História e o futuro da crônica esportiva capixaba: ACEC com Utilidade Pública

(Imagem: Divulgação)
Coluna Terceira Voz
Por: José Salucci – Jornalista

Apenas um dia após a aguardada convocação oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, os bastidores do futebol é pura euforia. Enquanto o país inteiro debate nomes, táticas e promessas tencionadas ao hexacampeonato, convido o leitor da Coluna Terceira Voz a desviar os olhos do gramado por alguns instantes e fixá-los nos refletores da história. É o momento exato para refletirmos sobre o peso institucional e a relevância civil da ACEC (Associação de Profissionais da Imprensa Esportiva Capixaba).

Recentemente, no emblemático 27 de abril de 2026, consolidou-se um marco jurídico e político definitivo para a comunicação capixaba: a sanção da Lei nº 10.335/2026, de autoria do atual vereador de Vitória, Bruno Malias, aprovada por unanimidade pelo parlamento municipal e chancelada pela Prefeita Cris Samorini. A nova legislação declara a ACEC como uma entidade de Utilidade Pública. Mas o que isso significa, na prática, para além da burocracia dos diários oficiais, o benefício prático dessa titulação para o Terceiro Setor ?

O benefício dessa titulação é imensurável. Ao ser reconhecida como de Utilidade Pública, a ACEC adquire personalidade jurídica e prestígio social para celebrar convênios mais capilares, captar recursos públicos e privados, pleitear fomentos e ampliar sua segurança institucional. Trata-se do reconhecimento, por parte do Estado, de que o trabalho de preservação da memória e do jornalismo esportivo gera um valor intangível e indispensável para a sociedade civil do Espírito Santo.

É imperioso elogiar a imprensa esportiva capixaba, verdadeira guardiã de um patrimônio cultural. Nossos cronistas, repórteres, fotógrafos e narradores transformam o cotidiano dos clubes e das competições em crônica viva da nossa identidade. Esse trabalho de resistência e excelência é capitaneado por uma diretoria profundamente comprometida, personificada na liderança do diretor-presidente Jair de Oliveira e de seu vice-presidente, Jorge Luiz Gomes Félix da Silva. Sob o comando de jornalistas que conhecem o peso da cabine de imprensa, a associação caminha com passos firmes.

Como colunista, faço questão de endossar os principais objetivos traçados pela nova gestão do presidente reeleito Jair de Oliveira. O plano de metas não é apenas ambicioso, mas essencial para o desenvolvimento técnico do nosso setor, envolvendo desde a aquisição de equipamentos de ponta para a reestruturação da Rádio e TV ACEC até a ampliação substancial das atividades na área de comunicação e na promoção de eventos esportivos.

Mais do que isso, há um ponto crucial no planejamento estratégico da entidade: a articulação junto ao Governo do Estado para viabilizar a cessão de um espaço físico definitivo no Estádio Estadual Kleber Andrade. O objetivo é instalar ali uma central de imprensa moderna e, simultaneamente, erguer o Memorial da imagem e do som do Esporte Capixaba. Preservar o passado do nosso futebol é um ato de justiça histórica que conta com nosso total apoio argumentativo nesta coluna.

Falar em memória nos obriga, quase que por um dever de reverência poética, a saudar as lendas que construíram nosso jornalismo esportivo. Diante do cenário imponente de uma Copa do Mundo que se avizinha, faz-se necessária uma justa e calorosa homenagem ao nosso eterno “Príncipe do Futebol”: Geovani Silva. O genial ex-jogador, que brilhou intensamente com a camisa do Vasco da Gama e honrou as cores tradicionais da nossa Desportiva Ferroviária.

Contudo, para que o futuro continue gerando talentos nos campos e nas redações, é preciso convocar a nova geração de comunicadores a um pacto de comprometimento ético. Vivemos a era da internet de alta velocidade, da Inteligência Artificial onipresente e das dinâmicas velozes das redes sociais. A forma de se comunicar mudou drasticamente, mas a essência do jornalismo permanece inalterada. Alô, geração Z!

A juventude, que hoje opera smartphones e algoritmos, precisa compreender que, num tempo onde a informação emocionava no som chiado do rádio, nas transmissões de TV e no cheiro de tinta do jornal impresso, a “Velha Guarda” soube fazer jornalismo com maestria. Aqueles pioneiros trouxeram até os dias atuais os pilares inegociáveis da profissão: a ética rigorosa e o compromisso inabalável com a informação, ou seja, o labor de produzir notícia, e não ‘achismos’. Se a atual geração hoje goza de um espaço democrático, conectado e repleto de acessos, é porque esse caminho foi pavimentado por profissionais de verdade e da verdade.

Por fim, cumpre destacar que o trabalho da ACEC tem quebrado barreiras geográficas. A entidade tem proporcionado aos jornalistas capixabas o respaldo técnico e institucional necessário para cobrirem o futebol não apenas nos gramados do Espírito Santo, de norte a sul, mas também em âmbito nacional e mundial, é o caso do nosso grande jornalista Jair Oliveira, que cobrirá a Copa do Mundo de 2026. Ao qualificar a crônica e dar condições de trabalho ao profissional local, a ACEC garante que a voz do Espírito Santo esteja presente onde quer que a bola role.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
José Salucci – *Reside em Serra *Jornalista *Diretor-presidente do Merkato (Foto: Thais Gobbo)
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