Coluna Polítikus
Por: José Salucci
Trata-se de um crime de misoginia, de um mero preconceito ou de intolerância ao pensamento divergente? Pabllo Vittar deixou de seguir Ana Castela no Instagram após a cantora sertaneja publicar uma foto ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira em evento na Festa do Peão de Barretos no último domingo (23).
Antes de comentar o caso, gostaria de evidenciar neste artigo como que o próprio Pabllo Vittar enxerga a sua sexualidade. Segundo ele já afirmou em entrevistas para a imprensa que realiza um trabalho como drag queen — uma forma de performar o feminino em sua maior força e beleza —, mas afirma ser um homem gay em sua vida pessoal e profissional. Surge, então, a dúvida: um homem lacrou uma mulher ou uma drag queen fez isso?
Para pegar carona na polêmica e tentar ressurgir na mídia, a atriz Luana Piovani também ridicularizou a cantora sertaneja: “Ainda bem que minha filha não foi no show dessa zinha”, escreveu a atriz. Onde está a sororidade? Onde está o jargão “Mexeu com uma, mexeu com todas”? As feministas não defenderam Ana Castela, pois, para esse grupo, a violência psicológica praticada por outra mulher não representa um problema; a violência só existe quando sai da boca de um homem. No entanto, Pabllo Vittar é um homem, o que torna toda a situação contraditória.
Por conta disso, reflito sobre o tema: um homem praticou um ato preconceituoso motivado pela manifestação legítima de uma artista mulher. Onde está o respeito mútuo? Onde está a democracia? Onde está a sabedoria desse artista ao excluir uma colega de profissão? Qual é o sentido dessa atitude?
Nesse contexto, fica evidente que esse movimento nunca defendeu as mulheres ou a pauta LGBTQI+. Trata-se apenas de um projeto político raivoso. A atitude de Pabllo confirma que, se um indivíduo ou grupo pensar de forma diferente dessa militância, a Inquisição ideológica atuará imediatamente.
Paralelamente a esse cenário, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei (PL 896/2023), que equipara o crime de ódio ou aversão às mulheres ao crime de racismo, prevendo penas de 2 a 5 anos de reclusão e multa.
Sobre essa pauta, o Dicionário Online de Português define o termo “misoginia” como o sentimento de repulsa ou aversão às mulheres, além da repulsão excessiva ao contato sexual com o sexo feminino. O conceito tem algo a ver com o Pabllo Vittar?
Em função disso, observo que muitos homens gays odeiam as mulheres de modo geral, indo além do repúdio do ato sexual. Diante desse fato, questiono os militantes de esquerda: o PL 896/2023 será aplicado a essas pessoas?
Compreendo que, a atitude de Pabllo Vittar foi preconceituosa. Não sou um jornalista conivente para ignorar esse fato. Quando a hostilidade parte do lado dos supostos “puritanos”, a militância rotula o ato como expressão de liberdade, ato político, ato democrático ou defesa. Contudo, uma parte da sociedade reconhece que essa conduta representa um ato de pirraça, preconceito, hipocrisia e intolerância. É gente de coração feio, algo muito diferente da face e coração de Ana Castela.
*O texto é de pensamento livre do colunista*



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