O que você espera do nosso Brasil?

Expectativas econômicas, políticas e de saúde mental em 2026. (Imagem: IA)
Coluna Polítikus
Por: Samuel J. Messias – Consultor Empresarial

Expectativas econômicas, políticas e de saúde mental em 2026. Chegamos ao atual período carregado de incertezas. A economia brasileira segue em compasso de espera, pressionada por juros que não cedem e por um cenário político que promete ser tão polarizado quanto imprevisível. Enquanto isso, nos bastidores das empresas, uma crise silenciosa avança: o esgotamento mental de milhões de profissionais. Neste artigo trago uma reflexão sobre o que realmente podemos esperar do Brasil nos próximos meses, considerando esses três pilares que definem o presente e moldam o futuro da nação.

A economia segue em compasso de espera

Quando se fala em economia brasileira para 2026, a palavra que melhor a descreve é “contenção”. O crescimento do PIB deve ficar entre 1,6% e 1,9%, o que representa praticamente uma estagnação comparada aos 3,1% projetados para a economia global. Enquanto a Índia cresce a 6,2% e a China a 4,2%, o Brasil segue em ritmo lento, reflexo direto de uma política monetária que mantém os juros em patamares que não se viam há quase duas décadas .

A taxa Selic em torno de 15% ao ano é um peso que recai sobre toda a economia. Famílias deixam de consumir porque o crédito ficou caro demais. Empresas adiam investimentos, preferindo esperar por tempos menos turbulentos. Nesse ambiente de cautela, o setor produtivo segue em compasso de espera, adiando decisões estratégicas que poderiam gerar empregos e dinamismo econômico .

Há um lado positivo, ainda que tímido: a inflação vem cedendo. Depois de meses de pressão, os índices acumulados caíram abaixo do teto da meta. Mas essa redução não é suficiente para justificar cortes significativos nos juros no curto prazo. A expectativa é de que apenas no segundo semestre de 2026, o Banco Central comece a aliviar o aperto monetário.

O déficit fiscal é outro fantasma que assombra as contas públicas. Estimativas apontam para um rombo de R$ 90 bilhões, pressionando a dívida pública que já se aproxima de 80% do PIB. Essa fragilidade estrutural seria suficiente para desvalorizar qualquer moeda, mas a dinâmica internacional tem funcionado como um amortecedor. O dólar segue relativamente estável em torno de R$ 5,50, mantido em pé pelo diferencial de juros e pela desvalorização da moeda americana no cenário global.

A encruzilhada política e econômica

2026 é ano de eleição, e isso muda tudo. Historicamente, anos eleitorais, no Brasil, vêm acompanhados de pressões para aumentar gastos públicos, injetar recursos na economia e aquecer a atividade econômica. Essa é uma receita conhecida: gastos crescem, empregos aumentam, popularidade sobe. Mas há um problema: o Banco Central segue determinado a conter a demanda para manter a inflação sob controle.

Essa queda de braço entre o governo e a autoridade monetária cria uma névoa de incerteza que afasta investidores. Ninguém quer comprometer recursos quando não sabe que rumo a economia vai tomar. Empresas seguram investimentos, aguardando o desfecho das urnas. Mercados oscilam. A volatilidade se torna a única certeza.

Internacionalmente, os ventos também sopram com força. A possível interferência de potências externas nas eleições brasileiras, somada às mudanças que virão com a transição de liderança no Federal Reserve americano, pode redirecionar fluxos de capital. Internamente, o setor empresarial ainda terá que lidar com os primeiros testes da Reforma Tributária, um marco histórico que promete simplificação, mas que no curto prazo trará desafios operacionais e novas incertezas sobre a taxação de dividendos.

Como bem resumiu um analista do setor: “O ano de 2026 começa com Selic em 15% e inflação em desaceleração. O aperto monetário deve limitar o crescimento da economia brasileira”. Essa é a realidade que o país enfrenta.

A crise que ninguém fala: saúde mental no trabalho

Enquanto economistas discutem PIB e juros, uma epidemia silenciosa corrói a base produtiva do país. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental. Esse número representa um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior e é o maior já registrado na história. Não é um dado menor. É um sinal de que algo está profundamente errado com a forma como trabalhamos.

Os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos lideram as causas de afastamento. Mulheres representam 63% dos casos, o que sugere que o peso da pressão recai de forma desigual sobre elas. Mas o número que realmente assusta é o crescimento de casos de burnout. Entre 2021 e 2025, os afastamentos por síndrome do esgotamento profissional cresceram mais de 800%. Estamos falando de uma epidemia que se expande ano após ano.

Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com burnout. Jornadas prolongadas, pressão excessiva, metas que parecem impossíveis de atingir, ambientes marcados pela insegurança psicológica. Esses são os ingredientes dessa receita de desastre que as empresas seguem servindo diariamente.

O custo econômico dessa crise é astronômico. Os prejuízos associados à saúde mental equivalem a 4,7% do PIB brasileiro. Isso se traduz em absenteísmo, presenteísmo (quando o profissional está fisicamente no trabalho, mas emocionalmente ausente), e uma rotatividade que sangra as empresas em custos de recrutamento e treinamento. Pesquisas mostram que 86% dos trabalhadores considerariam trocar de emprego por motivos relacionados à saúde mental.

Reconhecendo a gravidade do problema, o governo regulamentou a questão. A partir de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais nas empresas. Não é mais opcional. As organizações serão cobradas por revisar o desenho do trabalho, mitigando as causas estruturais do adoecimento mental. Mas aqui está o problema: apenas 5% dos departamentos de Recursos Humanos se consideram totalmente preparados para essa mudança.

Campanhas de conscientização e benefícios isolados não vão resolver essa crise. O que se precisa é de uma reestruturação profunda das relações laborais, priorizando o bem-estar e a segurança psicológica dos profissionais. Afinal, uma economia forte não se constrói com pessoas esgotadas.

O que esperar, afinal?

O Brasil de 2026 enfrenta uma encruzilhada. Na economia, o país precisa superar a armadilha do baixo crescimento e do desequilíbrio fiscal, resistindo às tentações populistas que um ano eleitoral sempre traz. Estabilidade econômica é pré-requisito para atrair investimentos e gerar empregos de qualidade.

Mas há algo mais urgente: o mercado de trabalho clama por uma revisão profunda de seus paradigmas. A epidemia de transtornos mentais não será contida apenas com benefícios complementares. Exige reestruturação das relações laborais, revisão de como o trabalho é organizado, como as metas são definidas, como a liderança atua.

O que se espera do Brasil em 2026 não é apenas resiliência econômica. É a capacidade de transformar crises em oportunidades de evolução estrutural e humana. É reconhecer que uma nação próspera só se constrói com indivíduos saudáveis, engajados e esperançosos. Tudo o mais é apenas números em uma planilha.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
Samuel J. Messias – Reside em Vitória-ES *Consultor Empresarial *Me. em Educação *Gerente Especial na Aderes *MBA em Estratégia Empresarial  *Bacharel em Ciências Contábeis. (Foto: Divulgação)
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