Recuo ou medo? Casagrande vai virar casebre?

(Imagem: criada no Gemini por Merkato)
Coluna Polítikus
Por: José Salucci – Jornalista

“A piedade exige que honremos a verdade acima de nossos amigos.” A impactante frase pertence ao corajoso filósofo Aristóteles. Como é difícil desagradar e frustrar as expectativas dos nossos círculos de amizade, do trabalho e das pessoas às quais direcionamos votos de confiança, gerando vínculos e promessas!

O atual senador eleito pelo estado do Espírito Santo, Casagrande — vulgo Big House —, sabe muito bem o momento sudorífico em que se meteu após fazer promessas de enfrentamento à investigação de supostos crimes contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em período de campanha eleitoral. O cenário exige coragem!

Por falar em coragem, publiquei esta semana um artigo sobre a bravata de Sérgio Vidigal (ex-prefeito do município de Serra), que se apossou de um tom corajoso, em discurso indireto, direcionado a Flávio Bolsonaro por buscar exílio nos EUA.

Pois bem, o que tem a ver tudo isso que estou escrevendo, meu caro leitor? Continue lendo para compreender a trama cronista envolvendo coragem, Aristóteles, Casagrande, promessas, Davi Alcolumbre, a lista dos bastidores do Senado e seu futuro rival, Rogério Marinho.

Mal saiu do forno um artigo quentinho “pentelhando” o vovô Vidigal — atual espantalho na política capixaba — e outro ator político já rouba a cena no “Hollywood Brazilian Senate”. Nossa! Péssima a minha criatividade para tentar prender a atenção do leitor mostrando técnica jornalística textual. Mas tudo bem. O importante é que Big House apareceu como ator (não como ator político no sentido de ser um agente que opera dentro do sistema), mas como um ator que exerce atuação teatral, do tipo da Grécia Antiga: vestindo uma persona, uma máscara.

Pois é… Tudo a ver esse papo de ator, Grécia Antiga, Aristóteles… e coisa e tal, que rima com Vidigal… (puts!) Mas e a coragem?

O sagrado filósofo Aristóteles, que influenciou o mundo com suas ideias deixou-nos algo para refletir sobre o termo “coragem”: a virtude que modera o medo e a confiança. Este pensamento é central na ética aristotélica.

Conceituado o sentido de coragem, agora vamos ao que interessa. O Big House — ou melhor, Casagrande — teve seu nome desvelado em uma listinha do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, ou seja, pressupõe voto a favor do pleito da Casa para o fevereiro de 2027.

Mas o que aconteceu com os discursos corajosos e aristotélicos de Casebre, ops! foi mal, de Casagrande, que chegou a dizer que defenderia uma investigação contra os ministros do STF e que a Corte precisaria de uma reforma urgente? Cadê as palavras eufóricas como: “Vocês terão um senador corajoso! Errou, vai pagar!”, referindo-se aos “Illuminati da toga”?

O cenário é de guerra. A principal batalha da direita no campo político é a tentativa de conquistar a presidência do Senado, com a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN). Esse é homem de coragem! Ao final do pleito eleitoral, dois dias após as eleições para senador e deputado federal, ele foi fazer uma visitinha ao STF — sendo mais enfático, ao ministro Fachin (presidente da Corte).

Com elegância e coragem — bem ao estilo da definição de Aristóteles: a virtude que nos guia diante dos riscos, mantendo o equilíbrio entre a razão e a emoção —, colocou a bola lá na gaveta, tipo gíria de futebol, sabe? Disse que, em uma eventual gestão na presidência do Senado, não faria “nem vingança nem omissão” contra a Corte.

A disputa é estratégica porque o presidente do Senado detém amplo controle sobre a agenda legislativa. Cabe a ele decidir o que avança e o que permanece engavetado, influenciar a tramitação de propostas destinadas a limitar o poder da Corte e conduzir a análise de pedidos de impeachment de ministros do STF — que se encontram parados debaixo do bumbum de Alcolumbre, apesar do interesse de grande parte dos senadores e do Brasil… Do mundo… E por aí vai…

Percebe o nível de piedade que Casagrande deverá exercer para honrar a verdade acima dos amigos? Essa lista de Alcolumbre precisará passar por um ritual religioso de consagração para alcançar a benesse de algum espírito iluminado… Tô aqui pensando nas “prostitutas da Suíça” — veio do nada essa imagem na minha cabeça, só porque Alcolumbre perguntou isso ao Vorcaro, né?

Será que Big House foi abduzido de sua ética e de seu discurso moral? Será que lhe mostraram todos os reinos deste mundo, assim como Satanás fez com Jesus na passagem bíblica do evangelho de Mateus, em que o Nazareno jejuou quarenta dias e quarenta noites e, ao término do propósito, passou por três tentações, sendo uma delas a oferta de prazeres e poderio: “Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares”, disse Alcolumbre, ops! foi mal de novo. Quem disse essa frase foi Satanás, o adversário.

O nome do cara já está na lista… É… Sei lá… É prostituta importada, uísque importado, festinhas em que milhões são gastos como se fossem grandes projetos urbanos, e olhe lá… Acho que quem vier a se tornar “coleguinha de lista” de Alcolumbre pode ser que ganhe alguma ambrosia do consórcio Executivo-STF.

Mas e a tal da coragem? Ah, deixa isso para Aristóteles. Filósofo é quem gosta de conceituar termos; político é bom de discurso — usa a narrativa certa para enganar o eleitor.

“Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares…” — Chega! Acabou a crônica, José. Vamos dormir.

*O texto é de livre pensamento do colunista*
José Salucci – *Reside em Serra *Jornalista *Diretor-presidente do Merkato (Foto: Thais Gobbo)

Leia também: A bravata de Sérgio Vidigal e a memória curta da ‘fugidinha’ de Brizola (PDT)

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