públicas robustas para fortalecer a cadeia produtiva. A ADERES, autarquia vinculada à SEDES, atua como articuladora central na elaboração e implementação de políticas para o desenvolvimento dos pequenos negócios e do empreendedorismo no setor têxtil.

Um dos principais programas é a “Trilha de Formação para o Setor do Vestuário”, que oferece 200 vagas anuais em cursos de qualificação profissional. O programa, executado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e apoiado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), oferece formação gratuita em processos de costura em tecido plano e tecido malha, com carga horária total de 170 horas por trilha, além de aulas de empreendedorismo e gestão financeira. Os cursos são realizados nas unidades do Senai em Vila Velha, Colatina, Linhares e São Mateus, e agora em 2026 atenderão mais 06 municípios, com bolsa-auxílio de R$ 200 quinzenais, vale-transporte e lanche para os alunos inscritos.

Além da capacitação, o governo estadual aprovou em 2026 a “Lei da Moda”, um projeto de lei que concede benefícios fiscais significativos aos estabelecimentos industriais dos setores de produtos têxteis, artigos de tecidos, confecção de roupas e acessórios de vestuário. A lei institui um crédito presumido que reduz a carga efetiva do ICMS para 2,5%, criando um ambiente muito mais favorável à produção e ao investimento no estado. O projeto também prevê o diferimento do ICMS em operações relacionadas à aquisição de insumos e bens destinados à atividade industrial, seguindo parâmetros já adotados por outros estados como Rio de Janeiro.

A ADERES também promove eventos de grande envergadura, como a ES Fashion, primeira feira estadual de vestuário que reúne empresários, designers e consumidores. O evento oferece espaços diferenciados para atacado e varejo, desfiles de marcas profissionais, workshops, rodadas de negócios e painéis com especialistas, criando oportunidades concretas para a revelação de novos talentos e a realização de negócios no segmento da moda capixaba.

As projeções para o futuro são otimistas. Lideranças do setor estimam que a produção de roupas e calçados no Espírito Santo possa crescer até 150% até 2035. Para que esse potencial se concretize, são necessários investimentos contínuos em capacitação de mão de obra, apoio governamental e fortalecimento das parcerias entre o setor privado, instituições de ensino e órgãos públicos, exatamente como vem ocorrendo através da atuação integrada da ADERES, Sinvesco, e demais sindicatos do vestuário.

Em suma, “O ES Veste Moda” não é apenas um slogan; é a constatação de uma realidade econômica vibrante e em transformação. O setor de vestuário prova que a força do Espírito Santo vai muito além dos portos e das pedreiras. Ela está também nas tramas dos tecidos, no talento de seus designers, nas políticas públicas que apoiam o empreendedorismo e nas mãos de milhares de costureiras que, ponto a ponto, ajudam a costurar o crescimento e o desenvolvimento do estado.

Com o suporte contínuo da ADERES e do governo estadual, a indústria capixaba segue fortalecida para enfrentar os desafios do mercado global e consolidar seu papel como um dos principais polos têxteis do Brasil.

 *O texto é de livre pensamento do colunista*
Samuel J. Messias – Reside em Vitória-ES *Me. em Educação *Gerente Especial na Aderes *MBA em Estratégia Empresarial e *Bacharel em Ciências Contábeis. (Foto: Divulgação)
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