A cartilha do aborto como política de governo no SUS

(Imagem: Internet)
Coluna Polítikus
Por: José Salucci – Jornalista

O governo Lula lançou a “Caderneta Brasileira da Gestante”, material que será distribuído online e também presencialmente em unidades de saúde e consultórios do SUS para mulheres grávidas de todo o país.

A recente cartilha pautada pelo Ministério da Saúde acende um alerta fundamental sobre os rumos das políticas públicas no Brasil. Sob o pretexto de orientar, o material funciona, em parte, como uma sutil engrenagem de narrativas pró-aborto e desmantelamento do ser feminino, enfraquecendo conceitos básicos e de responsabilidade, esvaziando o debate moral e biológico que envolve a vida humana.

O frágil conceito de gravidez indesejada

O nó cego da cartilha ministerial reside em sua fragilidade conceitual. Compartilho com você, leitor, aqui na Coluna Polítikus, a página 83 da Caderneta. Friso a Parte VII — em que se aborda as “Condições Específicas na Gestação”, o material aborda no item 7.1 “Direitos sexuais e reprodutivos”, com três subitens:

7.1.1 Gestação não planejada
7.1.2 Gestação não desejada
7.1.3 Quando a interrupção da gestação é permitida por Lei

Antes de tocar no ponto fulcral de meu artigo, assumo meu lugar de jornalista, em que procuro evidenciar uma interpretação racional e ética, e não militante. Penso que, questões cruciais de saúde pública não devem ser negligenciadas ou abordadas com dogmatismo e indiferença. É preciso empatia para com adolescentes (meninas) e mulheres que enfrentam uma gravidez decorrente de estupro. É compreensível a rejeição da gravidez pela vítima; caso o meio conservador cristão considere tal ato impróprio, cabe a esse grupo adotar medidas concretas de assistência às vítimas de violência sexual.

Flexibilizando o tema na tentativa de ser cuidadoso com quem realmente sofre ou sofreu um ato de violência sexual, pois bem, pretendo amadurecer o debate, chamando a atenção para o ponto 7.1.2 GESTAÇÃO NÃO DESEJADA. Noto que o texto é vazio, não especifica o que é uma gravidez indesejada, porque a Caderneta afirma: “Uma gestação não desejada é aquela em que a pessoa não pretendia engravidar e não deseja a continuidade da gestação”.

O texto continua: “Nesses casos, é importante avaliar: Se a gestação foi resultado de violência sexual; se existem riscos à saúde ou à vida da pessoa que gesta; se há situações previstas em lei que exigem cuidado específico.”

No meu ponto de vista, o texto peca por ser raso, falhando gravemente ao tentar definir ou não definindo o que constitui, de fato, uma “relação sexual indesejada”. Ao deixar margem para interpretações subjetivas, o governo abre precedentes perigosos para que qualquer gestação passe a ser relativizada de acordo com a conveniência do momento.

Além disso, o uso da expressão “pessoa que gesta” revolta muitas mulheres brasileiras, que consideram isso uma tentativa de apagar a identidade feminina e a maternidade. Na Pré-História, na Antiguidade, na Idade Média, na Modernidade e na Pós-Modernidade, a mulher sempre foi mulher e chamada de mulher, e reconhecida como ser biologicamente feminino, mas agora, na Ultrapós-modernidade, um mimado grupo social quer se validar de uma ‘inteligência artificial’ para descontruir a realidade factual.

É imperioso elevar o nível desse debate para um patamar mais maduro e sóbrio. Há uma diferença considerável entre o trauma de uma gravidez decorrente de uma violência sexual genuína e a banalização do termo “indesejada”. A ausência de clareza da cartilha permite a criação de narrativas sob medida para justificar o aborto como um método contraceptivo tardio.

Diante disso, cabe uma provocação reflexiva: como fica o papel masculino em relacionamentos casuais ou namoros onde ocorre uma gravidez e a mulher decide interrompê-la sob o manto do jargão “o corpo é meu”? Se a concepção demandou a participação ativa do homem — e se o ato sexual saciou o desejo de ambos —, a decisão unilateral desconsidera a corresponsabilidade inerente ao ato. O sexo pressupõe consentimento, mas também pressupõe consequências.

Opinião: a guerra contra a agenda da libertinagem

O sexo é vida, fonte de prazer e o próprio nascedouro da humanidade. No entanto, o atual governo, alinhado a movimentos feministas e aos seus respectivos financiadores econômicos e ideológicos, recusa-se a educar nossos jovens para uma sexualidade saudável e consciente. O aborto é apresentado como a saída mais fácil, blindando o indivíduo das responsabilidades de suas escolhas.

O país carece de políticas públicas autênticas, que promovam o diálogo real sobre métodos contraceptivos e que alertem sobre os perigos do uso de drogas lícitas e ilícitas antes das relações sexuais — fatores que sabidamente destroem o discernimento dos jovens. A cultura atual, moldada por músicas profanas e produções audiovisuais de forte apelo erótico, transformou o sexo em um produto banal e de consumo rápido. O resultado prático dessa degradação cultural já dizia o grupo de axé “É o Tchan” em sua ironia popular: “Depois de nove meses você vê o resultado”.

Ensinar a castidade ou a virgindade pode soar arcaico para a modernidade, mas permanece sendo o método mais eficaz na prevenção do aborto. Propor aos jovens um sexo seguro, construído dentro de um laço de fidelidade mútua, previne não apenas doenças sexualmente transmissíveis e abortos, mas também profundos traumas psicológicos.

Precisamos alertar esta sociedade, que há um absurdo declínio moral nas práticas sexuais, e de que o sexo deve ser praticado em estado de plena consciência e responsabilidade. Nossa luta não é meramente contra o aborto em si, mas contra uma agenda globalista que explora sexualmente a juventude, seduzindo-a com a libertinagem e a facilitação das drogas e a tal ‘vida louca’. Definitivamente, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva não ama e não protege as mulheres brasileiras; apenas as entrega aos braços de uma ideologia de morte.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
José Salucci – *Reside em Serra *Jornalista *Diretor-presidente do Merkato (Foto: Thais Gobbo)
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